Lançada no Brasil em dezembro de 1990, essa obra densa e inquietante, onde o casamento entre a arte de Dave McKean e a loucura escrita por Grant Morrison tornou-a indispensável na gibiteca de qualquer amante de quadrinhos.Através de suas páginas somos levados a conhecer o fundador da instituição, Amadeus Arkham, e o que o levou a transformar a mansão de sua família no principal asilo para tratamento de criminosos psicologicamente perturbados em Gotham City.
Interligada à origem do Asilo, Morrison nos conduz a uma das piores experiências vividas pelo Homem Morcego, em meio a uma rebelião no asilo comandada pelo Coringa, onde a única exigência feita pelos internos para que não ocorra uma carnificina é a presença de Batman, e este se vê obrigado a confrontar sua própria insanidade.
Entre flashbacks sobre a vida de Amadeus Arkham, a situação criada pelos criminosos amotinados e citações da obra de Lewis Carrol, percebe-se que é possível criar uma história de super-herói onde a ação não se torna imprescindível. Aqui o importante é a dissecação da personalidade de um personagem de ficção, cuja mitologia está fortemente enraizada na cultura popular mundial.
A cena do assassinato dos pais de Bruce Wayne mais uma vez é explorada, porém não de maneira gratuita. Nas duas passagens onde o leitor é remetido a essa cena, Batman se mostra extremamente frágil, a ponto de infligir dor física em si para amenizar a dor psicológica trazida à tona pelas provocações do Coringa.
Nessa obra não vemos um Batman infalível, capaz de sobrepujar seus oponentes facilmente. Ele passa por maus momentos, sofre com suas escolhas e busca entender melhor seu papel no mundo, muito diferente do Batman atualmente retratado nas HQ's, cujo processo de "enfodecimento" pode ter sido acentuado na fase de Morrison na revista da Liga da Justiça, publicada no Brasil pela Editora Abril, sob o título de Melhores do Mundo.
Apesar de ser uma das HQ's mais discutidas por sua densidade emocional, transmitida pela arte e pelo texto, o final não me agradou. Depois de toda a condução realizada por Morrison, eu esperava por um final diferente do mostrado. Achei a saída simplista, em desacordo com o que se espera do Batman, mesmo depois deste ter passado por momentos terríveis. Não houve o triunfo da lei e da justiça, como aconteceu no final de Piada Mortal, quando Batman ouve o apelo do comissário Gordon para que o Coringa veja que um dia ruim não justifica atos insanos, que ele deve pagar por seus crimes de acordo com o sistema.
Em Asilo Arkham não há condenação do ato final da dra. Ruth Adams, que salva a vida do Homem Morcego. Batman não se reergue como um defensor da justiça, mas sim como um maníaco conivente com a insanidade apresentada pelos internos do Arkham.
Mesmo não que eu não tenha gostado do rumo final da história, não deixo de recomendá-la. É uma excelente referência sobre obras de grande qualidade nos quadrinhos.
Indispensável.
ResponderExcluirPois o que acho de mais legal em 'Asilo' é o "final"... Não o "final" mesmo, mas o "final" da edição com o perfil doentio de cada vilão (e do próprio Bruce).
ResponderExcluirFantástico! Ali Morrison já dominava a arte de 'dizer muito com tão pouco', brincando com a imaginação do leitor (vide a página inaugural de 'All-Star Superman').
Gerlande, disse pouco, mas disse tudo.
ResponderExcluirLuwig, concordo contigo. A sacada dos perfis no final da revista foi genial. Aliás, serviu também para melhor identificar os internos que participam da história, mas que eu não conhecia na época.
Tive a sorte de comprar o relançamento da Panini, já que tinha passado a edição da Abril pra frente. Espero nunca mais precisar me desfazer de itens queridos assim.
ResponderExcluirPara mim o Grant Morrison é um dos caras mais criativos e corajosos dos quadrinhos...
ResponderExcluirAcabei de comprar na Livraria Cultura os 3 TPs do Animal Man. Leitura do mês garantida