domingo, 30 de março de 2008

Pancadaria no trânsito

Essa semana o que mais me chamou a atenção nos noticiários foram as infelizes declarações daquele sapo barbudo que ocupa a cadeira de Presidente da República, novamente se comparando a Jesus Cristo e achando ruim a oposição fazer seu papel. Pois bem, foda-se o Lula e aqueles que enchem a bola desse calhorda. Se possível fosse, meu último desejo em vida seria encher a cara desse infeliz de bordoada, pois o egocentrismo desse cara, que "aconselhou" o Bush a cuidar da crise dos EUA para não interferir no crescimento do Brasil, chegou ao limite do racional. Ele não ouviria nem a própria mãe pedindo para que ele voltasse a ser (ou parecer) minimamente ético. Pro inferno com esse pulha!

Saindo da política e entrando na área mais "dia-a-dia" vamos passar ao trânsito, esse Satã Goss que tem o poder de enfurecer os seres e torná-los monstros incontroláveis. Todo mundo já deve ter passado por alguma situação ruim no trânsito a ponto de ser tirado do sério. Se não passou, um dia passará. É algo que está no seu destino.

Pois bem, essa semana que passou teve um registro fotográfico de uma briga no trânsito. Com certeza devem acontecer várias similares todos os dias nos grandes centros urbanos, onde o stress e a irritação provocados pela rotina mostram como é fácil deixar de ser civilizado.

Eu mesmo, por duas vezes, passei dos limites do razoável quando sofri com a irresponsabilidade e imprudência de outros motoristas. Mas sair correndo depois que o bicho pega, como o mané das fotos citadas, é coisa de frangote. Se não agüenta, não se mete, rapaz. Se se meter, apanha que nem homem, pô! Agora taí, virado em fonte de chacota nacional porque não foi macho o suficiente pra defender os xingamentos e impropérios que desferiu contra o outro motorista. Esse aí nunca mais se mete a fodão no trânsito. Frozô!

domingo, 23 de março de 2008

Entre a fé e a religião

Páscoa deveria ser um período de reflexão, como toda data religiosa cristã que temos o costume de celebrar. Digo cristã porque a maioria dos brasileiros é fiel aos Evangelhos e segue a Bíblia como livro sagrado. O problema, como em toda data religiosa, é que o povo passa apenas aqueles dias sendo bonzinho e nos demais dias do ano a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo voltam a imperar.

Desde que comecei a me dedicar ao estudo de questões relativas ao Cristianismo, meu ceticismo com relação a tudo que nos é contado na Bíblia aumentou, exceto minha fé em Deus, que continua no mesmo caminho há alguns anos.

O grande trunfo da Bíblia, segundo tudo que se percebe nela, é realmente a bússola moral que ela representa. Realmente teríamos problemas menores se aqueles que nela vêem um exemplo a ser seguido efetivamente colocassem em prática boa parte do que está inscrito nos livros que a compõem.

É pedir demais, afinal esse mundo a cada dia surge um novo charlatão que usa as palavras tidas como sagradas para alcançar benefício próprio. Mas o que acontece em todo período de festas religiosas é um saco, pois todo o blábláblá que envolve essas datas, ano vem ano vai, não muda nunca.

A população está cada vez mais perdida e minha fé no ser humano não tem previsão de ser restaurada. Exemplos de pessoas que são falsas existem aos borbotões. Sei de um cara que casou na igreja (não católica), seguindo os rituais que sua religião prega, mas tem no pensamento a idéia de que é “melhor faltar caráter que faltar mulher”. Qual a razão, além do casamento pra inglês ver, de seguir uma religião se os preceitos morais que ela prega são relegados por esse “omem” (assim mesmo, sem H) a planos abaixo da luxúria, cobiça e inveja?

Dessa forma, prefiro não seguir religião alguma, mas procurar sempre que possível seguir os conselhos que a Bíblia e os ensinamentos que ela passa. Buscar Deus não em presentes ou ovos de chocolate, em juras a sacerdotes nas cerimônias celebradas, mas nas ações benéficas que pautam meu dia-a-dia. Estou no mesmo barco que os praticantes religiosos de ocasião, pois a crítica que fiz nesse post me enquadra entre pecadores, pois soberba e orgulho não devem ser alardeados como qualidade. Se não há diferença entre a minha maneira de agir e a daqueles que seguem uma religião, me pergunto qual será o critério definitivo para julgar os bons e os maus quando a hora chegar. Opinião pessoal? Acredito definitivamente que nossas ações deverão justificar a ida para o Inferno, Paraíso ou qualquer que seja o lugar onde nossas almas encontram destino após a morte. Questão de fé, não de religião.

domingo, 16 de março de 2008

Boa noite e boa sorte

Eis um filme que só não foi mais apreciado porque não sou norte-americano. Há algum tempo eu ansiava por assisti-lo, mas nunca surgia a oportunidade. Não é nenhuma superprodução, não existem reviravoltas mirabolantes no roteiro, mas atuações são sinceras, consistentes e o filme efetivamente só diz alguma coisa àqueles que percebem na história as alfinetadas que George Clooney dá na administração George Bush e na imprensa norte-americana.

Comercialmente não foi um sucesso, afinal o público atual dos cinemas normalmente procura filmes mais visuais do que com conteúdo e dificilmente Boa Noite e Boa Sorte seria digerido pelas platéias comuns. É um filme cujo maior trunfo está nos diálogos, mas a direção de Clooney se mostra acertada nas escolhas realizadas, tanto técnicas quanto artísticas.

Trazendo o filme para os acontecimentos atuais, é bem verdade que os tempos são distintos. Aquilo que o senador McCarthy fazia na década de 50 é muito diferente do que os membros do governo Bush fizeram no auge da caça aos terroristas, mas as conseqüências geradas são basicamente as mesmas. A discussão do papel da imprensa faz com que o filme também mostre como estamos mal atualmente, com linhas editoriais obscuras, nem sempre buscando informar. O cerceamento de liberdades, ponto chave no filme, sempre é algo que provoca reações daqueles que efetivamente conseguem visualizar o cenário por completo, notando que nem sempre os fins justificam os meios. E ainda que o “preço da liberdade seja a eterna vigilância”, há de se entender o contexto de liberdade e vigilância. Vigiar aqueles que são considerados subversivos apenas por serem contrários às suas opiniões torna o vigilante uma ameaça ainda maior.

Nesses momentos os veículos de comunicação devem buscar desempenhar seu papel, oferecendo a seus consumidores um ponto de vista que lhes permita escolher uma posição. Mas com a visível regressão cultural que a maioria dos povos está demonstrando, fica realmente difícil colocar as opções na mesa de maneira limpa. Ao menos é assim que eu percebo os noticiários atuais, as publicações semanais e os jornais diários. Filtrar aquilo que interessa no extenso mar de informações que hoje nos é oferecido é tarefa complicada. E sempre tenho a sensação de que querem me vender algo que não deveriam.

domingo, 9 de março de 2008

Motoboys: uma maldição

Não é novidade pra ninguém que o momento econômico que o mundo vive atualmente é algo fantástico. Muitas das economias que há dez anos pegavam pneumonia a cada espirro nas finanças norte-americanas estão hoje vacinadas e bem nutridas a ponto de conseguir sobreviver muito bem durante crises.

No Brasil isso só foi possível graças aos ajustes que foram feitos de maneira lenta e gradativa. Quem acompanhou e ainda lembra alguma coisa de 1998 para cá, sabe que esses ajustes foram feitos mais nas coxas do que de maneira planejada. Ainda assim, demos sorte e o vôo econômico iniciado na era Itamar, quando do lançamento do Plano Real, está em velocidade de cruzeiro e o horizonte apresenta-se estável, com pancadas e turbulências passageiras. Ao menos é o que parece.

Um dos reflexos positivos atuais é o quanto o país cresceu no ano passado e o aumento dos níveis de emprego, principalmente aqueles que exigem baixa escolaridade. Isso levou uma fatia maior de brasileiros às compras, aproveitando a bonança e o crédito facilitado. E viva o carnê das Casas Bahia!

Porém, apesar dos benefícios, existe um lado negativo, que pode ser sentido principalmente por aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Esse aumento do consumo por parte de uma fatia menos esclarecida e educada da população representa um problema sério, tanto para o meio ambiente quanto para a segurança e saúde da população em geral.

Um exemplo disso está na facilidade em adquirir hoje uma moto. Qualquer Zé Ninguém consegue hoje juntar meia dúzia de Reais, parcelar uma CG-125 e se tornar motoboy. Basta percorrer alguns trechos de asfalto que logo você percebe uma horda de motoqueiros avançando pelos corredores da via. Não é justo colocar todos os motoqueiros no mesmo balaio e rotular como idiotas, mas a grande maioria é.

E parece que eles têm um figurino típico. Primeiro: compram aqueles capacetes com adesivos tribais e, sob esse capacete, usam um boné virado ao contrário. Segundo: colocam um guidão um terço menor que o original para não esbarrarem nos espelhos retrovisores. A indumentária geral é uma calça jeans de quinta categoria e tênis XXL. Mas “mano” impossível.

Como esses imbecis sabem que conseguem se esquivar no meio dos carros, não se incomodam em sair como doidos pelo corredor. E ai daquele motorista que resolver encrencar: é pé no retrovisor e foda-se.

Em resumo: além de tornar o trânsito em vias públicas um caos maior do que o já existente, os motoboys sabem que dificilmente serão punidos por suas manobras ousadas ou pelos conflitos que eles resolvem unilateralmente ao detonar seu retrovisor.

Solução simplória para o caso? Claro que eu tenho! Aumentar os impostos para as motos (medida no início do ano que causou fúria nos motoboys mais conhecidos do Brasil, em São Paulo) e dificultar ao máximo o exame para carteira de motorista – tanto de moto quanto de carro. Sim, pois a compra de carros hoje está relativamente fácil. Taí a indústria automotiva rindo à toa que não me deixa mentir.

Solução civilizada para o caso? Oras, fazer a legislação ser cumprida. Nosso código de trânsito não é tão ruim, o problema é a certeza da impunidade, que diminui no cidadão a vontade de cumprir o que se pede no papel.

Em tempo: não escrevi o texto acima baseado apenas em ódio gratuito aos ignorantes do trânsito, mas isso não quer dizer que andei perdendo retrovisor por culpa de um motoboy. Mas sinto que isso, a cada dia que passa, é questão de tempo.

domingo, 2 de março de 2008

Normalizando aos poucos

No post passado eu fiz um mea culpa bem safado, só pra não ficar sem publicar nada por muito tempo. A explicação para isso é o fato de que estamos (eu e minha noiva) montando nosso apartamento, o que tira muito do meu tempo livre. Essa é a razão pela qual eu não esculachei o filme Eu Sou a Lenda, que começa bem mas termina sem pé nem cabeça; não fiz nenhum comentário nem coloquei ótimos vídeos relacionados à farra do cartão corporativo que estão circulando pela internet; deixei de comentar muita coisa sobre quadrinhos; não critiquei os imbecis politicamente corretos que estão deturpando letras de antigas canções de roda; estou deixando passar muita coisa que acontece no meu dia-a-dia e não consegui escrever sobre a minha maior paixão (depois da Renata, claro): pôquer. Percebi que nunca, desde que comecei a blogar, escrevi sobre isso.

Porém, como estamos em fase final de acabamento do apê, logo a normalização do Buraco será total e teremos muita coisa pra comentar. Posso garantir uma coisa: se o lar de um homem é o seu castelo, o nosso está ficando digno de verdadeiros reis. Se vocês forem bonzinhos, quem sabe eu não coloque uma ou duas fotos do nosso lar, doce lar.