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domingo, 26 de outubro de 2008

Buenos Aires - Final

Que raio de blogueiro é esse que promete uma série de postagens e demora esse tempo todo para finalizá-la? Esse sou eu, que volta e meia fico internado em hospital, fico sem computador e/ou sem conexão com a internet.

Mas deixemos de lado as desculpas e vamos finalmente finalizar meu paseio por Buenos Aires. E farei isso da maneira mais direta possível. Parei o post anterior na nossa segunda-feira em B.A. Na terça o programa era passear pelo Jardín Japonés, pelo Parque 3 de febrero, almoçar e dar uma passadinha no MALBA. Depois disso um pouco de compras e à noite conhecer um restaurante chamado Te Mataré Ramirez. Porém com os problemas que aconteceram durante a programação - Parque 3 de febrero fechado para reformas e o MALBA fechado (isso numa terça, diferente de qualquer museu que se preze, que fecha às segundas) - modificamos a agenda.

Fizemos mais um passeio pelos shoppings da cidade, compramos algumas quinquilharias, jantamos na pizzaria Piolla, muito boa, por sinal. Mas antes do jantar eu fiz questão de passar pela loja CAMELOT. Coisa de deixar muito nerd por aqui babando e sem saber por onde começar a comprar (isso se o bolso permitir). Tiramos algumas (pouquíssimas) fotos, que estão logo abaixo. A loja em si é minúscula, mas aluga outros espaços numa galeria para poder abrigar todo o acervo. Nesse caso, para quem aprecia essas coisas (quadrinhos, filmes e séries) dá pra tirar uma tarde inteira ali que vai certamente encontrar algo inusitado.

Clique nas imagens para ampliar






Na quarta, então, fomos ao MALBA, conhecemos de perto a obra Abaporu e outras instalações interessantes, mas infelizmente não é permitido fotos nesse museu (engraçado, me parece que nem no Louvre isso é proibido...), à noite fomos ao Te Mataré Ramirez, comida de excelente qualidade, num ambiente muito sofisticado e sensual. Nossa sorte foi que a garçonete era brasileira e me salvou de comer frutos-do-mar ou frango indicando um prato delicioso, mas que não lembro o nome agora, acompanhado por um ótimo vinho. Mas lembre-se: não é porque o vinho é argetino que ele é bom. Há de se saber escolher e o critério preço nem sempre é uma boa.

Como vocês puderam perceber, passamos longe dos típicos programas de índio de turistas que vão até Buenos Aires (show de tango, visita aos túmulos de Eva Perón e de Carlos Gardel) e tivemos sorte de não cruzar com as mães da Plaza de mayo, como eu comentei anteriormente. De qualquer forma, o balanço geral sobre Buenos Aires é o seguinte: a cidade já viveu tempos melhores. Nem mesmo os bairros mais ricos, com exceção de Puerto Madero, escaparam de uma decadência facilmente visível. As opções culturais são diversas, mas nada que precise de mais de 3 dias e 4 noites na cidade para aproveitar tudo. Apesar da fama, nenhum portenho veio cantando de galo pra cima da gente.

Além disso Buenos Aires tem a vantagem de não possuir um período de alta temporada, diferente de outros destinos escolhidos para passar uma lua-de-mel, como Gramado, que só um casal infeliz vai conhecer em pleno verão, por exemplo. De qualquer forma vá para lá despido de preconceitos alimentados pela mídia. Fazendo isso você se diverte e aproveita o que a cidade tem de melhor.

Nota para a viagem? 10, mas isso porque foi minha lua-de-mel e eu estava muitíssimo bem acompanhado; do contrário um 7,5 seria mais adequado.

domingo, 21 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 2

Saindo da Plaza de Mayo, fomos em direção ao Caminito, mítico bairro portenho, berço daquela dancinha que muita gente adora falar que é tudo de bom, mas que eu acho um porre. Aí temos mais um item interessante sobre a cultura Argentina: o tango originalmente era dançado apenas por homens. Então já temos um país cuja sede do governo é uma casa “rosada” e uma dança típica, segundo os apreciadores, muito sensual e que era dançada apenas por homens... Hmmm...

Até chegarmos ao Caminito, passamos por mais alguns monumentos “interessantes” sobre a história do país, vimos ao longe uma Igreja Ortodoxa Russa e passamos ao lado do famoso estádio do Boca Juniors, La Bombonera. Não chegamos a entrar no estádio, muito menos no museu existente lá.

Enfim chegamos ao tal do Caminito, região portuária às margens do Rio da Prata. Minha impressão: se o Pelourinho fosse argentino, seria daquele jeito. Na verdade não. Mas em função da quantidade de cores utilizadas nos barracos, eu não estranharia se um argentino chegasse falando mansamente “Que pasa, mi rey...”

A imagem que eu tinha desse local era diferente da que encontrei. Imaginava mais sujo e mal cuidado. Mas foi diferente. Tudo na mais perfeita ordem (ao menos o trajeto originalmente percorrido pelos turistas, pois do ônibus deu pra perceber diversos pontos que fugiam dessa regra). Por ter sido uma parada curta, a imagem que guardamos desse local foi muito positiva. O chato era aturar aquele bando de turista da terceira idade de outras excursões se engraçando para as dançarinas de tango que circulam pelo local. Deprimente.

Saindo do Caminito seguimos em direção ao novíssimo bairro Puerto Madero, ainda na região portuária, mas a diferença entre esse bairro e o Caminito, além do valor estratosférico do metro quadrado (US$3.000,00), é o fato de ser muito mais limpo e chique. O bairro é, de longe, aquilo que se esperava de toda a cidade de Buenos Aires: limpo, bonito e seguro. Pena que essas qualidades não se aplicam à cidade como um todo, exceto pela segurança, uma vez que em raros locais nos sentimos desprotegidos, ainda que o número de moradores de rua seja grande.

Porém, antes de chegarmos a Puerto Madero, passamos por algumas favelas, que em nada devem às favelas brasileiras, exceto o fato de que seus habitantes hablam español. Mas curiosamente essas favelas lá são as “bichas”. Hmmm... Casa Rosada, tango dançado por homens, bichas como favelas. Ta dando pra entender muito bem essa proximidade que o povo gaúcho quer ter com o povo argentino.

Mas voltemos ao passeio.

Depois de Puerto Madero seguimos em direção do shopping Paseo Alcorta, no bairro Palermo, onde finalizamos o city tour e almoçamos. Foi aí onde começamos a jornada de bate-perna por Buenos Aires. Fomos verificar se havia veracidade nos rumores que ouvimos sobre os preços caros dos produtos argentinos. Sim, eram caros. Aliás, na mesma faixa de preço que seus similares brasileiros, mas com um problema: se comprados, teriam que ser trocados antes de voltarmos ao Brasil. Dessa forma, não realizamos compras de itens que poderiam gerar esse problema.

Voltamos ao hotel no final do dia, com o objetivo de manter a agenda, que para a segunda-feira previa passeio mais detalhado em Puerto Madero e jantar no Siga La Vaca e em seguida uma passada no Casino Cirsa.

Sobre o Siga La Vaca só digo uma coisa: evite. Evite porque nós ouvimos duas opiniões divergentes sobre o local, mas uma foi dita por uma pessoa que efetivamente jantou no local e nos sugeriu deixar passar a oportunidade e outra por uma pessoa que não chegou a entrar no restaurante em função da fila que havia para comer lá, ou seja, não experimentou a droga da comida oferecida e ficou mais com a imagem positiva pela situação do que com a imagem realista do restaurante. A carne é sonsa, você deve temperá-la no seu prato e, por mais que o litro de bebida individual e a sobremesa esteja incluso no preço do jantar, prefiro mil vezes o churrasco de final de semana na casa do meu pai do que aquilo que eles chamam de “autentica parrilla argentina”.

Com relação ao cassino, outra decepção. Eu imaginava o ambiente muito mais divertido do que aquilo que presenciamos. O ar dentro do local era algo tão denso que dava pra cortar com faca. Não pela fumaça dos cigarros, mas pela energia negativa que emanava das pessoas. A vantagem é que no cassino você só paga se efetivamente gastar, não há preço de entrada. Chegamos a jogar um pouco, mas nada interessante ou próximo daquilo que esperávamos. Nos restava apenas voltar para o hotel e esperar que a terça-feira fosse mais divertida.

Continua...

domingo, 14 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 1

Recém casado e recém chegado de lua-de-mel, pessoal! Posso dizer que agora o negócio aqui volta ao normal e a primeira coisa que gostaria de fazer é um relato turístico. Vejam abaixo qual foi minha impressão sobre Buenos Aires (em partes).

A Re havia pesquisado algumas informações úteis para que a viagem corresse a contento e uma das coisas que foram frisadas nas comunidades do Orkut relativas a Buenos Aires era a necessidade de fazer proteção das bagagens antes do embarque, pois diversos foram os relatos de malas cujo conteúdo fora subtraído. Não sei dizer se isso acontece nos aeroportos daqui ou nos de lá. De qualquer forma essa precaução foi tomada.

Pousamos no Aeroporto Internacional de Ezeiza por volta das 15:30 do dia 7 de setembro. Fila da imigração, carimbos nos passaporte, troca de dólares por pesos no Banco de La Nación (conforme recomendado) e o primeiro imprevisto. A agência de turismo que era responsável pela nossa viagem retirou, por motivos que não descobrimos, nossos nomes da reserva no hotel onde ficaríamos. Felizmente resolveram o problema rapidamente e nos alocaram no Hotel Principado, melhor do que o que estava programado inicialmente. Se bem que a Re não gostou muito do quarto. Pra mim, como aquilo seria apenas pra dormir, estava de bom tamanho. O importante foi que esse hotel estava muito bem localizado e ficava relativamente perto de todos os locais que tínhamos programado conhecer.

Após o check-in e subida ao quarto, fomos ao shopping Buenos Aires Design de decoração (escolha da Re) e fizemos as primeiras compras. Nesse mesmo Shopping fica o Hard Rock Café Buenos Aires, mas nem um moletonzinho básico deu vontade de levar, pois os preços estavam extorsivos. Do shopping saímos em direção ao bar Locos por el Fútbol. Comida deliciosa, experimentei uma Quilmes (muito boa, por sinal) e retorno ao hotel. Para primeiro dia, as expectativas estavam a contento, exceto pelos preços de algumas coisas, que eu imaginava ser menor. A cotação aproximada do real em relação ao peso era de aproximadamente R$ 1,00 para AR$ 1,70. Ou AR$ 1,00 = R$ 0,57. Algo por aí...

Segunda-feira estava programado um tour pela cidade. Foi o único passeio que fizemos com guia turístico e valeu para balizar se a programação criada aqui em Curitiba poderia ser seguida ou se precisava ser revista. O passeio começou pelo centro novo de Buenos Aires, área de prédios novos, sede de companhias multinacionais e algo muito sem graça, pois isso se vê em qualquer lugar do mundo, em qualquer grande cidade.

Seguimos então para a sede do poder argentino: a Casa Rosada. Antes de chegarmos à Plaza de Mayo, passamos por diversas outras, incluindo uma que relembra aos argentinos a surra que eles levaram em 1982, quando resolveram cutucar a Inglaterra com vara curta por causa daquelas ilhas onde só moram pingüins... O bacana é que foi aí que meu preconceito para com os portenhos começou a diminuir, pois a guia não passou a imagem que muitos temos dos argentinos: a de um povo babaca, que se acha pra cacete. Na verdade não vi nenhum argentino com pose de pavão, pra ser bem sincero.

A Plaza de Mayo, por motivos de controle de manifestações (que ultimamente são quase diárias em Buenos Aires), tinha cercas de metal com quase dois metros de altura. Felizmente não cruzamos com as mães da praça de maio, pois as tias só aparecem nas quintas.

Tiramos as obrigatórias fotos em frente à Casa Rosada (que na verdade não é tão rosada assim) e fomos conhecer a primeira igreja da cidade, La Catedral Metropolitana, local que em nada lembra a idade que tem, pois sua arquitetura externa não se parece com uma catedral. Nessa igreja ficam os restos mortais de Don José de San Matin, libertador da Argentina (ou seja, o D. Pedro I deles).

Continua...