segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

Em um mundo perfeito...

Amigos próximos sabem que o título desse post é como um bordão que criei. Que eu sou saudosista muitos dos leitores (se é que alguém ainda lê isso aqui) sabem que sou. Um dos momentos do cinema que mais me marcou foi o diálogo entre o personagem de Tom Hanks no filme À Espera de Um Milagre com o indígena que seria eletrocutado, onde este pergunta para o oficial Edgecomb como seria o Paraíso, se seria como voltar à época de sua vida quando foi mais feliz e ele relembra esses momentos. Gostaria muito que isso fosse verdade. Mas se não for, paciência. A única coisa que vou pedir para Deus quando eu vestir o pijama de madeira é que eu possa dar uma conferida nos "melhores momentos" da minha vida. E se possível fazer um "E Se..." em alguns instantes, bons ou maus, só para ver onde eu teria parado.

Mas como não estou aqui para falar de ressurreição nem de espiritualidade e afins, vamos ao mote que me levou a escrever hoje.

Uma das coisas que é mais cruel com os artistas e atletas chama-se "Tempo". Ele faz com que a viçosidade da juventude se esvaia e algumas pessoas não saibam para onde ela foi. De forma tal que sua produção sofra declínio, quando os mesmos não sabem administrar o sucesso. Existem uns poucos que conseguem se manter no topo, mesmo com a inexorabilidade do tempo arrastando sua vida para o fim.


O caso é que algumas pessoas, que se tornaram famosas por seus feitos positivos, deveriam permanecer congeladas no tempo de seu auge. Dentre diversos que poderiam ser citados, fico com:


Freddie Mercury


Ele era simplesmente "O Cara". Não conheço, ou admiro, nenhum líder de bandas de rock que consiga ser tão emblemático, carismático e único como Freddie. Definitivamente ele deveria ter parado com a idade que tinha quando veio para o Brasil, durante o Rock In Rio I. Apesar do Queen não possuir mais a mesma qualidade dos trabalhos da década anterior, ela é considerada, com justiça, a maior banda de todos os tempos. Bem, seria injusto que apenas Freddie congelasse no tempo. O certo seria extender o privilégio para os demais membros, fazendo com que permanecessem com o potencial de seu melhor momento, mas sem deixar de produzir pérolas como Flash, Under Pressure, Crazy Little Thing Called Love etc.


Seleção Brasileira de 1982


É injusto demais ter visto a maior Seleção de todos os tempos ter perdido aquela Copa. Eles mereciam viver para sempre jogando aquele futebol mágico que encantou a todos os admiradores do esporte. Apesar de parecer que jogavam em câmera lenta, se compararmos o estilo daquela época com o atual, seria muito interessante que os novos jogadores se espelhassem nesses ídolos da bola, e não em Edmundo e Romário, como aconteceu com uma geração inteira.


Marlon Brando


Não que o fato de envelhecer tenha tirado dele a excelência em interpretar qualquer papel, mas o fato é que ele deveria ser imortal. Nunca teremos ninguém capaz de repetir um Don Corleone tão perfeito ou um senhor de terceira idade reconquistando sua mulher de maneira tão delicada e intensa quanto ele no cinema.

Sophia Loren

Rapaz, quem viu essa senhora em imagens dos seus áureos tempos de cinema sabe muito bem do que estou falando. Junto com Sophia, vale colocar Elizabeth Taylor, Ava Gardner, Gina Lolobrigida entre outras, que deveriam servir de "molde genético" para uma eventual futura geração de meninas que venham a ser geradas in vitro. Soou meio nazista, né? Mas imagine se toda a feiúra do mundo fosse substituída pela beleza impecável dessas mulheres...


Mussum e Zacarias


Nunca integrantes de um grupo fizeram tanta falta quanto esses dois. A maneira ingênua e politicamente incorreta de fazer humor dos Trapalhões provavelmente só existia porque esses dois estavam presentes para manter o espírito anarquista de Renato Aragão, que se tornou um chato desfigurado por plásticas demais. Assim como o Queen, Os Trapalhões deveriam ser mantidos como em seu ápice, durante os anos 80, quando assistir TV aberta no domingo ainda era divertido.


Beatles e Rolling Stones


Não podemos afirmar se os Beatles teriam tantos altos e baixos quanto seus "primos" Stones tiveram em todos esses anos de carreira. O fato é que eles, se ainda hoje guardassem seus vinte e poucos anos e toda a vontade de mudar o mundo como na época de seus grandes sucessos, teríamos mais rock e menos emos espalhados pelo mundo.


Elvis Presley


Falar em rock e não falar do rei seria heresia. Que Elvis merecia permanecer com o físico e carisma da época do Seresteiro de Acapulco seria premiar a todos os fãs desse grande artista, que morreu de forma um tanto quanto patética, como uma sombra de si mesmo. Prova disso é a quantidade de Elvis gordos que vemos por aí quando querem "homenageá-lo".


Ayrton Senna


Seu único defeito era ser corintiano. Ainda assim essa "falha de caráter" pode ser perdoada por tudo que ele representou para o automobilismo mundial. Segundo um fã do esporte, que acompanhou o último GP do Brasil com direito a entrar nos boxes e tudo mais que sua credencial permitisse, contou que desde sua morte, o adesivo com seu "S" característico está em todos os carros da Willians, colado no bico, para que independente de quem esteja pilotando, "O Campeão" chegue sempre na frente. Ou seja, nem o mega campeão Schumacher conseguirá chegar antes de Senna em sua futura fase na escuderia.

A lista vai longe, pois artistas e esportistas - e pasmem, até políticos geniais - existem, existiram e existirão aos montes e você pode ou não concordar comigo. Porém, "Em um mundo perfeito", essas pessoas jamais perderiam aquilo de melhor que as tornou especiais para o resto da humanidade, nem seríamos privados da sua convivência.

2 comentários:

  1. Cara, assino embaixo do Queen e dos Trapalhões falecidos (e de alguns outros, também). Os caras eram fenomenais. Não há crooner como o Freddy.

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  2. Rodrigo, adoro seus posts. Fazia muito tempo que não os lia, mas vejo que continuam ótimos. Concordo, com lágrimas nos olhos, com todos os comentários deste post.

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