domingo, 9 de março de 2008

Motoboys: uma maldição

Não é novidade pra ninguém que o momento econômico que o mundo vive atualmente é algo fantástico. Muitas das economias que há dez anos pegavam pneumonia a cada espirro nas finanças norte-americanas estão hoje vacinadas e bem nutridas a ponto de conseguir sobreviver muito bem durante crises.

No Brasil isso só foi possível graças aos ajustes que foram feitos de maneira lenta e gradativa. Quem acompanhou e ainda lembra alguma coisa de 1998 para cá, sabe que esses ajustes foram feitos mais nas coxas do que de maneira planejada. Ainda assim, demos sorte e o vôo econômico iniciado na era Itamar, quando do lançamento do Plano Real, está em velocidade de cruzeiro e o horizonte apresenta-se estável, com pancadas e turbulências passageiras. Ao menos é o que parece.

Um dos reflexos positivos atuais é o quanto o país cresceu no ano passado e o aumento dos níveis de emprego, principalmente aqueles que exigem baixa escolaridade. Isso levou uma fatia maior de brasileiros às compras, aproveitando a bonança e o crédito facilitado. E viva o carnê das Casas Bahia!

Porém, apesar dos benefícios, existe um lado negativo, que pode ser sentido principalmente por aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Esse aumento do consumo por parte de uma fatia menos esclarecida e educada da população representa um problema sério, tanto para o meio ambiente quanto para a segurança e saúde da população em geral.

Um exemplo disso está na facilidade em adquirir hoje uma moto. Qualquer Zé Ninguém consegue hoje juntar meia dúzia de Reais, parcelar uma CG-125 e se tornar motoboy. Basta percorrer alguns trechos de asfalto que logo você percebe uma horda de motoqueiros avançando pelos corredores da via. Não é justo colocar todos os motoqueiros no mesmo balaio e rotular como idiotas, mas a grande maioria é.

E parece que eles têm um figurino típico. Primeiro: compram aqueles capacetes com adesivos tribais e, sob esse capacete, usam um boné virado ao contrário. Segundo: colocam um guidão um terço menor que o original para não esbarrarem nos espelhos retrovisores. A indumentária geral é uma calça jeans de quinta categoria e tênis XXL. Mas “mano” impossível.

Como esses imbecis sabem que conseguem se esquivar no meio dos carros, não se incomodam em sair como doidos pelo corredor. E ai daquele motorista que resolver encrencar: é pé no retrovisor e foda-se.

Em resumo: além de tornar o trânsito em vias públicas um caos maior do que o já existente, os motoboys sabem que dificilmente serão punidos por suas manobras ousadas ou pelos conflitos que eles resolvem unilateralmente ao detonar seu retrovisor.

Solução simplória para o caso? Claro que eu tenho! Aumentar os impostos para as motos (medida no início do ano que causou fúria nos motoboys mais conhecidos do Brasil, em São Paulo) e dificultar ao máximo o exame para carteira de motorista – tanto de moto quanto de carro. Sim, pois a compra de carros hoje está relativamente fácil. Taí a indústria automotiva rindo à toa que não me deixa mentir.

Solução civilizada para o caso? Oras, fazer a legislação ser cumprida. Nosso código de trânsito não é tão ruim, o problema é a certeza da impunidade, que diminui no cidadão a vontade de cumprir o que se pede no papel.

Em tempo: não escrevi o texto acima baseado apenas em ódio gratuito aos ignorantes do trânsito, mas isso não quer dizer que andei perdendo retrovisor por culpa de um motoboy. Mas sinto que isso, a cada dia que passa, é questão de tempo.

3 comentários:

  1. Em pouco tempo, "transporte coletivo" será um conceito totalmente estranho aos brasileiros. Não importa de quem é a culpa, se dos governos, da facilidade de crédito ou da publicidade, o fato é que as pessoas cada vez mais sonham em ter um carro - e não sossegam até que o tenham.

    Certos homens, infelizmente, consideram seus veículos (sejam carros ou motos) como extensões de seus pênis. É inacreditável o quanto esse povo fica "macho" quando está pilotando.

    Deixando essa questão da civilidade (ou falta dela) ao volante, resta ainda o problema da poluição e do trânsito caótico. Talvez o governo deva, sim, estudar a criação de um imposto pago pelas fábricas para compensar os efeitos nefastos da superpopulação de carros e motos nas ruas.

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  2. A indústria nunca vai aceitar pagar o pato pelos problemas causados pelo "mau uso" de seus produtos. O lobby certamente será para que o cidadão comum faça esse pagamento.

    Dizem que mais de 90% da população brasileira se preocupa com os problemas relativos ao aquecimento global. Tudo balela! E o trânsito está aí pra mostrar, em partes, isso.

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  3. Concordo em aumentar os impostos, se for o caso APENAS da cg 125...
    Tenho uma drag star, pago imposto pra caralho e NUNCA andei fazendo barbaridade no transito, assim como eu conheço muitos outros proprietarios de motos custom que amam suas motocicletas e não andam por ai como malucos...

    Abração :)

    Hulk

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