Já parou pra fazer as contas de quanto tempo você usou da sua vida estudando? Não falo em números absolutos, com estatísticas e minúcias, mas de maneira geral. Vamos fazer esse exercício agora, mas tomarei como base um exemplo genérico, pois não faço idéia se você é uma pessoal genial, que cumpriu todas as etapas da escola, do Jardim I até a faculdade, sem reprovar nenhum ano. Mas o cálculo, por mais superficial que seja, só irá servir pra eu exorcizar algo que vem me incomodando. Ah, também não usarei a atual denominação dos níveis educacionais pelos quais passamos, pois esse negócio de Ensino Fundamental, Médio etc surgiu recentemente, quando a maioria dos leitores aqui já estavam formados ou em vias de se formar.
Vamos começar com o 1o. Grau. Só aqui foram 8 anos da sua vida, onde você teve tempo para imaginar quais seriam as profissões mais interessantes para ingressar. Se você se decidiu por alguma que oferecia algum curso técnico no 2o. Grau e achou interessante ingressar num CEFET da vida (como foi meu caso) você passou 4 anos estudando. Do contrário, foram os 3 normais. Como a parcela de pessoas que fez curso técnico é relativamente menor, tomemos os 3 anos. Então, temos 11 anos dedicados a adquirir conhecimento. Supondo que você, já no 3o. ano do 2o. Grau, decidiu o que faria de faculdade e tenha passado no vestibular sem precisar de um 4o. ano fazendo cursinho, e que sua faculdade seja de 4 anos, temos um total de 15 anos estudando. Cabe aqui dar os parabéns, pois quem entra na faculdade faz parte de uma elite, pois sabe-se que poucos são os alunos que terminam com um diploma de curso superior a jornada de estudos.
E aqui começa todo o problema. Dificilmente, em qualquer etapa da sua vida estudantil, você foi preparado para ser um empreendedor, o dono do seu próprio negócio. Você estava sendo formado para ser empregado de alguém. Justamente por isso você se preocupou quando estava para se formar e ainda não tinha conseguido emprego. De repente você foi um afortunado, que conseguiu ser efetivado em alguma empresa antes mesmo de pegar o canudo, tudo bem, casos como esse acontecem. Mas ainda assim, você não passava de um mero funcionário.
Essa é a realidade brasileira, onde raros alunos de graduação saem com idéias de abrir o próprio negócio e o fazem efetivamente. A maioria aceita o fato de trabalhar pra alguém, de preferência uma grande empresa multinacional, com os mais variados benefícios e tal. Agora, caso o infeliz do graduado não tenha conseguido colocação no mercado de trabalho, qual é o rumo que ele deve tomar?
A resposta: estudar para passar em concurso. Trabalhar como funcionário público, sabendo que o emprego terá estabilidade, que o pagamento provavelmente chegará no dia indicado e que sua carreira tenderá à mediocridade, salvo algumas excessões. A não ser que você seja uma pessoa qaue goste de acomodação, trabalhar no Estado não deveria estar entre suas opções. Ao menos não da maneira como acontece hoje em dia, pois muitas carreiras públicas não oferecem estímulos para aumentar a produtividade, não oferecem um plano de carreira para favorecer os bons funcionários, se sua produção for 10 e a de seu colega de repartição for 2, não haverá prêmio para você ou punição para ele. Enfim, sua vidinha seguirá numa rotina que só verá alguma tensão mais preocupante às vésperas de eleições, onde as cabeças da chefia podem rolar e provocar mudanças no seu setor, mudanças essas que nem sempre são boas ou ruins, pois os cargos públicos são assim mesmo. Hoje você pode ter sido nomeado diretor da agência onde trabalha, amanhã, mudando o governo, você volta para seu cargo anterior. Ou pior, teu chefe não vai com a tua cara e te muda de cidade. Enfim, existem tantos pontos positivos e negativos quanto uma carreira convencional.
Porém, em uma carreira convencional, onde se tenta ser o dono do próprio negócio, você corre o risco de ver o seu serviço reconhecido, poder aumentar o seu quadro de funcionários, se matar de trabalhar, mas para você mesmo, sabendo dos benefícios.
Ainda assim, eu preferiria me dedicar ao meu próprio negócio do que me matar de estudar pra passar em um concurso, ser subordinado a um imbecil e ter que aturar isso em nome da tal “estabilidade”.