Você, nos dias de sua infância, foi iludido, enganado. Tudo fazia crer que quando você chegasse à vida adulta muito daquilo que via passando no mundo seria feito de maneira prática e rápida quando crescesse. Você teria menos trabalho e mais tempo para o lazer.
Pois é, hoje você está formado, com um emprego que te suga mais do que te devolve e seu tempo livre está sendo menos proveitoso do que você gostaria. O advento do PC e a evolução da internet diminuiu muito o tamanho do mundo, a ponto de todas as suas tarefas necessitarem planejamento prévio, de médio a longo prazo. Ou pior: tudo que te pedem para ser feito é para ontem.
O ano 2000 chegou e com ele não veio o mundo dos Jetsons. Que droga... Os carros não voam, os robôs não fazem todas as atividades domésticas, a poluição e os trabalhos extenuantes não foram riscados do mapa e adicione à lista aquilo que você queria que o século XXI tivesse trazido, mas não o fez.
Menor ficou o tempo para si próprio. Agora só se deve pensar em terminar a faculdade (na qual você adentrou quando tinha seus 17 anos), engatar um MBA, fazer cursos e mais cursos de aperfeiçoamento profissional, realizar trabalhos voluntários e, ainda por cima, ser bom namorado (marido, esposa, companheiro(a) etc.), ser um bom pai/mãe, ser um vizinho simpático e querido no condomínio e por aí vai.
Tá complicado mesmo saber qual é nosso papel nesse mundo cada vez mais veloz, mas não dá tempo pra ficar choramingando. A avalanche de pessoas que não se importam com tudo isso que expus aí em cima te atropela sem compaixão. O negócio é ter, ter, ter. Consuma tudo que a mídia televisiva, impressa e que está no banner desse site te oferece. Esqueça os valores fundamentais, que realmente te fazem feliz. Seja, enfim, a única coisa que você não sonhava para o seu futuro quando era uma criança: uma máquina.
Belo texto..
ResponderExcluirpior é quando vc acha que está fazendo a coisa certa, ou seja, pensando mais na vida, tentanto aproveita-la e etc e no final percebe que foi ou está sendo inútil..
É uma pena...
Abracao
Somos tão estranho assim? Estou sempre me questionando sobre estas mesmas coisas: por que somos jogados nesta disputa feroz pelo topo? Há espaço para todos por lá? Se não houver, ou se não o alcançarmos, somos menos dignos?
ResponderExcluirAcho que estamos experimentando uma volta aos tempos de glórias dos yuppies. Eles, pelo menos, eram até divertidos em sua arrogância insuportável. Agora, fica todo mundo arrotando chavões hipócritas sobre qualidade de vida, quando, na verdade, o que importa é o mesmo de antes: ficar milionário antes dos 30.
Pare o mundo, que eu quero descer!
Sérgio, o mais complicado é saber quando nossas ações estão sendo úteis ou não na nossa busca por felicidade. A grande questão é essa, mas os aproveitadores de plantão estarão sempre colocando à disposição de incautos fórmulas para o alcance desse prêmio mítico.
ResponderExcluirMarlo, não tinha me tocado da influência yuppie nessa história toda. Muito bem lembrado e a colocação sobre a existência de lugar para todos no topo deveria estar em pauta tanto quanto a busca pelo mesmo. Isso é um ótimo ponto de partida para um próximo post.
Abraços!