quinta-feira, 22 de maio de 2008

Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal


Dezenove anos. Tempo demais para o que foi apresentado. Fiz questão de me manter longe de comentários mais reveladores e corri para assistir ao filme na sua pré-estréia para ter minha opinião sem interferências. Não entendi, após o final da sessão, a razão para tanta frescura na escolha do roteiro se o que foi filmado não pareceu agradar aos fãs mais velhos de Indiana Jones. Ouvi muita gente fazendo coro com relação ao que pensei sobre tudo o que passou na telona.

O filme se preocupa muito mais em conquistar a platéia mais nova, a segunda geração videogame (segunda porque a primeira é formada por aqueles que curtiam Atari). Em poucas cenas o filme efetivamente remete aos bons momentos dos três primeiros da série. É sabido que Indiana Jones estreou nos cinemas, em 1982, apoiado por muitas situações caricatas e exageradas, mas nesse último filme as coisas fogem do controle.

Eu, como fã de carteirinha, com direito a ter um chapéu original Indiana Jones e o box com a trilogia, saí do cinema extremamente decepcionado. Confesso que o fato de o tempo ter exigido a mudança dos inimigos, dos nazistas para os comunistas, já era algo que me chateava, mas mudanças às vezes são para melhor, oras. E não teria cabimento ver Harrison Ford, na idade em que se encontra, lutando contra nazistas como se A Última Cruzada tivesse sido lançado há poucos anos.

Pois bem, se quiser continuar, que seja por sua conta e risco. Daqui pra frente tá cheio de spoilers.

A invasão da base americana pelos russos ficou excelente. As citações aos Caçadores da Arca Perdida, logo no início do filme, davam um gostinho de nostalgia e transmitiam a sensação de que um novo e melhor episódio da série estava por vir. Engano. A história pouco tem a ver com a mitologia construída nos três primeiros filmes.

Após a seqüência inicial no depósito da área 51, ficamos sabendo como Henry Jones Jr. atuou pelo seu país durante a Segunda Guerra. Pausa para situar o filme durante o macartismo, onde qualquer um poderia ser apontado como “vermelho”, passando a ser perseguido pelo governo, sem mencionar que o menor envolvimento com comunas era motivo para ter o FBI na sua cola. E o fato do Dr. Jones ter escapado de espiões russos que invadiram uma base americana é mais do que motivo para ser investigado pelo Bureau.

Em função dessa investigação e das pressões sobre o reitor da universidade onde leciona, Henry Jones Jr. resolve que a Europa seria um bom local para deixar a poeira baixar, nesse momento ficamos sabendo que seu pai e Marcus Brodi faleceram. Porém, na hora de dar início à viagem, surge Mutt, um jovem que precisa da ajuda de Indiana para resgatar sua mãe, que caiu nas mãos dos comunistas. Quando o guri está explicando a situação para nosso herói, surge a primeira seqüência de perseguição. Nessa hora você pensa: agora sim! Vamos ter um legítimo filme de Indiana Jones!

A perseguição é muito boa e o climão de cinema pipoca parece que vai engatar. Surge uma boa razão para que Indiana saia ao resgate da mãe de Mutt e se meta em enrascadas. Entra a clássica seqüência do vôo sobre um mapa e, em seguida, ratifica-se a primeira impressão de que a química entre Harrison Ford e Shia LaBeauf funciona perfeitamente. Não se pode negar, o guri é bom, muito bom. O elenco de forma geral é até melhor do que nos filmes anteriores, não existe ninguém destoando, todos estão à vontade em seus papéis e percebe-se que estar ali é muito divertido para o elenco. Ainda assim, isso não salva o roteiro.

Lá pelas tantas a história descamba para uma perseguição frenética na selva amazônica, com cenas difíceis de engolir, até mesmo para um filme de Indiana Jones. Aliás, em muitas cenas tive a impressão de que George Lucas e Steven Spielberg perderam a mão. Minha noiva sintetizou muito bem as falhas em determinados pontos como desnecessárias, onde você perde o clima de magia e pára para pensar, algo que num filme desses não deve acontecer. Você entra na história e aceita que muitas coisas, mesmo sendo exageradas, formam um contexto. Quando esse exagero supera aquilo que é cabível, quebra-se a magia. Isso acontece em pelo menos três pontos do filme: na maneira como Indiana sobrevive a uma explosão atômica, no uso de cipós por Mutt para conseguir se reunir aos veículos da perseguição na selva amazônica e nas três quedas de cachoeiras até a chegada ao Reino da Caveira de Cristal. E se você foi um tanto quanto perceptivo quando viu o pôster do filme ou leu em algum lugar na internet, a tal Caveira de Cristal pertence a um ser extraterrestre, o que poderia ter gerado uma história muito mais empolgante.

Pois bem, ao descobrir que realmente houve uma raça alienígena que povoou a América antes da chegada dos conquistadores, o filme se fecha de maneira rápida, ainda que consistente com a proposta da história. Nesse ponto, se você esperava o mesmo que eu, já estará triste e desanimado.

Porém a cena final consegue piorar ainda mais a sensação de desgosto. Um casamento para fechar o filme é muito pra minha cabeça. Mas isso não é o mais absurdo. Absurdo é saber que Spielberg e Lucas, bem como Harrison Ford, pretendem realizar um quinto filme de Indiana Jones. Antes tivessem parado no terceiro. Pelo menos The Dark Knight vem aí e nesse eu boto muita fé.

Nota 5,0.

domingo, 18 de maio de 2008

Teoria da Conspiração

Começou a guerra. Agora ela está aberta, clara, visível. Os gringos definiram que a Amazônia não é brasileira. Questão de tempo até que os ânimos se exaltem sobre a importância da floresta para o planeta. Mesmo que seja nacionalismo irracional, não sou um dos que preferem abrir mão de tudo que a Floresta Amazônica oferece sem a devida contraparte do resto do mundo. E digo isso sem o medo de ser tachado de mercenário ambiental. Desenvolvimento sustentável é algo que, por tudo que estudei, não existe. Quem fica em cima dessa tecla tem interesses que não necessariamente trarão essa utopia.

Se hoje a Amazônia é considerada patrimônio da humanidade, só o é porque muitas outras florestas hoje são apenas lembranças de um tempo em que o homem se achava senhor absoluto do planeta, quando nações colonizadoras exploravam continentes sem se preocupar com as conseqüências disso, afinal naqueles tempos não havia conhecimento suficiente para prever o cenário que hoje precisa ser remediado. Ainda que somente na Amazônia se encontre a riqueza e biodiversidade que os fatores geográficos proporcionaram, não pode ser esquecido o fato de que todo ecossistema tem sua importância.

Como fazer para que a questão de patrimônio da humanidade não vá contra os interesses nacionais é o grande ponto a ser discutido. Se os gringos querem tomar aquilo que de fato é de todos, que isso não seja feito de acordo com os interesses de poucos e em desacordo com o povo que contém o patrimônio em suas fronteiras.

Reconheço que a maneira como o atual governo se posiciona em relação à questão abre precedentes perigosos, precedentes esses que provocam em nações poderosas discussões sobre o direito à soberania brasileira e de outros países sul-americanos sobre o território amazônico. A queda de Marina Silva, da maneira como ocorreu, acendeu a luz vermelha para os defensores do meio ambiente. E tem gente mais interessada na desestabilização da discussão do que na busca efetiva de soluções. Apontar quem são os vilões ocultos é um jogo arriscado. Cada um tem sua teoria e o povo brasileiro já ouviu muitas histórias conspiratórias sobre as maneiras como a Amazônia será tomada de nós.

Leia esse artigo, bote sua teoria na roda e aposte em quem você acha que vai ganhar essa queda de braço. Particularmente só vejo um perdedor: a própria Floresta Amazônica.

domingo, 11 de maio de 2008

Fui enganado, quero meu tempo de volta!

Você, nos dias de sua infância, foi iludido, enganado. Tudo fazia crer que quando você chegasse à vida adulta muito daquilo que via passando no mundo seria feito de maneira prática e rápida quando crescesse. Você teria menos trabalho e mais tempo para o lazer.

Pois é, hoje você está formado, com um emprego que te suga mais do que te devolve e seu tempo livre está sendo menos proveitoso do que você gostaria. O advento do PC e a evolução da internet diminuiu muito o tamanho do mundo, a ponto de todas as suas tarefas necessitarem planejamento prévio, de médio a longo prazo. Ou pior: tudo que te pedem para ser feito é para ontem.

O ano 2000 chegou e com ele não veio o mundo dos Jetsons. Que droga... Os carros não voam, os robôs não fazem todas as atividades domésticas, a poluição e os trabalhos extenuantes não foram riscados do mapa e adicione à lista aquilo que você queria que o século XXI tivesse trazido, mas não o fez.

Menor ficou o tempo para si próprio. Agora só se deve pensar em terminar a faculdade (na qual você adentrou quando tinha seus 17 anos), engatar um MBA, fazer cursos e mais cursos de aperfeiçoamento profissional, realizar trabalhos voluntários e, ainda por cima, ser bom namorado (marido, esposa, companheiro(a) etc.), ser um bom pai/mãe, ser um vizinho simpático e querido no condomínio e por aí vai.

Tá complicado mesmo saber qual é nosso papel nesse mundo cada vez mais veloz, mas não dá tempo pra ficar choramingando. A avalanche de pessoas que não se importam com tudo isso que expus aí em cima te atropela sem compaixão. O negócio é ter, ter, ter. Consuma tudo que a mídia televisiva, impressa e que está no banner desse site te oferece. Esqueça os valores fundamentais, que realmente te fazem feliz. Seja, enfim, a única coisa que você não sonhava para o seu futuro quando era uma criança: uma máquina.