Se vivêssemos em uma cultura similar à islâmica em termos de defesa dos cânones quadrinhísticos ou nérdicos, eu seria condenado à morte pelo que vou escrever a seguir.
Não é de hoje que esse senhor é enaltecido por ser uma das maiores figuras da ilustração nos quadrinhos dos últimos tempos e por seu estilo inconfundível. Sua acensão nos quadrinhos aconteceu depois do lançamento de Marvels, há mais de 10 anos, e se consolidou com Reino do Amanhã.
Realmente as histórias que Alex Ross ilustra beiram a perfeição e sua obsessão por detalhes nas pinturas é algo que agrega muito às histórias que ele desenha. Porém, segundo os experts, ele é uma mala sem alça e que, devido à veneração que os fãs têm por seu trabalho, acredita piamente poder se dar ao luxo de esnobar esses mesmos fãs nas convenções de quadrinhos América do Norte afora.
Foi quando soube desse traço negativo da personalidade do sr. Ross que comecei a ser mais crítico com suas obras. Basicamente existem duas características artísticas dele que me incomodam: a saturação das cores de suas pinturas, sempre com cara de envelhecidas, com baixo contraste; e a mania besta de fazer as máscaras do Batman e do Flash completamente erradas.
Em relação às cores, ele poderia deixar efetivamente mais realistas como fazia no inícoi da carreira. Geralmente os artistas evoluem suas capacidades, mas eu não vejo isso nos materiais recentes do sr. Ross.
Quanto às máscaras do Batman e do Flash, basta levar em consideração que a arte de Alex Ross é elogiada pelo foto-realismo empregado. Muito bem, se fosse assim, as máscaras de ambos remeteriam àquelas utilizadas nos filmes (caso do Batman) e no seriado (caso do Flash).
A máscara do Batman, por exemplo, parece ser confecionada com a mesma borracha utilizada em luvas cirúrgicas de látex, o que explicaria o cenho franzido tão perfeitamente desenhado debaixo de uma máscara que deveria, além de esconder a identidade civil do herói, ser uma proteção contra ataques.
Já a máscara do Flash parece ter sido feita por uma criança e nem de longe seu uniforme lembra um dos melhores já construídos para uma adaptação live-action, ficando superior até ao uniforme do Homem-Aranha, em minha humilde opinião. Quem assistiu ao seriado dos anos 90 sabe que é verdade.
Outra coisa que incomoda, mas nem tanto, é a preferência desse desenhista pela fase pré-Crise, quando ilustra personagens da DC. Eu era muito pequeno e não acompanhava quadrinhos de super-heróis até 1990/91, por isso não tenho condições de afirmar se aquilo que existia antes do trabalho primoroso de Marv Wolfman e George Pérez era tão bom quanto o sr. Ross defende. Ainda assim, quando ele resolve incorporar elementos pré-Crise em suas ilustrações, o faz de maneira não-ofensiva e, justamente por isso, passa desapercebido na maioria das vezes.
Assim, peço aos defensores e fãs ferrenhos do sr. Ross que me poupem de um apedrejamento sumário e arbitrário, defendendo seu ídolo de maneira coerente e com bons argumentos. Para ajudar na minha defesa, coloco abaixo algumas ilustrações que corroboram com minha opinião.




As imagens acima ilustram apenas a questão da máscara do Batman, mas pegue suas edições de Marvels, Reino do Amanhã e outras publicações ilustradas pelo sr. Ross e compare as diferenças. Note que a máscara do Robin vermelho é muito parecida com a máscara utilizada no filme Batman, de Tim Burton. Repare também nas rugas da testa do Batman desenhado para a capa da Wizard. Na minha opinião Alex Ross já foi muito melhor...