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domingo, 6 de abril de 2008

Radio Ga Ga

Volta e meia, quando o Marlo escreve posts musicais no Catapop! sinto uma pontinha de inveja pelo fato dele ainda ter paciência em garimpar bandas e cantores interessantes no emaranhado musical que nos cerca.

De certa forma agora retomei sem querer essa capacidade. Há alguns meses, 2 ou 3 – não sei ao certo – fui tomado de surpresa pela mudança radical que aconteceu com algumas rádios aqui de Curitiba. A maior delas foi a saída da Globo FM, que ficou no ar pouco menos de um ano, e sua substituição pela Mundo Livre FM.

A Globo FM, para aqueles que não a conheciam (ou conhecem, pois ainda é possível sintonizá-la em algumas cidades brasileiras) é uma rádio voltada para o pop mais conhecido, principalmente músicas dos anos 80 e 90, com fartas doses de artistas que marcaram e marcam presença nas trilhas sonoras de novelas globais.

A surpresa pela saída da Globo e entrada da Mundo Livre começa pela programação musical. A Mundo Livre raramente toca algo comercial, sempre tem coisa diferente rolando, ainda que não seja algo novo. E o melhor: não se fixa em tocar músicas em português e inglês. Volta e meia você pega algo em francês, árabe e espanhol, para ficar em alguns exemplos. E o que chama atenção: a Mundo Livre FM pertence à Rede RPC, afiliada do Sistema Globo de rádio e TV. Isso representa algo inusitado, pois teoricamente o lucro viria mais rápido se a rádio mantivesse seu foco no puro pop.

Porém a Mundo Livre não é pioneira no sentido de colocar sonoridades diferentes no ar. A Lúmen FM vem a alguns anos promovendo uma farra musical para aqueles que têm sede de novidades ou sons fora do sistemão pop. Comecei a escutar essa rádio com maior freqüência no trabalho, quando a necessidade cada vez maior de poupar meus ouvidos contra as músicas das rádios comerciais cresceu. Não dava mais para aturar as músicas padronizadas que tocam nas Transaméricas e Jovens Pan da vida. Principalmente quando essas rádios insistem em enfiar orelha adentro a mesma música 4 ou 5 vezes no mesmo dia, 7 dias por semana.

Um belo dia, tomado por uma irritação visível, mudei o dial e coloquei na Lúmen pois já havia ouvido a mesma algumas vezes, mas nunca com assiduidade. Por sorte a maioria do pessoal no escritório gostou da mudança e mantemos o rádio sintonizado nessa emissora durante a maior parte do dia.

Percebendo que estava perdendo terreno, a única rádio preocupada em tocar rock em Curitiba (não por acaso chamada 91Rock) saiu do marasmo em que se encontrava. Parou de tocar porcarias emo e afins para voltar a surpreender com programas mais interessantes, voltados não apenas a uma tribo musical. Com essa mudança, claro que os ouvintes saíram ganhando. E dessa forma sempre surge algo que te faz pensar em anotar o nome de uma ou outra banda para quem sabe conhecer melhor seu trabalho.

Agora a inveja que eu tinha do Marlo diminuiu um bocado. Mas a preguiça de anotar os nomes das bandas e intérpretes que chamam atenção é o novo obstáculo a ser superado.

Porém isso não quer dizer que abandonei completamente as rádios comerciais. Como às vezes algumas músicas dessas rádios que citei são meio enjoadas de ouvir, mando ver nas tradicionais rádios que tocam velharias. Aquelas que nossos pais ouviam quando éramos pequenos e achávamos rádio de gente velha. Percebe-se que se está ficando velho quando as músicas da sua adolescência tocam nessas rádios, mas isso é assunto para outra conversa...