2007 está acabando e me parece que demorou mais pra passar do que seus antecessores. Como acontece com todo ano que se finda, ficam coisas boas e ruins. Fatos positivos marcantes e decepcionantes acontecimentos que esperamos nunca mais ver novamente.
O primeiro ponto é positivo, ainda que tardio. Em 2007 houve um aumento da consciência ambiental, mais pessoas estão preocupadas com os meios de melhorar o mundo em que vivemos. Talvez ainda haja esperança para o Planeta. O lado negativo nesse quesito foi o fato de alguns cientistas céticos jogar areia na onda ambientalista, dizendo que é alarmismo essa história de aquecimento global. O mundo não precisa desse desserviço, pois mesmo que seja algo momentâneo e fora do alcance da mão humana a sua causa, nada impede que façamos o possível para diminuir o problema.
Meu ponto de vista: ainda que a raça humana seja ignorante, apesar de toda sua inteligência, não é hora de jogar a toalha.
No âmbito político, tivemos um ano a ser lamentado. As más escolhas dos eleitores ficaram mais uma vez demonstradas pelos escândalos ocorridos. Malditos sejam Renan Calheiros e que tais. Imagine se essa onda positiva de crescimento econômico que estamos atravessando acontecesse num país com políticos menos corruptos (porque incorruptíveis é lenda), com burocracia na medida certa e impostos justos. Aquela história de que o brasileiro é um povo rico é verdade. Só falta parar de colocar egoístas para governar. Quantos milhões de pessoas estariam com a vida melhor se o sistema funcionasse um pouquinho melhor?
Meu ponto de vista: nesse país as coisas só vão se tornar sérias quando o povo se incomodar verdadeiramente por estar sendo feito de palhaço. Eu faço parte de uma “elite” que incomoda o governo quando se manifesta, porque tenho opinião própria e não me furto ao dever cívico de vigiar quem está no poder. Perguntar não ofende: em quem você votou nas últimas eleições, mesmo?
Ainda relativo à Brasília, temos que lamentar a incompetência da diretoria da ANAC, que pode não ter sido a única culpada pelo maior acidente aéreo brasileiro, mas contribuiu muito para que a tragédia acontecesse. Por uma triste coincidência, na data do acidente meus pais estavam voltando de Brasília. Minha tia, que mora lá, ficou extremamente chocada e queria que eles protelassem o embarque para Curitiba. Medo, apreensão, revolta, tristeza. Sentimentos que tomaram conta da maioria dos brasileiros, ao menos da parcela que pode se dar ao desfrute de utilizar o transporte aéreo como meio de se locomover nesse país. A morte de 199 pessoas numa tragédia aérea é triste, mas ainda assim milhares de outros brasileiros continuam morrendo dia após dia em acidentes rodoviários, em hospitais públicos decadentes, nas mãos de delinqüentes e bandidos que fazem pouco caso da lei. E para o Governo Federal tudo que importa são os números positivos da economia. Mas como aproveitar esses números em benefício do povo é a questão que não tem resposta.
Meu ponto de vista: o caos aéreo é reflexo de um modelo de gestão que precisa ser revisto e modificado com urgência. Enquanto os controladores de vôo continuarem debaixo das asas da Aeronáutica, voar no Brasil ainda será algo perigoso. E a infra-estrutura geral do país cada vez afunila mais o gargalo para o crescimento sustentável. E isso não é culpa exclusiva do Lula. A falta de investimento nessa área vem de longe.
Mudando de assunto, antes que eu me revolte e o texto vire panfletagem anti-PT, vamos avaliar fatos amenos, de menor relevância. O lançamento do Renault Logan, por exemplo. As primeiras fotos que a imprensa especializada jogou no ar mostravam um carro interessante. Ledo engano. Após conferir o carro de perto, tive a sensação de que os anos 70 estavam de volta. Naqueles tempos de crise do petróleo e ressaca hippie, os carros perderam todo o glamour que haviam conquistado. Os modelos privilegiavam motores ao invés do conjunto, deixando o design e o conforto em segundo plano. O Logan não chega a deixar o conforto em segundo plano. Longe disso, afinal o maior atrativo do carro é justamente esse e o design anos 80 não compromete totalmente o veículo, que digam as suas vendas, as maiores da Renault no Brasil. Mas espero que esse passo atrás em termos de design não contamine as outras montadoras. A princípio essa hipótese é improvável, mas na briga dentro da categoria onde o Logan se enquadra, vale tudo.
Outro destaque automotivo desse ano foi o lançamento do Punto, um belo carro, visual retrô sem soar ultrapassado, com um grande mercado pela frente e que marcou a estréia do novo logotipo da FIAT. Outro que rouba a atenção por onde passa é o Vectra GT, muito mais interessante que o Punto, mas alocado em outra faixa de mercado. Preço da versão mais barata, em Curitiba: R$ 59.990,00.
De modo geral a indústria automotiva se lembrará de 2007 como um ano de ouro. As vendas foram às alturas, superando todas as expectativas e 2008 pode seguir o mesmo rumo.
Meu ponto de vista: se por um lado o aumento do consumo de veículos gera mais empregos, por outro complica ainda mais o tráfego nas grandes cidades, contribuindo para a piora da qualidade de vida nos principais centros do país. Haja álcool pra abastecer essa frota.
Por falar em álcool, aqui temos a vedete do agronegócio em 2007. Eu, como engenheiro agrônomo, sei que existem outras plantas com potencial para gerar biocombustíveis, mas a cana-de-açúcar é a mais interessante para as condições brasileiras. Álcool de milho é caro, biocombustível a partir da mamona também, soja compensa mais como alimento que como combustível. Dá-lhe plantar cana, então... Mas essa é uma cultura de alto potencial poluidor, em função dos tratos culturais que exige. Porém o aumento do consumo previsto torna o plantio de cana algo muito atraente em diversas regiões. Isso é preocupante, pois pode gerar problemas de abastecimento de outros gêneros, uma vez que a área plantade de milho, soja, feijão e outras culturas que competem com a cana em regiões favoráveis tende a diminuir. Isso porque agricultor é um bicho que não entende economia de escala, geralmente é ganacioso e burro, pois se importa em plantar apenas aquilo que dá dinheiro. Ok, ninguém corre atrás de coisas que dão prejuízo, mas se você e mais todo mundo plantar uma única coisa, a oferta sobe e o preço cai. Não é difícil de entender. Agora, se você planta de tudo um pouco, verificando as possibilidades de sua propriedade, em uma cultura você lucra, em outra você empata o investimento e, dificilmente, terá grandes prejuízos. A agricultura do Brasil é uma das mais fortes e competitivas do mundo, mas ainda tem potencial para muito mais. Antes de eu sair da faculdade, em 2003, já se falava em profissionalizar o produtor rural. Infelizmente esse processo é lento e levará gerações, mas quando estiver consolidado, o agronegócio deverá fazer ainda mais pelo desenvolvimento nacional.
Entrando agora em algo mais divertido, os assuntos culturais! 2007 não começou bem para os fãs do cinema. Exceto por 300, que segurou a onda muito bem, nada em cartaz no início do ano foi surpreendente ou divertido, na minha opinião, até o segundo semestre. Porcarias como Motoqueiro Fantasma, Homem Aranha 3 (a maior decepção do ano, com certeza) e Quarteto Fantástico 2 mostraram o lado ruim das produções baseadas em quadrinhos. Piratas do Caribe 3 ainda não assisti, então colocar no mesmo nível que os filmes citados é sacanagem. Mas tenho mais certeza do que dúvidas que, apesar de ter ficado aquém dos seus antecessores, Piratas do Caribe 3 deve ser muito mais divertido que os filmes da Marvel. Ainda esse ano tivemos Transformers, que não foi tudo aquilo que poderia ter sido e Os Simpsons – O filme, que foi tudo aquilo que poderia ter sido e mais um pouco. Mas nada tira de Tropa de Elite o prêmio de melhor produção em 2007. Primeiro por falar sobre bandidos como nenhum filme nacional teve coragem, até então. Segundo, por ser um filme nacional com padrão internacional de qualidade, tanto no roteiro quanto nas atuações. 300 e Tropa de Elite fizeram valer cada centavo dos ingressos e estarão, em versão original, na minha dvdteca.
Outros pontos da indústria ciematográfica que foram positivos: os aperitivos do que virá em 2008. Homem de Ferro, Hulk, Cavaleiro das Trevas lideram as apostas. Correm por fora Speed Racer (que não me cativou, mas pode surpreender), Wolverine (que perdeu ritmo em se tratando de atratividade) e Rambo (com estréia prevista já em janeiro). Sem contar nas surpresas que devem surgir. É aguardar e conferir.
Nos quadrinhos as coisas continuam de vento em popa, com lançamentos para todos os gostos. Como eu não fujo muito do estilo “super-herói”, não sei o que falar sobre mangás e álbuns de arte, mas até onde percebi, 2007 trouxe muita qualidade nas histórias em quadrinhos de maneira geral.
A Panini continua aprendendo com seus erros e melhorando aos poucos suas linhas de revistas e, para nossa sorte, o hiato entre o que acontece nos EUA e aquilo que é publicado por aqui é cada vez menor. Os destaques do ano ficam por conta da linha All Star Superman, que só tem recebido elogios dos fãs, que lamentam pela alteração da equipe criativa. A decepção fica por conta de All Star Batman & Robin. Frank Miller é um cara que se perde muito facilmente hoje em dia. Férias para ele.
No caso da linha mensal, só tenho acompanhado duas publicações: Liga da Justiça e Batman. Após o “furdunço” provocado pela Crise Infinita, a origem da Liga foi bagunçada e, quem é da velha guarda como eu, terá que esquecer a origem da equipe, coisa difícil de aceitar. Outra coisa triste foi o retorno de jason Todd, algo desnecessário. Mas tudo bem, há necessidade de se mudar o Status Quo de tempos em tempos.
O problema começa justamente nessa necessidade. Grant Morrison resolveu trazer o filho de Bruce Wayne com Thália de volta aos holofotes. Particularmente não vejo como isso enriqueceu o bat-universo e seus personagens, mas como o roteirista é Morrison o pessoal tá dando uma colher de chá. Se fosse outro, certamente cairiam de pau em cima.
Outra mudança que estou estranhando muito foi a do Ajax, que hoje passou a ser conhecido como Caçador de Marte. Não estou acompanhando 52, série que deve trazer uma luz sobre as mudanças do marciano. Ano que vem me encarrego de descobrir.
Enfim, deixemos a retrospectiva de lado e ficam com vocês meus desejos de um 2008 repleto de saúde, amor e paz, mantendo Deus na consciência e buscando sempre a iluminação.
