Demorou, mas vim encher os pacová de vocês com assunto mais "sério". O texto abaixo recebi por e-mail. Já na metade da leitura lembrei de um fato que ocorreu na época de faculdade.
Conivência
Autor: Equipe do site www.momento.com.br
Atualmente, as informações circulam de forma livre e célere.
Por conseqüência, é possível ter uma noção de conjunto dos valores e hábitos da humanidade.
Certas ocorrências repetem-se com tanta freqüência, nos mais diversos locais e ambientes, que chamam a atenção.
E a observação do que ocorre no mundo por vezes causa estarrecimento.
Uma das coisas que impressionam é a audácia das pessoas desonestas.
Elas parecem ter uma habilidade incomum para colocar-se nas posições mais relevantes.
Na política, na educação, nos meios jurídico e empresarial, a imprensa não cessa de apontar focos de corrupção e desonestidade.
Já é bastante ruim haver tantas pessoas desleais.
Mas o que causa estupefação é como elas assumem facilmente posições de liderança.
Ninguém consegue disfarçar sua essência por muito tempo.
Quem não possui um nível ético satisfatório evidencia isso em inúmeras oportunidades.
Ninguém se corrompe de repente.
Uma pessoa genuinamente honesta não acorda um dia disposta a apoderar-se do que não lhe pertence.
O ser humano revela suas mazelas morais ao longo do tempo.
Sendo assim, como é possível que seres viciosos tornem-se tão influentes?
Em todo e qualquer ambiente, há homens íntegros e inteligentes.
Por que esses não agem, para obstar a influência perniciosa?
À primeira vista, parece pouco caridoso evidenciar os vícios de um semelhante, para limitar sua ascensão.
Ocorre que a caridade não possui como bandeira a ingenuidade e a conivência.
Constitui equívoco imaginar que o homem bondoso deve ser tolo e falho de percepção.
A criatura íntegra e generosa procura ser um fator de progresso e bem-estar no mundo.
Mas age com critério e discernimento, não de forma piegas.
Nessa delicada questão, importa considerar o móvel da ação e quanto bem ela pode produzir.
Certamente é condenável divulgar os defeitos do próximo por malevolência, com o fito de denegri-lo.
Mas também é censurável prestigiar a comodidade de um único ser, em detrimento de inúmeros outros.
A corrupção que atinge um ambiente prejudica a todos os que se vinculam a ele.
O dinheiro público surrupiado por alguns faz falta na construção de hospitais e escolas.
O desfalque realizado em uma empresa talvez seja a causa de sua falência.
Trata-se da vantagem desonesta de uma pessoa causando a penúria de muitas outras.
A compaixão não justifica a inércia perante esse tipo de situação.
Nada há de louvável em assistir-se silenciosamente a atos desonestos que prejudicam o meio social.
Na verdade, a timidez e a acomodação dos homens íntegros favorece a preponderância dos desonestos.
Grande parcela de culpa pela corrupção que grassa no mundo se deve às pessoas honestas.
Caso estas desejassem, preponderariam.
Quando o vício for combatido, sem ódio, mas firmemente, ele encontrará pouco espaço para proliferar.
É preciso ter compaixão pelo delinqüente, mas jamais compactuar com seus atos.
Assuma, pois, sua responsabilidade perante o mundo em que você vive.
Por timidez ou preguiça de desempenhar tarefas e ocupar postos, não permita que eles caiam em mãos indignas.
A título de ostentar virtude, não simule ignorância e nem seja conivente.
O ocorrido, lá pelo ano de 1999, foram as eleições para o C.A. de Agronomia. A disputa era polarizada entre os fanáticos por Che Guevara e pelo PT e entre os alunos mais abonados da faculdade, que não tinham preocupações ideológicas.
Entre os “petistas”, havia aqueles que se sentiam na época da ditadura, que julgavam os alunos todos como “alienados” porque se importavam mais em estudar para as provas do que com a situação política do país, que julgavam necessário todo aluno da faculdade de Agronomia ser filiado a algum movimento social, só porque era assim no passado. Eram os extremistas defensores de uma causa perdida desde a queda do Muro de Berlim. E o pior, eram os chatos que quando estavam no comando do C.A., pintavam a parede do centro com a cara do Che e viviam com seus bonezinhos do MST.
Já a turma dos abonados só queria saber de usar o C.A. pra organizar festas e mais festas, campeonatos de futebol e coisas fúteis. A vida deles em nada foi difícil, estudaram nos melhores cursinhos preparatórios e, ao entrar na Federal, a maioria ganhou do papai um carro zero.
O que faltava na disputa era uma corrente moderada, que soubesse organizar politicamente o curso, sem que isso representasse o envolvimento com um partido político. Essa organização deveria servir para melhorar aquilo que os alunos e o curso em si precisavam, promover maior integração entre os alunos, quer fosse por festas, quer fosse por eventos mais direcionados a assuntos ligados à realidade da área de atuação dos futuros engenheiros agrônomos.
Eu poderia ter formado essa corrente. Nunca me considerei um extremista a ponto de achar que o socialismo vai acabar com as mazelas do mundo, tampouco um cabeça-de-vento interessado apenas em bebedeiras e festas. Só que sempre fugia desse tipo de responsabilidade. Eu sabia qual era a coisa mais correta a ser feita e, ainda assim, deixava tudo passar. Mais por preguiça do que por falta de aptidão.
E esse tipo de comportamento estou tentando aos poucos (afinal não sou de ferro) modificar. Não vou ficar aqui tecendo loas pelo meu comportamento. Nem vou ficar dizendo o que você deve ou não fazer. A única coisa importante de todo esse blablabla que coloquei aqui é: o que cada um de nós está fazendo para que a situação mude. E não precisa ser coisa grande. Perto da sua casa deve ter algo que você e/ou outras pessoas deveriam estar fazendo e está só esperando o primeiro a arregaçar as mangas para ser resolvido.
Com certeza Rodrigo...cada um de nós pode fazer um pouco e para começar votar melhor seria um bom caminho.Esses políticos que estão aí foram colocados pelo povo, nao podemos nos esquecer disso..
ResponderExcluirEu, particularmente, jah fiz muito pelos outros participando de movimento de servir, mas ainda sinto que posso fazer mais..
Abs
Sérgio, o chato é saber que tem pessoas sabendo disso e ainda fazendo de conta que não é com elas. Nessas horas eu peço muito pra Deus pra iluminar essas cabecinhas.
ResponderExcluirAbraço!