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domingo, 10 de abril de 2011

Relendo - Cavaleiro das Trevas

Como ando desatualizado no que concerne à cronologia DC (faz uns dois anos que não compro nada da linha convencional) e como não quero abandonar o hábito da leitura de quadrinhos, tirei a poeira do meu exemplar encadernado - adquirido por uma fortuna em 1994 - e reli com gosto o clássico de Frank Miller. A edição que possuo foi encontrada na Itiban, reduto de quem admira a arte dos quadrinhos e tem tudo que é difícil de encontrar em uma banca convencional, com a ilustração de capa reproduzida acima.

É curioso notar que a história se mantém interessante. Coisa de clássico, mesmo. E, na esteira de lembranças que a revista traz, me recordei de uma tarde na Gibiteca de Curitiba, quando foi feita uma leitura "com lupa" (na falta de expressão mais adequada), onde boa parte da obra foi esmiuçada e explicada para leitores novatos. Tinha muita referência que eu, mesmo hoje, não teria percebido sem as dicas que os giga-nerds passaram. Uma dela é a presença do Demolidor, em seu alter-ego, Matt Murdock. Isso se explica porque nunca dei a menor importância pra "Casa das Idéias" copiadas. Outra foi a alusão a Zorro, quando o morcegão manda ver cavalgando pelas ruas de Gotham. Existem aquelas que saltam aos olhos e não passam despercebidas por qualquer ser que conheça um pouco de cultura americana, como o nome da corrida no início da história, que homenageia o amor pelo esporte automotivo de Paul Newman, muito antes de sua morte.

Terminada a leitura, aproveitei para emendar a da continuação da história. Infelizmente na época que a Abril lançou as três edições, a nº 3 sofreu atraso na entrega nas bancas e não consegui adquirir o meu exemplar, razão pela qual não sei como diabos termina a história - puta preguiça de procurar os scans e não tive interesse em adquirir o encadernado lançado pela Panini pelo preço extorsivo que a editora carcamano pratica.

Ainda assim cabem algumas colocações:
1º - Os desenhos realmente estão tentando seguir a estética da história original, mas o uso desmedido de computação ferrou a arte de merda que ilustra a história;
2º - Ler na sequência mostra como o Miller tá gagá, pois na janela de três anos que marca o fim da primeira história para a segunda a internet estourou, assim como toda a tecnologia de informações, de pesquisa e afins, coisa que dificilmente aconteceria em um sistema de governo de exceção, como ele tenta mostrar;
3º - Fechando os olhos pros dois pontos acima e para o fato de que não li o nº 3 da série, a premissa é muito interessante, principalmente por mostrar por onde andavam os medalhões da Liga. Tivesse acontecido o lançamento na época que o Miller ainda tinha miolos, provavelmente ele teria aproveitado melhor o plot e desenvolvido uma história tão foda quanto a série original.

Ter lido o material e saber o que o velho Miller anda produzindo atualmente só reforça algo que escrevi num post, tempos atrás: aquelas pessoas que nos influenciaram com sua arte mereciam ser mantidas eternamente em seu auge...

domingo, 1 de abril de 2007

300

Depois da baita decepção com Motoqueiro Fantasma, agora a recompensa: 300. Vale a pena ir até uma sala de exibição pra assistir a esse filme, com toda a certeza. Primeiro porque não tem Nicolas Cage (o que já é uma grande coisa), segundo porque toda a parte técnica do filme é impecável e não está embasada apenas nos efeitos especiais (que foi a muleta de Motoqueiro Fantasma), terceiro porque o elenco é excelente. Além de tudo, o filme diverte sem ser pretensioso.

Não cheguei a ler a revista 300, mas isso em nada diminui a graça do filme, muito pelo contrário. Por saber que a essência da HQ está retratada de maneira fiel, não existe a preocupação de buscar a fonte para gostar do filme. Porém em alguns momentos, lá pelo meio do filme, cheguei a ficar cansado das lutas e batalhas. Uma coisa que senti falta nesse filme, que alguns membros da imprensa rotularam de neo-épico, são cenários mais ricos. Se bem que, em se tratando de um filme sobre espartanos, economizar nos cenários não deixa de ser algo coerente.

Mas uma coisa que não é economizada no filme é a violência. Desde o comecinho o espectador é apresentado ao “spartan way of life”, mostrando que o pessoalzinho da cidade grega não está ali de brincadeira. Quando o bicho pega pra valer, as batalhas são coreografadas num ritmo que só se tornou cansativo pra mim porque comecei a sentir falta de um pouco mais de conteúdo. Só porrada, porrada, porrada enche. Mas felizmente isso é algo passageiro.

Ponto máximo de diversão é quando Leônidas e Xerxes batem um papinho, onde o primeiro tem que aturar a soberba do persa, numa cena que arrancou risos da platéia por seus diálogos de duplo sentido, ao menos para as mentes mais despudoradas.

E se você é fã do Rodrigo Santoro e quer assistir ao filme apenas pela presença do moço, bom, pelas fotos do filme que circulam há tempos na internet já se pode antever que sua decepção nesse ponto pode ser grande, uma vez que o brasileiro está bem diferente da maneira como a mulherada está acostumada a vê-lo. O que as damas mais comentam ao final da sessão é sobre o excesso de “tanquinhos espartanos” em cena. Umas ficam se indagando quanto tempo de musculação foi necessário pra atingir aquele poder todo, outras afirmam que a computação gráfica fez maravilhas nos corpos dos guerreiros de Esparta e por aí vai. Enfim, elas esquecem totalmente as cabeças e membros decepados no filme, a sangria desatada das batalhas e tudo aquilo que deixou a parcela masculina da audiência satisfeita, incluindo aí a presença de Lena Headey como a Rainha Gorgo, belíssima, mesmo sem ser voluptuosa (leia-se trio bocão-peitão-bundão, que não fez falta, dada a presença da moça em cena).

Por tudo isso, diminuiu um pouco o meu receio da adaptação de Watchmen para o cinemas, nas mãos de Zach Snyder. Competência o menino demonstrou em 300, basta agora que ele siga em ascendente e nos brinde com mais um filmaço baseado em quadrinhos.