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quinta-feira, 26 de julho de 2007

Transformers - com spoilers



Depois do trauma causado por Homem Aranha 3, aquela bomba escondida sob um "filme", resolvi que era hora de voltar aos cinemas. A maldição do terceiro filme me fez passar longe de Piratas do Caribe e Shrek. Assisti-los-ei em casa, com direito a pausa na hora que for conveniente e comendo pipoca feita por mim, que é muito melhor do que a vendida nos cinemas. Em termos de culinária acabam aí meus méritos, mas isso não interessa no momento.

O importante é comentar o filme do intragável Michael Bay. Infelizmente ele continua sendo um diretor que privilegia apenas UM aspecto nas histórias que conta: os efeitos especiais de destruição. Essa "resenha" poderá ser melhor aproveitada caso você já tenha assistido Transformers.

O filme começa surpreendentemente bem, com um ritmo divertido, bem estilo pipocão e valendo o ingresso. O primeiro ataque dos Decepticons, realizado por Blackout na base do Qatar, é de cair o queixo. O ataque de Scorponok aos sobreviventes da base norte-americana perde um pouco o ritmo, mas ainda assim o filme se mantém interessante.

Enquanto isso, nos EUA, vemos as peripécias de Sam Witwicky para conseguir seu primeiro carro. Aqui as piadas são bobinhas, mas divertidas, a atuação de Shia LaBeouf (eita nomezinho desgraçado, viu) mata a pau, a presença de Megan Fox durante o filme todo só servirá de colírio - mas que colírio - e a expectativa em relação à primeira aparição dos robozões não chega a ser cansativa. A primeira aparição de Bumblebee no mercado de carros usados garante muitas risadas para quem está na sala de exibição. Há uma razão para que o robô faça todo o esforço para ser comprado por Sam, mas esse spoiler prefiro não comentar. Já nesse ponto percebe-se que LaBeouf está totalmente à vontade em seu papel e que os elogios ao guri são totalmente cabíveis.

Após conseguir ser "comprado" por Sam, Bumblebee vai para um local afastado a fim de continuar sua missão, mas não sem ser perseguido por Sam, que chamou a polícia, achando que estavam roubando seu precioso carro. Chegando a esse local, vemos Bumblebee em sua forma robótica, enviar um "batsinal" para o espaço, chamando outros Autobots.
Nesse meio tempo, uma nova tentativa dos Decepticons em obter dados sobre o Projeto Homem de Gelo acontece em pleno ar, abordo do Força Aérea Um, pelo Smeagol dos robôs - Frenzy. Impossível não notar a semelhança entre o fanático pelo Um Anel e os resmungos de Frenzy.
A chegada de Optimus Prime e cia. mostra "como e porque" eles assumem formas de veículos (dá-lhe GM, numa das melhores jogadas de marketing cinematográfico do ano) e tudo até aí faz com que você ache que o melhor do filme está por vir.

É aí que Michael Bay te quebra as pernas. O roteiro, que antes era fraquinho, vira uma porcaria. Surge a agência secreta Setor 7, que ficaria menos ridícula se fosse uma paródia assumida dos MiB. O envolvimento dos militares na história tira todo o ritmo do filme, que começa a se arrastar. Os furos do roteiro, antes perdoáveis, tomam contornos irritantes. Um robô de Cybertron pode viagar nas temperaturas absurdamente baixas do espaço sideral numa boa, mas se cair no Círculo Polar Ártico, finou-se. Vai virar picolé e pode ser subjugado.

O mapa para encontrar o artefato que causa a vinda dos Transformers para a Terra foi impresso nos óculos do tataravô de Sam, que encontrou o picolé Megatron em sua expedição ao Ártico no século XIX. Esse cubo, chamado de Allsparks, já está em nosso planeta há milênios, mas só os poderosos e onipresentes EUA puderam garantir sua guarda a salvo de outros povos. Allsparks têm o poder de conferir vida a objetos inanimados, especificamente transforma em Gremlims eletrônicos todo e qualquer artefato eletro-mecânico. Nota-se aí um pouco da influência de Spielberg no filme. Se ele tivesse assumido a direção, talvez as derrapadas do roteiro fossem menos sentidas.

Quando descobre-se a conexão dos robôs com o cubo, decide-se levar esse artefato até uma cidade (sabe-se lá o motivo) para que Megatron e seus Decepticons não se apossem do dito. E é aí que Bay começa o espetáculo que enche olhos e ouvidos. Destruição e mais destruição em efeitos que nos fazem esquecer por alguns momentos o quão ruim é a história do meio até aqui.

Claro que os mocinhos vencem, Optimus Prime faz um discurso pra lá de piegas e todos vivem felizes para sempre. Felizmente somos poupados de uma cena com a bandeira norte-americana tremulando ao pôr-do-sol, mas não de um possível gancho para uma seqüência. Sabendo que o filme está arrecadando horrores mundo afora, em breve deve sair notícia de Transformers 2 por aí.

Sabendo esse pouco sobre o filme, você me pergunta: - Quanto vale o show?

Resposta: Vale quanto pesa. O ingresso se justifica se você era uma criança feliz na década de 80 e naquela época queria muito ver seus personagens criarem vida no cinema. Como os efeitos eram limitadíssimos naquele tempo, aceita-se o filme feito hoje. E que nos deixa com vontade de comprar pelo menos uma miniatura de um dos robôs. Malditos engravatados...

Nota: 6,5 (Seria nota 10 se o filme acabasse na primeira hora de projeção)