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terça-feira, 8 de maio de 2007

Homem Aranha 3 - com spoilers

Se você já viu Homem Aranha 3 e gostou, me desculpe. Meu ponto de vista não é o mesmo que o seu. Se você ainda não viu e não quer saber de nada, pare por aqui. Antes de mais nada, quero deixar claro que não li nenhuma resenha a respeito do filme, por isso se algo aqui soar parecido ou igual a algo que vocês já leram, não passa de coincidência, afinal a essa altura todos os sites nerds já devem ter colocado no ar suas críticas.

Sam Raimi conseguiu pegar o pior de Homem Aranha 1 e Homem Aranha 2 e reunir em um só filme. Não há roteiro, mas uma desculpa (da mais sem vergonha e esfarrapada) pra encher o bolso do elenco. Aliás, não foi difícil notar que esse terceiro filme iria lucrar horrores, afinal os dois primeiros, mesmo com defeitos, eram divertidos, interessantes e geraram a vontade de ver o que aconteceria no próximo filme do cabeça-de-teia.

Apesar de começar bem já nos créditos, colocando a audiência a par do que aconteceu nos dois primeiros filmes, isso não se sustenta por mais do que 10 minutos. E aqui começam os spoilers para aqueles que não viram o filme.

Já de cara a chegada do “simbionte” foi idiota. Numa noite romântica, o casalzinho mais sem sal do cinema atual admira estrelinhas cadentes riscando o céu (estreladíssimo para uma cidade como Nova York), quando cai um objeto vindo do espaço (sem mais nem menos) bem próximo deles e o “sentido de aranha” do Parker nem tchum. Pior: o tal simbionte sobe no tico-tico que o nerd usa para se locomover e ele igualmente não tem seu sentido de aranha acionado. O tal simbionte entra na vidinha do herói e ele acha isso normal, não se espanta e pouco procura saber sobre o organismo estranho, que o faz aparecer dependurado numa janela do nada, com a cor preta no uniforme.

O Homem Areia poderia estar no roteiro, sem problema nenhum, se não fosse a idéia de jegue de ter sido colocado como o assassino do Tio Ben. Desnecessário esse argumento, que só serviu pra forçar uma catarse final de Peter no último pedaço do filme.

Aliás, pra que colocar 2 vilões e meio? Ou um, ou outro. Tanto o Homem Areia quanto Venom poderiam ter suas origens mais bem contadas e têm condições de levar um filme inteiro contra o amigão da vizinhança.

O meio se refere ao Duende Verde Jr, que até foi muito bem interpretado pelo normalmente fraco James Franco. Mas a “reviravolta” final dele é ridícula. Eu teria chutado a bunda do meu mordomo se ele levasse 2 anos pra contar que viu muita coisa estranha na minha casa e como meu pai morreu. Faria o desgraçado voar janela abaixo da minha opulenta cobertura, no lugar do Duendinho. Ainda mais se eu estivesse com minhas faculdades mentais alteradas pelo soro que é usado para adquirir os poderes do Duende Verde. Nem isso acontece. Harry aceita muito bem o fato e vai ajudar seu amiguinho teioso (sim, de teia, mané) a salvar a galinhazinha da MJ. Aí o filme tem um dos seus piores momentos. O simbionte chega do espaço, chamuscando pelo atrito com a atmosfera, certo? Mas como o Homem Aranha acaba com ele? Com uma das bombinhas do Duende Verde, que sofreu apenas queimaduras quando uma delas é arremessada de novo, na cena onde ele e o Aranha quebram o pau. Finalzinho besta. Mas o do Homem Areia foi pior.

Homem Areia: "Olha, eu dei azar na vida, matei seu tio porque precisava de grana pra salvar minha filhinha. Foi mal, aí. Me desculpa, Homem Aranha?"

Homem Aranha: "Tudo bem, mas não faça mais isso, porque é muito feio, viu?"

Se bobear, era esse o diálogo deles, mas alguém alertou nossos brilhantes escritores e isso foi melhorado um pouquinho. E lá se foi nosso amigo de areia voando(?????) pelos céus de Nova York.

Mas Rodrigo, por que a MJ é uma galinhazinha? Bom, em parte por culpa do namorado imbecil que ela possui. Meus parabéns, mais uma vez, aos escritores do filme, os “sensacionais” Sam Raimi, Ivan Raimi (olha o nepotismo mostrando sua nocividade) e Alvin Sargent, que fizeram de Peter Parker o homem mais imbecil e insensível da face da Terra. Beija outra mulher na presença de sua futura esposa? Corta essa! Ninguém é idiota a ponto de cometer esse absurdo. Comparar sua situação à frustração do amor da sua vida é pedir pra levar chifre. E não deu outra.

Outra coisa irritante: a fase “emo” do Parker. Que porra foi aquela? Tá certo que os emos merecem ser achincalhados e detonados, mas fazer aquilo com o Homem Aranha foi ridículo. Cenas patéticas, maquiagem patética, atuação patética. Enfim, esse trecho do filme também ficou mal retratado. Mais uma forçada de barra patrocinada pelos nossos roteiristas desmiolados.

Apesar desse roteiro imbecil e mal costurado, existem pontos positivos no filme, mas não são suficientes pra livrar o dito do fiasco. Primeiro ponto: as tomadas de ação estão entre as melhores dos filmes de superherói. Segundo ponto: J. Jonah Jameson. São poucas as cenas com ele, mas já a primeira mata a pau. As demais são menos engraçadas, mas J. K. Simmons nasceu para o papel, como eu havia dito aqui.

Porém, todavia, contudo e entretanto, tá na hora de Sam Raimi e Cia. (Tobey Maguire, Kirsten Dunst etc.) pegarem seus banquinhos e sairem de fininho da franquia Homem Aranha. Deixar outro diretor tocar os próximos filmes, com um elenco mais adequado, pode trazer novos ares ao personagem e dar mais fôlego para próximos sucessos. Ou então afundar de vez a bagaça, cometendo um “Schumachercídio” para o Homem Aranha.

Nota: 4,0 (E tô sendo gente boa)

Agora que já escrevi meu ponto de vista, vou bisbilhotar o que os outros blogueiros escreveram. Mas algo me diz que a maioria vai ser condescendente com o filme e elogiar essa porcaria. Só porque é do Homem Aranha e porque os outros dois filmes foram legais. Se fosse um filme escrito e relizado para um herói original, garanto que a crítica iria malhar muito o filme, o diretor seria execrado e a equipe técnica só iria levar louros pelo primor das cenas de ação. Mas, como cada um tem sua opinião...

Ah, sim! Antes de mais nada: Quarteto Fantástico 2 vai ser outro lixo. Só pelo trailer deu pra notar que será ainda pior do que o primeiro. Esse nem Jessica Alba salva. Já Transformers parece que vai ser um filme divertidão, mas o que estou esperando mesmo ansioso é Piratas do Caribe 3.

Cruzando os dedos pra não queimar minha língua depois de assistir a esses dois.

domingo, 15 de abril de 2007

Personagens em quadrinhos no cinema

Não sou leitor do que a Marvel publica há uns 10 anos. Se me dei ao trabalho de comprar um revista ali, outra aqui, da Casa das “Idéias” (ahã, idéias...) foi por causa de determinado personagem ou por curiosidade. Se não me falha a memória, a última revista da Marvel que adquiri foi a mini Origens, do Wolverine. Desde então só acompanho o que acontece com essa editora pelos sites especializados em quadrinhos.

Porém não me incomodou em nada a transposição de alguns personagens da Marvel para o cinema, salvo as excessões Demolidor, Elektra (que não me dei ao desserviço de assistir), Hulk, Quarteto Fantástico (infantil demais, mesmo para uma adaptação de quadrinhos) e a maior porcaria do corrente ano, Motoqueiro Fantasma. O sucesso das franquias X-Men e Homem-Aranha se deve em boa parte pelo carisma dos personagens e pela competência atrás das câmeras, provando que diretores que conhecem o universo dos quadrinhos podem realizar trabalhos que agradam a leigos e fanáticos.

Aproveitando que dia 4 de maio teremos a estréia do 3o. Filme do Cabeça-de-teia, registro alguns pontos: nunca fui muito com a fachada do elenco dos dois primeiros filmes, em geral. Se salvam Tia May, interpretada por Rosemary Harris; J.J. Jameson, competentemente interpretado por J.K. Simmons; Dr. Octopus, com Alfred Molina e só.

O restante do time em frente às câmeras me parece deslocado, James Franco com aquela cara de “ó vida, ó azar” quase permanente, Kirsten Dunst (uma excelente atriz) mas até onde me lembro dos gibis, Mary Jane era pra ser uma baita modelo gostosa, não uma aspirante a atriz com uma personalidade irritante. Mas a cereja do bolo fica por conta da cara de bocoió do Tobey Maguire. Em nada ele me lembra Peter Parker e só faço votos para que ele não esteja presente num eventual quarto filme da série, bem como Kirsten Dunst. Duvido que não existam pessoas melhores qualificadas para esses papéis.

Se bem que Homem-Aranha não é o único filme que me desagradou na escolha do elenco. Entendo perfeitamente a necessidade de colocar atores competentes nos papéis de destaque, evitando erros passados como a escalação de Sylvester Stallone para Juiz Dredd, Dolph Lundgren em Justiceiro e/ou Mestres do Universo (He-Man) e a heresia de colocar Keanu Reeves no papel de Constantine, para ficar só nos mais gritantes. Tá, a escalação mais gritante, bizarra e descabida seria Nicolas Cage como Superman, mas não quero gastar tempo comentando sobre esse ser.

Ainda assim não engoli direito a cara de chupa-ovo do Christian Bale como Bruce Wayne, por exemplo. Bale é um excelente ator, colocou o peso necessário no papel, mostrou de maneira soberba a dualidade do personagem, mas ele tem cara de faxineiro da WayneTech...

Preconceitos à parte, não me resta dúvida de que estamos numa era que será lembrada no futuro como a melhor em termos de adaptações. Não sei prever quanto tempo vai levar até as platéias do mundo se cansarem de super-heróis nas telonas, mas que ainda tem muita bala na agulha pra ser queimada, ah isso tem. E que a Marvel está bem mais adiantada do que a Distinta Concorrência em termos cinematográficos, também.

Mas eu acho que a DC ainda possui uma gama de personagens muito mais conhecidos e admirados pelo grande público. Ou vai me dizer que você iria ao cinema para assistir a um filme do Mercúrio invés de um filme com o Flash? É bem verdade que uma produção ruim afunda até mesmo o melhor personagem em quadrinhos de todos os tempos (né, Joel Schumacher?), mas um filme da Mulher-Maravilha tende a ser mais atraente do que um da Mulher Hulk...

quarta-feira, 14 de março de 2007

Motoqueiro Fantasma

Bomba. Pra mim essa é uma definição amena para o filme com a caveirinha inflamada da Marvel. A começar pela escolha equivocada do protagonista e sua ridícula peruca. Nicholas Cage deveria estar vendendo seguros, levantando paredes, consertando carros, sei lá, fazendo qualquer coisa, menos atuar em Hollywood. Vai ser péssimo ator assim nos quintos dos infernos! Mefistófeles, carregue esse cara contigo! Só sendo sobrinho de quem é para justificar sua permanência na carreira.

Apesar de ter melhorado muito em relação ao seu filme baseado em quadrinhos anterior, o chatíssimo Demolidor, Mark Steven Johnson ainda não tem a capacidade de contar decentemente uma história. O roteiro não ajuda, muito menos o elenco (com a exceção de Eva Mendes, que apesar de só está lá para encher nossos olhos, merecia muito mais tempo de exibição. Aiai...).

A tradução também peca por colocar como MOTOQUEIRO o predecessor de Johnny Blaze, mesmo que este tenha utilizado um cavalo para cumprir sua missão. Sem falar no "Segura, peão" que saiu como a tradução do já infame "Iiiiihááá!" que o herói solta em certa altura do filme.

O único ponto positivo do filme são os efeitos especiais. Definitivamente eles merecem aplausos, pois foram responsáveis pela permanência até o final do filme de boa parte da platéia. Na saída foi o comentário que mais ouvi dos que tiveram o desgosto de gastar seu dinheirinho com uma produção que tinha tudo pra ser o primeiro hit nerd do ano, mas que entra pra galeria dos piores filmes de super-herói que já assisti. Aliás, outro ponto positivo foi o trailer de 300, esse sim, já estourando lá fora e com muita bala na agulha pra fazer bonito em qualquer lugar.

Nota 3,0