quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agora não falta mais nada

Isso aqui mostra como a concorrência no mercado "informal" está acirrada.

Só não vale gritar "Pega ladrão".

domingo, 28 de outubro de 2007

From China, with love



Em setembro passado meu irmão foi para a China, participar de um seminário, realizar cursos e fazer um pouco de turismo (afinal não é todo dia que se vai pra China) em mais ou menos 20 dias. Inicialmente ele penou com o fuso horário, coisa que em uns dois dias resolveu-se. O problema maior foi com a peculiar culinária local, pois aqui em casa o máximo de comida chinesa que a gente encara é um frango-xadrez ou um yakisoba, e olha lá.

Passada a adaptação com a comida, o negócio era aproveitar o curso e o seminário. O guri investiu na carreira de fisioterapeuta-acupunturista e essa viagem enriqueceu sua capacidade profissional, ampliando seus já abrangentes conhecimentos. Sem falar que o estímulo em melhorar a arte, conhecendo a terra natal da mesma, só tende a gerar bons frutos.

Porém não ficarei rasgando seda pra ele aqui. A intenção com o post é apenas encher lingüiça até semana que vem, quando finalmente vou assistir Tropa de Elite e poder escrever tudo que tenho vontade sobre o filme e a temática que o envolve.

Voltando então à encheção de lingüiça, meu irmão contou que a China tem muita mulher feia, muita porcaria (no sentido próprio da palavra) eletrônica e, como não era diferente de se esperar, muitas peculiaridades em relação ao nosso universo ocidental. Mas pelo que percebi pelo material que ele trouxe como bugiganga de lá, os hábitos regionais estão bastante ocidentalizados. No clip das artistas chinesas contido no mp4, por exemplo, nota-se que o pop chinês é semelhante ao fabricado por estas bandas, com beldades curvilíneas cantando refrões grudentos (ainda que em mandarim).

Porém, ele não soube aproveitar as compras. Por falta de um espírito mais consumista, ele deixou de aproveitar o fato de estar na fonte da muamba que brasileiro compra no Paraguai e não fez a festa. Ainda assim, fez boas compras.

Na ânsia de encontrar material interessante, acabou comprando a edição de outubro da FHM chinesa. Tudo bem que não dá pra entender lhufas do que está escrito lá, mas um artigo em especial chamou minha atenção.


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O Brasil não é famoso apenas pelo trio Carnaval-futebol-mulher gostosa. Agora também estamos entre aqueles cujos assaltos a banco estão entre os maiores do mundo. Mais um motivo de orgulho, torcida brasileira!

domingo, 21 de outubro de 2007

EU JÁ SABIA!!! (ou não)

Não foi como eu gostaria, mas seria pedir demais que os bons tempos voltassem em apenas uma temporada. Ao menos a decisão do título foi surpreendente, pois só um doido apostaria na vitória de Kimi Räikkönen, que esteve ameaçada até a última volta, caso Nico Rosberg e Robert Kubica se envolvessem em um acidente e saíssem da prova. Pra tornar tudo mais emocionante só faltou chover.

Para o próximo ano, a coisa deve ser ainda melhor: a Ferrari mantém a mesma equipe, o que teoricamente dá um ligeira vantagem sobre as rivais; Nelsinho Piquet entrará em uma grande equipe segundo boatos e Hamilton terá motivos de sobra pra mostrar que os resultados desse ano não foram em função de uma eventual puxação de brasa pro seu lado, por parte da equipe ou apenas pura sorte de principiante. Alonso deverá estar mordido por justamente ter sido preterido pela McLaren e não acredito que ele continue na equipe, preferindo uma que o trate como estrela. Por maior que seja o talento, sua vaidade é muito maior do que a habilidade demonstrada nas pistas. A impressão que esse espanhol passa é de ser uma pessoa de difícil trato.

De qualquer forma, esse foi um dos campeonatos mais equilibrados que pude acompanhar e o fato dos brasileiros não terem se dado melhor foi mais por culpa de suas equipes do que por falhas de pilotagem. Isso vale mais para o Barrichelo do que para Felipe Massa, que poderia ter conseguido melhores resultados nas primeiras provas se não tivesse sido tão afoito.

No caso do eterno perdedor Barrichelo, a equipe foi responsável pela pior temporada do piloto, que finalmente pode colocar a culpa pelas péssimas apresentações no carro, depois de vários anos correndo em escuderias competitivas e sempre começando o ano dizendo que “agora será possível brigar pelo título”. É uma pena saber que ele deixará a Fórmula 1 sem nunca ter levado um título de campeão mundial, pois o que ele transmite é ser incapaz de forçar a equipe a colocar o melhor carro em suas mão, afinal bom piloto ele é. Só que nunca deu sorte...

No mais, é esperar a próxima temporada e torcer pra que as emoções desse ano venham dobradas.

domingo, 14 de outubro de 2007

Será que sou só eu?

Se vivêssemos em uma cultura similar à islâmica em termos de defesa dos cânones quadrinhísticos ou nérdicos, eu seria condenado à morte pelo que vou escrever a seguir.

Não é de hoje que esse senhor é enaltecido por ser uma das maiores figuras da ilustração nos quadrinhos dos últimos tempos e por seu estilo inconfundível. Sua acensão nos quadrinhos aconteceu depois do lançamento de Marvels, há mais de 10 anos, e se consolidou com Reino do Amanhã.

Realmente as histórias que Alex Ross ilustra beiram a perfeição e sua obsessão por detalhes nas pinturas é algo que agrega muito às histórias que ele desenha. Porém, segundo os experts, ele é uma mala sem alça e que, devido à veneração que os fãs têm por seu trabalho, acredita piamente poder se dar ao luxo de esnobar esses mesmos fãs nas convenções de quadrinhos América do Norte afora.

Foi quando soube desse traço negativo da personalidade do sr. Ross que comecei a ser mais crítico com suas obras. Basicamente existem duas características artísticas dele que me incomodam: a saturação das cores de suas pinturas, sempre com cara de envelhecidas, com baixo contraste; e a mania besta de fazer as máscaras do Batman e do Flash completamente erradas.

Em relação às cores, ele poderia deixar efetivamente mais realistas como fazia no inícoi da carreira. Geralmente os artistas evoluem suas capacidades, mas eu não vejo isso nos materiais recentes do sr. Ross.

Quanto às máscaras do Batman e do Flash, basta levar em consideração que a arte de Alex Ross é elogiada pelo foto-realismo empregado. Muito bem, se fosse assim, as máscaras de ambos remeteriam àquelas utilizadas nos filmes (caso do Batman) e no seriado (caso do Flash).

A máscara do Batman, por exemplo, parece ser confecionada com a mesma borracha utilizada em luvas cirúrgicas de látex, o que explicaria o cenho franzido tão perfeitamente desenhado debaixo de uma máscara que deveria, além de esconder a identidade civil do herói, ser uma proteção contra ataques.

Já a máscara do Flash parece ter sido feita por uma criança e nem de longe seu uniforme lembra um dos melhores já construídos para uma adaptação live-action, ficando superior até ao uniforme do Homem-Aranha, em minha humilde opinião. Quem assistiu ao seriado dos anos 90 sabe que é verdade.

Outra coisa que incomoda, mas nem tanto, é a preferência desse desenhista pela fase pré-Crise, quando ilustra personagens da DC. Eu era muito pequeno e não acompanhava quadrinhos de super-heróis até 1990/91, por isso não tenho condições de afirmar se aquilo que existia antes do trabalho primoroso de Marv Wolfman e George Pérez era tão bom quanto o sr. Ross defende. Ainda assim, quando ele resolve incorporar elementos pré-Crise em suas ilustrações, o faz de maneira não-ofensiva e, justamente por isso, passa desapercebido na maioria das vezes.

Assim, peço aos defensores e fãs ferrenhos do sr. Ross que me poupem de um apedrejamento sumário e arbitrário, defendendo seu ídolo de maneira coerente e com bons argumentos. Para ajudar na minha defesa, coloco abaixo algumas ilustrações que corroboram com minha opinião.








As imagens acima ilustram apenas a questão da máscara do Batman, mas pegue suas edições de Marvels, Reino do Amanhã e outras publicações ilustradas pelo sr. Ross e compare as diferenças. Note que a máscara do Robin vermelho é muito parecida com a máscara utilizada no filme Batman, de Tim Burton. Repare também nas rugas da testa do Batman desenhado para a capa da Wizard. Na minha opinião Alex Ross já foi muito melhor...

domingo, 7 de outubro de 2007

A música Eduardo e Monica, da Legião Urbana, esconderia uma implicância com o sexo masculino?

Há tempos atrás, antes até de resolver criar um blog, recebi um e-mail cujo texto era deveras divertido, mas que ficou esquecido nas empoeiradas prateleiras eletrônicas de um cd-rom qualquer. Vasculhando arquivos antigos, reencontrei o texto e, como o material é interessante, mesmo para aqueles que já o tenham lido, resolvi colocar o mesmo aqui. Infelizmente não sei quem foi o autor da pérola, mas o cara é melhor que muito crítico musical (olha eu atacando os caras de novo) por aí.

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso, como no caso da música Eduardo e Monica, do álbum "Dois" da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente; enquanto a feminina (Monica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. Analisemos o que diz a letra.

Logo na segunda estrofe o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente: "Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram" ao mesmo tempo que tentar dar uma imagem forte e charmosa à Monica: "enquanto Monica tomava um conhaque noutro canto da cidade, como eles disseram". Ora, se esta cena tiver se passado de manhã, como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Monica revela-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura: "Festa estranha, com gente esquisita...". Bom, "festa estranha" significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade, com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. "Gente esquisita" é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa e as garotas mais horrorosas da Via-Láctea. Enfim, esta era a tal "festa legal" em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como vemos a seguir. Assim temos: “Eu não estou legal. Não agüento mais birita”. Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios; bem ao contrário de Monica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.

Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram: "E a Monica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar". Vamos por partes: em "E a Monica riu" nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Monica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente. Mais à frente é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se "quis saber um pouco mais", leia-se "quis dar para". É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Monica. A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo "boyzinho que tentava impressionar". É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como "boyzinho". Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Monica de bicicleta, como consta na quarta estrofe: "Se encontraram então no parque da cidade A Monica de moto e o Eduardo de camelo". Se alguém aí agiu como boy, esta foi Monica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Monica. E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos, na frente de todo mundo, ok?

Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Monica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo: "O Eduardo sugeriu uma lanchonete. Mas a Monica queria ver o filme do Godard". Atitude esta nada democrática para quem se julga uma liberal. Na verdade, Monica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e que bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Monica: "O Eduardo achou estranho e melhor não comentar Mas a menina tinha tinta no cabelo". Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. À pouco vimos Monica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disso, se Monica pinta o cabelo ou é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril ou porque é uma baranga escrota mesmo. O autor insiste em retratar Monica como uma gênia sem par: "Ela fazia Medicina e falava alemão" e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo". Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor respectivamente. Coitado do Eduardo, é um jumento mesmo...

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois: "Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud". Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.As, muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. O sujeito mais normal dessa moçada aí, cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba ali que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio. Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo e crianção: "E o Eduardo gostava de novela E jogava futebol de botão com seu avô". A bem da verdade Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não!, preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões. É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, que homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos: "Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação". Falava merda, isso sim. Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por quê? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo. É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Monica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto: "E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão". O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse bar da esquina - terreiro de macumba – sauna gay – delegacia? E qual é o problema de se ir a escola?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Monica: "Eduardo e Monica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar". Por ordem:

1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto;
2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo.
3) Quer saber? Teatro e artesanato são coisas de viado.

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra: "A Monica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar". Mais uma vez, aquela lenga-lenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Monica trabalha na previsão do tempo? Não. Monica é geóloga? Não. Monica é professora de química? Não. Monica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada, alcoólatra e vadia pode ensinar sobre céu, terra, água e ar, que uma muriçoca não saiba? Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril, capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo camelô mais safado do mundo. Santa inocência...

Ainda em "Ele aprendeu a beber" não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... É claro, com Monica, a campeã do alambique. Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis como o código Morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Monica. Grande contribuição!

Depois, temos "deixou o cabelo crescer". Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Monica na cabeça do iludido Eduardo. Sempre à frente em tudo, Monica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade: "E ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular". Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Monica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.

Outra prova da parcialidade do autor está em "porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação”. É interessante notar que é o filho do Eduardo, e não de Monica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta. O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. Bem típico de algum recalque homossexual do autor, talvez magoado com a natureza masculina. A verdade é que uma vadia pé-de-cana, maria-gasolina e porra-louca levou para o mau caminho um rapaz que tinha grandes possibilidade de andar pelas veredas do bem.

Como disse Lulu Santos: "Cada um tem um jeito de contar a mesma história".