domingo, 23 de setembro de 2007



Após alguns meses sem comprar a Rolling Stone, resolvi dar uma olhada no conteúdo da edição no. 12. A primeira coisa que me chamou atenção foi o fato de não ter sido estampado na capa o tal “edição de aniversário”, talvez um indicador de despreocupação com a idade e isso é muito bom. Nada de reportagens comemorativas ou desculpas afins, somente a manutenção da linha que tornou a revista popular. Talvez por não estar nas mãos da Editora Abril, que parece ter parado no tempo e nem as poucas boas idéias que tem consegue manter nas bancas.

A começar pela capa, essa edição está excelente, incluindo aí as cartas dos leitores. Aliás, se tem uma seção que eu sempre passo por primeiro, em qualquer revista, é a de cartas. Gosto de ver os pontos de vista diversos e enriquecer o meu com isso. É uma maneira rápida de sintetizar opiniões e formular uma nova.

Mas o que mais me atrai na Rolling Stone é o fato de ser uma revista eclética o bastante para abordar desde música até política, sem com isso levantar bandeiras. Essa imparcialidade, tão rara nas “Vejas” da vida, faz muita falta, principalmente quando o assunto é espinhoso, porque uma publicação não deve escrever aquilo que seus leitores querem ler, mastigadinho, mas sim informar sobre os fatos de maneira tal que o leitor crie sua própria visão do assunto. Todo mundo que tem um mínimo de consciência crítica sabe disso, estou sendo redundante, mas incrivelmente é algo que vem sido esquecido ou deixado de lado em jornais e revistas de grande circulação. Não digo com isso que a Rolling Stone é perfeita e passa incólume nesse quesito, pois nos primeiros números da revista eu pude constatar que um ou outro jornalista não se incomodou de colocar abertamente sua opinião sobre aquilo que estava sendo escrito. Só que nesse caso o leitor não se sente manipulado ou impelido a concordar plenamente; há espaço para questionamentos.

A única coisa que a Rolling Stone tem de similar aos demais veículos de imprensa está nas críticas. Na ânsia por mostrar erudição e/ou enriquecer o texto, os críticos continuam apostando em expressões que por vezes me incomodam. Se bem que isso também é algo que eu cometia, e ainda hei de cometer, em muitos textos que jogo no blog. Da minha parte espero poder diminuir esse tipo de escrita que soa pedante e incômoda em alguns casos, mas duvido que os críticos “especializados” abram mão desse expediente.

domingo, 16 de setembro de 2007

Mega-sagas versus Crossovers

Atualmente muitos leitores de quadrinhos estão chiando em função da atual mania da DC e da Marvel: as mega-sagas. Realmente é algo que enche o saco, principalmente pelo fato de que no Brasil alguns personagens participantes das ditas não têm espaço suficiente (se é que têm) nos mix das revistas publicadas. Isso pode gerar dois tipos de reação. A primeira, e menos comum, é o interesse em buscar por mais informações sobre aquele personagem que teve alguma participação relevante, mas que não é conhecido; ou abandonar a leitura porque se tem preguiça de procurar as informações necessárias.

Lá fora, nos EUA, essa onda de mega-sagas já deu sinais de estar perdendo o fôlego, principalmente pelo fato da DC estar amargando a perda de leitores em função da falta de habilidade na costura de suas sagas.

Esse é um processo natural, que deve desembocar em uma outra febre assim que seja usada uma artimanha que aumente as vendas e o interesse dos fanboys mundo afora. Na década de 90 a fórmula mágica de boas vendas foram os crossovers, histórias onde dois ou mais personagens que pouco tinham em comum se encontravam. O roteiro mais comum pra esses encontros era os heróis se encontrarem, não irem com a cara um do outro e quebrarem o pau, até se tocarem que havia uma ameaça que, para ser vencida, precisava de sua cooperação mútua. Clichê a dar com o pau, mas muita gente comprava essas revistas pra saber quais seriam as possibilidades exploradas pelos escritores e desenhistas; e nem sempre o resultado saía como o esperado.

De início, a idéia de um crossover pode ser uma excelente maneira de aumentar o público de determinado personagem. Basta fazer com que este se encontre com outro cuja popularidade já esteja consolidada. Isso fará com que aqueles que são fãs do popular conheçam o “novato” e possam se interessar pelas suas histórias. Mesmo quando acontece a reunião de dois medalhões, isso pode ser benéfico para ambos os personagens, pois os fãs de um podem também começar a curtir o outro, ampliando sua legião de seguidores.

No final da década de 70 e no início da década de 80 foram feitos crossovers entre os X-Men e os Novos Titãs, o Super-Homem e o Homem-Aranha, Batman e Hulk. Todos estavam com suas reputações em alta e provavelmente as histórias foram um sucesso de vendas. A Abril relançou esses encontros em meados da década de 90, justamente aproveitando a onda de crossovers que varria as grandes editoras.

Foi juntando um grande ícone dos quadrinhos com outro popular nos cinemas que, pode-se dizer, iniciou-se a nova era dos crossovers. Batman versus Predador foi uma boa história, com bons desenhos, que mostrou um caminho cheio de grana a ser trilhado. A fórmula era fácil, bastou que os detentores dos direitos sobre os personagens escolhidos entrassem em acordo e presto!, esvaziaram os bolsos dos fãs. Daí a sair publicando encontros a torto e a direito foi um pulo. Foram vários e nem sempre bem arquitetados, mas que nem por isso foram desprezados. Particularmente comprei diversos, principalmente aqueles que traziam o Batman na capa. Um que merece destaque foi o primeiro encontro do Morcegão com o Juiz Dredd. Apesar da história seguir a cartilha “mocinho-encontra-mocinho-e-se-quebram-pra-depois-se-unir”, ali havia a diferença na motivação pessoal dos personagens e, desse conflito, saiu uma revista divertida e de leitura agradável, com a arte de Simon Bisley surgindo como uma porrada visual para aqueles que estavam acostumados ao estilão americano de desenhar Hqs.

O ápice dessa febre dos crossovers veio com o grande confronto entre DC e Marvel. Era tudo que os fãs queriam, poder finalmente ver seus personagens favoritos de cada editora se encontrando em uma grande história. Mas nem de longe foi isso o que aconteceu. A idéia central da história ficou fraco e as editoras cometeram a burrice de deixar nas mãos dos leitores a decisão sobre quem venceria os embates principais entre os personagens, tornando a história um mero concurso de popularidade. Ou alguém que tenha lido a revista engoliu numa boa a vitória do Wolverine sobre Lobo? Nem mesmo o mais fanático fã do canadense tem argumentos consistentes para sustentar essa vitória. Aliás, foi um dos pontos mais patéticos da história. Como não havia uma maneira decente de mostrar a vitória de Wolverine sobre o Maioral, jogaram os dois pra trás de um balcão de bar e o Wolverine sai de lá como se nada tivesse acontecido. Lamentável.

Depois disso, ainda foram lançados mais dois grandes encontros entre as editoras, tentando remendar a bobagem que foi a primeira, mas sem sucesso. E DC versus Marvel foi o início do fim. Exemplo disso foi Spawn e Batman, em seus dois encontro, um pior que o outro. O primeiro, com os desenhos de Todd McFarlane e sob a batuta de Frank Miller, mostrando ali que, apesar de ser um dos membros da santíssima trindade dos quadrinhos, também ele era capaz de escrever lixo. Como eu sabia que ia demorar um certo tempo até essa história ser lançada por aqui e sem saber a porcaria que era, comprei a edição importada. Ao menos serviu pra aprimorar meu inglês. Já o segundo encontro foi um abacaxi místico muito pior do que a bobagem armamentista do primeiro e nem merece comentários.

Vieram ainda outras histórias mostrando grandes e consagrados personagens, como o Surfista Prateado, por exemplo, se encontrando com o Super-Homem, com o Lanterna Verde e como figurante no encontro entre Galactus e Darkseid. A maioria desses encontros foi simplesmente um desperdício de papel por parte das editoras e de tempo, por parte dos leitores. Exatamente como está acontecendo atualmente no mercado editorial com as mega-sagas.

Porém os efeitos nocivos em tempos de internet, scans de revistas e a atual perda de leitores das histórias em quadrinhos para mangás podem ser devastadores. Não é à toa que a DC virou saco de pancada e a tal Countdown está afundando a editora no mercado americano. Saber sair do palco enquanto se está sendo aplaudido é uma lição que nem todos aprenderam ainda.

domingo, 9 de setembro de 2007

Julio Cesar Schwab

Sexta, dia 07/09, perdi um primo em decorrência de um acidente de moto. Uma morte estúpida, como muitas o são, afinal todos esperamos morrer velhos, confortavelmente, numa cama e rodeados pelos parentes e amigos queridos. Mas dificilmente poderemos escolher a maneira como morreremos e estamos sujeitos a essa situação pela qual passou minha família.

Depois da tristeza de enterrar um homem com cabeça de criança, inocente ainda que pessoas assim sejam difíceis de se encontrar nos dias de hoje, resta agora manter as boas lembranças, as besteiras divertidas que ele fazia, a maneira exagerada de contar histórias e o jeito bonachão, largado, de um cara que se tornou folclórico aqui no bairro. Muita gente conhecia o “Bezai”, ainda que só de vista.

Vai ser duro passar na frente da locadora que o guri tocava junto com a esposa ou na frente da lanchonete que ele e sua mãe abriram recentemente. O Julio tinha o bicho-carpinteiro desde pequeno. E como é triste saber que ele não estará aqui pra saber se o filho, de pouco mais de um ano, herdou o jeitão agitado do pai.

Ironicamente sua morte serviu pra ensinar alguma coisa pra cada membro da família. Todos sabiam que ele não era perfeito, mas cada um tirou uma lição ao relembrar a maneira como ele encarava tudo na vida. Da minha parte notei que preciso ser menos ranzinza e reclamar menos das coisas. Fazer isso pela memória do guri que tinha um parafuso a menos, mas era muito mais feliz do que muita gente sã que anda por aí.

Difícil também foi encontrar palavras pra confortar meus tios, que enterraram o filho mais novo. Minha tia não entende como pessoas que sofreram acidentes piores conseguiram escapar. Minha tentativa de responder à dúvida foi lembrando a passagem bíblica onde Jesus afirma que apenas os inocentes como as crianças herdam o Reino dos Céus.

Acredito na existência de Deus, mas não sou católico e há algum tempo encaro a Bíblia, entre outros textos tidos como “sagrados”, como romances que guardam princípios morais valiosos. São textos que nos guiam na busca pela evolução espiritual e que mesmo na simplicidade de algumas palavras, ajudam a trazer conforto e fé nesses momentos onde o vazio imposto pela morte fica um pouco menos difícil de ser preenchido. Ajudam a erguer a cabeça e seguir em frente, sabendo que um dia será nossa vez de partir e que, quando esse dia chegar, nada melhor do que estar consciente de ter passado pela Terra de maneira completa, tendo feito tudo que estava ao nosso alcance para atingir a plenitude da existência.

E uma coisa que meu primo fez foi ter conseguido isso em muito pouco tempo, durante sua curta passagem por aqui.

Que Deus esteja contigo, Julio.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Faroeste caboclo ou coisa parecida



O que mais aterroriza nesse vídeo?

a) O fato de fazendeiros terem tomado conta do local e impedir que a lei seja cumprida.

b) O fato desse tipo de situação poder ser utilizada futuramente como pretexto para uma eventual incursão de forças armadas estrangeiras na região amazônica.

c) Ambas as alternativas acima.

d) Nenhuma das alternativas. Eu acho que meu mundinho está tranqüilo e durmo bem à noite sabendo que estou a salvo dessas ameaças inventadas por ambientalistas.

e) Outra. Especifique.

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O vídeo em questão foi encontrado no Blog do Josias, colunista da Folha de São Paulo, e deveria ser mais discutido pelos meios de comunicação. A simples leitura dos comentários relativos à postagem dele é de causar arrepios e mostra o quanto ainda é preciso evoluir no quesito democracia nesse país.

Particularmente eu acredito que não será feito absolutamente NADA a respeito e os fazendeiros, que têm todo o direito de defender seus interesses, desde que dentro dos limites legais, continuarão mandando e desmandando em outras "Juínas" Brasil afora.

domingo, 2 de setembro de 2007

Monkey Kick Off

Tempo livre? Querendo matar serviço?

Monckey Kick Off!

É divertido!

PS: Link já postado no blog que tirei do ar, mas meu novo recorde é superior ao antigo.