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domingo, 15 de abril de 2007

Personagens em quadrinhos no cinema

Não sou leitor do que a Marvel publica há uns 10 anos. Se me dei ao trabalho de comprar um revista ali, outra aqui, da Casa das “Idéias” (ahã, idéias...) foi por causa de determinado personagem ou por curiosidade. Se não me falha a memória, a última revista da Marvel que adquiri foi a mini Origens, do Wolverine. Desde então só acompanho o que acontece com essa editora pelos sites especializados em quadrinhos.

Porém não me incomodou em nada a transposição de alguns personagens da Marvel para o cinema, salvo as excessões Demolidor, Elektra (que não me dei ao desserviço de assistir), Hulk, Quarteto Fantástico (infantil demais, mesmo para uma adaptação de quadrinhos) e a maior porcaria do corrente ano, Motoqueiro Fantasma. O sucesso das franquias X-Men e Homem-Aranha se deve em boa parte pelo carisma dos personagens e pela competência atrás das câmeras, provando que diretores que conhecem o universo dos quadrinhos podem realizar trabalhos que agradam a leigos e fanáticos.

Aproveitando que dia 4 de maio teremos a estréia do 3o. Filme do Cabeça-de-teia, registro alguns pontos: nunca fui muito com a fachada do elenco dos dois primeiros filmes, em geral. Se salvam Tia May, interpretada por Rosemary Harris; J.J. Jameson, competentemente interpretado por J.K. Simmons; Dr. Octopus, com Alfred Molina e só.

O restante do time em frente às câmeras me parece deslocado, James Franco com aquela cara de “ó vida, ó azar” quase permanente, Kirsten Dunst (uma excelente atriz) mas até onde me lembro dos gibis, Mary Jane era pra ser uma baita modelo gostosa, não uma aspirante a atriz com uma personalidade irritante. Mas a cereja do bolo fica por conta da cara de bocoió do Tobey Maguire. Em nada ele me lembra Peter Parker e só faço votos para que ele não esteja presente num eventual quarto filme da série, bem como Kirsten Dunst. Duvido que não existam pessoas melhores qualificadas para esses papéis.

Se bem que Homem-Aranha não é o único filme que me desagradou na escolha do elenco. Entendo perfeitamente a necessidade de colocar atores competentes nos papéis de destaque, evitando erros passados como a escalação de Sylvester Stallone para Juiz Dredd, Dolph Lundgren em Justiceiro e/ou Mestres do Universo (He-Man) e a heresia de colocar Keanu Reeves no papel de Constantine, para ficar só nos mais gritantes. Tá, a escalação mais gritante, bizarra e descabida seria Nicolas Cage como Superman, mas não quero gastar tempo comentando sobre esse ser.

Ainda assim não engoli direito a cara de chupa-ovo do Christian Bale como Bruce Wayne, por exemplo. Bale é um excelente ator, colocou o peso necessário no papel, mostrou de maneira soberba a dualidade do personagem, mas ele tem cara de faxineiro da WayneTech...

Preconceitos à parte, não me resta dúvida de que estamos numa era que será lembrada no futuro como a melhor em termos de adaptações. Não sei prever quanto tempo vai levar até as platéias do mundo se cansarem de super-heróis nas telonas, mas que ainda tem muita bala na agulha pra ser queimada, ah isso tem. E que a Marvel está bem mais adiantada do que a Distinta Concorrência em termos cinematográficos, também.

Mas eu acho que a DC ainda possui uma gama de personagens muito mais conhecidos e admirados pelo grande público. Ou vai me dizer que você iria ao cinema para assistir a um filme do Mercúrio invés de um filme com o Flash? É bem verdade que uma produção ruim afunda até mesmo o melhor personagem em quadrinhos de todos os tempos (né, Joel Schumacher?), mas um filme da Mulher-Maravilha tende a ser mais atraente do que um da Mulher Hulk...