terça-feira, 27 de março de 2007

O caso dos mil gols

Não sei quem ainda tem estômago pra agüentar a mídia carioca com essa folia do milésimo gol do Romário, aquele tiozinho que joga futebol há um tempão, que já foi um grande jogador, mas que é mais conhecido pela capacidade de ter sido o maior boçal do futebol brasileiro, à frente de Edmundo, Paulo Nunes e Marcelinho Carioca, exemplos de jogadores que se fossem comprados pelo que valiam e fossem revendidos pelo valor que eles julgavam ter, fariam o Real Madrid, o Barcelona e o Manchester United irem à bancarrota.

Já deu no saco ter que assistir às edições de qualquer programa esportivo da Globo, que teima em alçar o tampinha a patamares que não são dignos dele. O cara deveria ter parado de jogar há algum tempo. Teria sido mais digno do que mendigar times pelo mundo todo para conseguir a façanha que Pelé, que fez seu milésimo gol ainda no auge da carreira, jogando um bolão e, mesmo sendo o Rei do Futebol e falando "pérolas" que lhe são características, não chega a ser tão babaca quanto Romário. Aliás, babaca é o séquito de medíocres que seguem Romário.

Ainda que eu deteste futebol, sou dos saudosistas que viram excelentes atletas (Zico, Roberto Dinamite, Andrade, Leandro, Júnior, Bebeto, entre vários) em jogos memoráveis durante toda a década de 80 e início dos anos 90, jogadores que mesmo sendo estrelas não se achavam o último biscoito do pacote, serviram de inspiração para esses mesmos jogadores que citei acima, mas que não tiveram seus exemplos de caráter seguidos por esses mesmos desportistas.

Romário foi um do melhores do Brasil, sem sombra de dúvida, mas esse esforço para que ele ainda esteja na boca do povo é algo a ser lamentado.

sábado, 24 de março de 2007

Mondo Bizarro


Dia desses estava zapeando a tv e lá estava o canastrão James Woods, com a maior cara de Clodovil, no filme A Vida Desta Garota. Não teve como fugir da comparação, apesar das fotos não mostrarem bem a semelhança. Nada que uma buscazinha rápida de imagens pelo Google não resolva...

Negócio próprio, ter ou não ter?

Já parou pra fazer as contas de quanto tempo você usou da sua vida estudando? Não falo em números absolutos, com estatísticas e minúcias, mas de maneira geral. Vamos fazer esse exercício agora, mas tomarei como base um exemplo genérico, pois não faço idéia se você é uma pessoal genial, que cumpriu todas as etapas da escola, do Jardim I até a faculdade, sem reprovar nenhum ano. Mas o cálculo, por mais superficial que seja, só irá servir pra eu exorcizar algo que vem me incomodando. Ah, também não usarei a atual denominação dos níveis educacionais pelos quais passamos, pois esse negócio de Ensino Fundamental, Médio etc surgiu recentemente, quando a maioria dos leitores aqui já estavam formados ou em vias de se formar.

Vamos começar com o 1o. Grau. Só aqui foram 8 anos da sua vida, onde você teve tempo para imaginar quais seriam as profissões mais interessantes para ingressar. Se você se decidiu por alguma que oferecia algum curso técnico no 2o. Grau e achou interessante ingressar num CEFET da vida (como foi meu caso) você passou 4 anos estudando. Do contrário, foram os 3 normais. Como a parcela de pessoas que fez curso técnico é relativamente menor, tomemos os 3 anos. Então, temos 11 anos dedicados a adquirir conhecimento. Supondo que você, já no 3o. ano do 2o. Grau, decidiu o que faria de faculdade e tenha passado no vestibular sem precisar de um 4o. ano fazendo cursinho, e que sua faculdade seja de 4 anos, temos um total de 15 anos estudando. Cabe aqui dar os parabéns, pois quem entra na faculdade faz parte de uma elite, pois sabe-se que poucos são os alunos que terminam com um diploma de curso superior a jornada de estudos.

E aqui começa todo o problema. Dificilmente, em qualquer etapa da sua vida estudantil, você foi preparado para ser um empreendedor, o dono do seu próprio negócio. Você estava sendo formado para ser empregado de alguém. Justamente por isso você se preocupou quando estava para se formar e ainda não tinha conseguido emprego. De repente você foi um afortunado, que conseguiu ser efetivado em alguma empresa antes mesmo de pegar o canudo, tudo bem, casos como esse acontecem. Mas ainda assim, você não passava de um mero funcionário.

Essa é a realidade brasileira, onde raros alunos de graduação saem com idéias de abrir o próprio negócio e o fazem efetivamente. A maioria aceita o fato de trabalhar pra alguém, de preferência uma grande empresa multinacional, com os mais variados benefícios e tal. Agora, caso o infeliz do graduado não tenha conseguido colocação no mercado de trabalho, qual é o rumo que ele deve tomar?

A resposta: estudar para passar em concurso. Trabalhar como funcionário público, sabendo que o emprego terá estabilidade, que o pagamento provavelmente chegará no dia indicado e que sua carreira tenderá à mediocridade, salvo algumas excessões. A não ser que você seja uma pessoa qaue goste de acomodação, trabalhar no Estado não deveria estar entre suas opções. Ao menos não da maneira como acontece hoje em dia, pois muitas carreiras públicas não oferecem estímulos para aumentar a produtividade, não oferecem um plano de carreira para favorecer os bons funcionários, se sua produção for 10 e a de seu colega de repartição for 2, não haverá prêmio para você ou punição para ele. Enfim, sua vidinha seguirá numa rotina que só verá alguma tensão mais preocupante às vésperas de eleições, onde as cabeças da chefia podem rolar e provocar mudanças no seu setor, mudanças essas que nem sempre são boas ou ruins, pois os cargos públicos são assim mesmo. Hoje você pode ter sido nomeado diretor da agência onde trabalha, amanhã, mudando o governo, você volta para seu cargo anterior. Ou pior, teu chefe não vai com a tua cara e te muda de cidade. Enfim, existem tantos pontos positivos e negativos quanto uma carreira convencional.

Porém, em uma carreira convencional, onde se tenta ser o dono do próprio negócio, você corre o risco de ver o seu serviço reconhecido, poder aumentar o seu quadro de funcionários, se matar de trabalhar, mas para você mesmo, sabendo dos benefícios.

Ainda assim, eu preferiria me dedicar ao meu próprio negócio do que me matar de estudar pra passar em um concurso, ser subordinado a um imbecil e ter que aturar isso em nome da tal “estabilidade”.

quarta-feira, 21 de março de 2007

Séries a cabo (ou seria acabo?)

Depois de muito queimar neurônios pra encontrar um assunto e colocá-lo aqui, lembrei que eu havia pensado, semanas atrás, em comentar algumas séries da tv a cabo. As que são consagradas provavelmente não serão comentadas, como CSI e Lost. Primeiro porque CSI continua mantendo um excelente nível nos episódios e não foi à toa que deu origem a CSI: Miami e CSI: New York. Já Lost não merece comentários pela total falta de rumo da série, que não conseguiu prender minha atenção além do episódio 15, da segunda temporada. Se eu ficar sabendo que as pontas soltas foram solucionadas, provavelmente eu me darei ao trabalho de procurar os episódios seguintes ao que parei.
Começando, então, pelas que não me agradam:

The Office é uma delas. Só consegui assistir a um episódio e pra mim bastou. Não achei graça no estilo documentário adotado para narrar o dia-a-dia de um escritório. Segundo o IMDB, é recomendada para aqueles cujo chefe é um idiota. Redundâncias à parte, pois todo funcionário em algum momento considera seu chefe um idiota, talvez eu tenha dado azar no episódio ao qual assisti, mas não sei se sou capaz de dar uma segunda chance à essa porcaria estereotipada.

My Name Is Earl foi outra decepção. Transmitida pelo canal FX, bem como The Office, esta conta a história de um típico loser americano, que compra um bilhete de loteria e ganha uma bolada, mas ao ser atropelado em seguida, perde seu bilhete. No hospital, ele reflete sobre a situação e chega à conclusão de que a razão para sua má sorte é apenas uma: karma. Para reverter o seu, ele lista suas más ações do passado e passará a tentar zerá-las, reconquistando o direito de gozar uma vida mais afortunada. Apesar premissa interessante e da excelente caracterização de Jason Lee como o protagonista, não consegui achar muita graça. Porém existe a possibilidade de eu tentar assistir a outro episódio, para me certificar de que há potencial na história.

Monk, que garantiu a Tony Shalhoub nada menos do que quatro indicações consecutivas ao Emmy, das quais ele venceu 3, é outra que não me passou uma boa primeira impressão. Talvez por detestar o tipo do personagem central, que sofre de TOC (ou algo do gênero), essa série não tenha me empolgado.

No gênero animação, Family Guy, aquela que todo mundo taxa de cópia deslavada de Os Simpsons, a coisa não é favorável também. Apesar de normalmente apresentar sacadas divertidas, os personagens não tem carisma e fico admirado pela longevidade do desenho.
Definitivamente meu humor para algumas comédias anda 8 ou 80, tanto em relação à minha paciência, quanto para a sua qualidade. Por vezes eu prefiro rir de imbecilidades à la Jackass do que tentar dar uma chance a comédias cujo tipo de humor é tão raso quanto sentar num carrinho de golf e sair se arrebentando por aí. Mas pelo menos os caras no carrinho de golf não tem a pretensão de soar inteligentes.

Mas, em se tratando de futilidade, acho difícil aparecer algo do calibre de Simple Life, “estrelada” pelas intragáveis Paris Hilton e Nicole Richie, duas mega particinhas cuja cabecinha de vento serve apenas como ornamentação. Qualquer pessoa de bom senso não passa mais do que 5 minutos na frente da tv, assistindo a esse programa. Mas, em tempos onde celebridades famosas por qualquer bobagem são admiradas por uma parcela do público, não espanta um show desses estar no ar.

Mudando para o lado não tão negro da Força (aliás, não lembro de ter ouvido em nenhum dos filmes de Star Wars qual é a cor do lado oposto ao negro da Força. Que coisa mais preconceituosa):
House, que você pode assistir no Universal Channel, é a melhor série médica que já vi. Humor sem a preocupação de ser politicamente correto e um mix de situações sobre a investigação de doenças faz dessa série uma das que você TEM que assistir pelo menos uma vez.

Extras, transmitido pela HBO, é baseada no cotidiano de um ator que só consegue fazer figurações até ter seu programa lançado por uma rede de tv inglesa. Conta com participações especiais de nomes consagrados do show bizz e tem um texto inteligente, com boas doses do humor inglês que muitas vezes soa mais agradável do que o americano. Só consegui assistir a dois episódios, infelizmente, mas um deles, com a presença de David Bowie, foi excelente. Como não cultivo mais o hábito de ser fiel a nenhum programa na tv, fato que lamentei após assistir a um dos episódios, não garanto que lembrarei de acompanhar a série. Mas ela aparentemente vale a visita.

Roma, também da HBO, estreiará sua segunda temporada no Brasil a partir de 25 de março. Se eu afirmei no parágrafo anterior que não era fiel a nenhum programa de TV, esse aqui é o responsável por eu queimar a língua. A primeira temporada foi muito boa, com a reconstituição quase impecável do período histórico narrado, com um elenco afiadíssimo e um roteiro que dava gosto de ver; fatores que só aumentam a expectativa pelo retorno da série. Hoje em dia a HBO possui um dos padrões de produção mais elevados na tv, o que geralmente pode ser traduzido por satisfação garantida.

Aliás, por apresentar esse alto padrão em suas produções, uma coisa que poderia ter muito sucesso nas mãos da HBO seria a adaptação de Watchmen. Apesar de Zack Snyder ter se saído muito bem lá fora com 300, e com potencial para arrebentar por aqui também, acredito que toda a complexidade da história de Watchmen não deveria ser compactada em três horas de filme. Uma série de 12 episódios, com 2 horas cada, poderia transmitir toda a genialidade da obra, sem o comprometimento de sua qualidade na transposição de mídias. Mas isso eu comentei ano passado, na Era Dourada... Não vem ao caso agora.

Battlestar Galactica é uma série que eu não entendo a razão para a pouca atenção a ela dispensada. Mesmo sendo de ficção científica, ela não é aborrecida como Star Trek ou fantasiosa ao extremo como Star Wars (mesmo esta não sendo uma série de tv, ainda). Esta também conta com uma produção de qualidade e um time de atores que dá credibilidade às situações de cada episódio. Se você nunca teve a oportunidade de assistir, principalmente por ser exibida no TNT, mais conhecido pelos reprises de filmes em versão (argh!) dublada, passe na locadora mais próxima e se divirta com os episódios disponíveis em DVD. Se você não gostar, bem... Não posso fazer nada. Mas eu recomendo!

Apesar das resenhas safadas e da pouca variedade de séries que eu gosto e me sinto à vontade para recomendar, vale lembrar que tem muito mais coisa nos canais da tv paga. Reforçando o que eu disse linhas acima, se você não tem tv a cabo, mas gostaria de assistir a programas de qualidade, basta recorrer às prateleiras das locadoras. Alguma coisa que fará suas horas livres mais divertidas você encontrará, com certeza.

quarta-feira, 14 de março de 2007

Motoqueiro Fantasma

Bomba. Pra mim essa é uma definição amena para o filme com a caveirinha inflamada da Marvel. A começar pela escolha equivocada do protagonista e sua ridícula peruca. Nicholas Cage deveria estar vendendo seguros, levantando paredes, consertando carros, sei lá, fazendo qualquer coisa, menos atuar em Hollywood. Vai ser péssimo ator assim nos quintos dos infernos! Mefistófeles, carregue esse cara contigo! Só sendo sobrinho de quem é para justificar sua permanência na carreira.

Apesar de ter melhorado muito em relação ao seu filme baseado em quadrinhos anterior, o chatíssimo Demolidor, Mark Steven Johnson ainda não tem a capacidade de contar decentemente uma história. O roteiro não ajuda, muito menos o elenco (com a exceção de Eva Mendes, que apesar de só está lá para encher nossos olhos, merecia muito mais tempo de exibição. Aiai...).

A tradução também peca por colocar como MOTOQUEIRO o predecessor de Johnny Blaze, mesmo que este tenha utilizado um cavalo para cumprir sua missão. Sem falar no "Segura, peão" que saiu como a tradução do já infame "Iiiiihááá!" que o herói solta em certa altura do filme.

O único ponto positivo do filme são os efeitos especiais. Definitivamente eles merecem aplausos, pois foram responsáveis pela permanência até o final do filme de boa parte da platéia. Na saída foi o comentário que mais ouvi dos que tiveram o desgosto de gastar seu dinheirinho com uma produção que tinha tudo pra ser o primeiro hit nerd do ano, mas que entra pra galeria dos piores filmes de super-herói que já assisti. Aliás, outro ponto positivo foi o trailer de 300, esse sim, já estourando lá fora e com muita bala na agulha pra fazer bonito em qualquer lugar.

Nota 3,0

Os Trapalhões - 30 anos

Ontem, dia 13 de março, Os Trapalhões estariam comemorando 30 anos. Infelizmente, como todos sabem, o quarteto se desfez com a morte prematura de Mauro Gonçalves, o Zacarias. Os três membros restantes tentaram continuar alegrando o final das tardes de domingo, até que Mussum morreu. Daí em diante Didi e Dedé, os remanescentes do grupo, se afastaram da TV e desde então apenas a lembrança dos áureos tempos do grupo nos acompanha. Durante toda a década de 80 eles foram responsáveis por divertidas sessões de humor pastelão na TV e por filmes que marcaram a memória de quem tem mais de 25 anos, como Os Saltimbancos Trapalhões e Os Trapalhões na Serra Pelada, entre tantos outros sucessos.

Renato Aragão concedeu entrevista ao G1, site de notícias da Globo.com, onde conta curiosidades sobre o surgimento do grupo, a importância de amigos coadjuvantes como Tião Macalé e Roberto Guilherme, e o impacto das mortes de seus antigos parceiros. Enquanto a entrevista se atém ao passado, não há razão para críticas. Renato trata com respeito a memória do grupo e deixa claro que não há nenhum atrito entre ele e Dedé Santana, como muitos acreditam e outros tantos insistem em alardear.

Porém, ao comentar sobre sua atual fase, Renato pisa na bola quando fala de seu programa. Diz ele que, ao decidir retornar para a TV, a Globo pediu um programa que em nada lembrasse Os Trapalhões. Não é de hoje que eu critico a Turma do Didi. Qualquer pessoa que tenha assistido aos Trapalhões percebe que existe uma semelhança entre os programas: a tentativa frustrada de formar um novo quarteto nos moldes do antigo. Ali está o galã, o baixinho e o negão, todos escadas para o humor, hoje insosso, do ex-trapalhão Didi Mocó.

Quem teve oportunidade de assistir ao Pânico na TV, na época da estréia do último filme de Renato Aragão, pôde perceber que ele ainda guarda fortes resquícios do antigo Didi, aquele que fazia piadas politicamente incorretas de maneira inocente, sem a intenção de ofender. Ele embarcou nas maluquices de Sílvio e Vesgo e se divertiu muito com aquilo. Não é compreensível, então, sua atual fase “não cheira nem fede” na Rede Globo. Talvez um retorno às suas origens como comediante podesse trazer novamente o trapalhão que todos conheceram.

Quanto a Dedé, não encontrei nada, nenhuma entrevista dele sobre o aniversário dos Trapalhões. Um lamentável fato, pois para comemorar os 20 anos do programa da Xuxa, a imbecilizadora, a Globo fez um estardalhaço que não condiz com a importância dessa apresentadora.

Uma boa pedida para os fãs seria o lançamento de um belo box em DVD com todos os programas do grupo, com direito a depoimentos, erros de gravação e tudo aquilo que faz a alegria de quem quer saber tudo sobre seu show favorito.

Como isso implicaria no pagamento de direitos de imagem para Dedé Santana e para as famílias de Zacarias e Mussum, podemos ter certeza de uma coisa: dificilmente esse box sairá um dia. Menos mal que temos o YouTube e alguns vídeos disponibilizados no site da Globo com ótimos momentos dos Trapalhões.

Não é a melhor maneira de manter a memória dos Trapalhões, mas diminui um pouco a saudade que sentimos dos divertidos finais de tarde dos velhos domingos.


Seguem links para a entrevista na íntegra e para a página da Globo.com, onde estão alguns vídeos selecionados por Rentato Aragão, entre os seus preferidos.

Entrevista

Vídeos

sábado, 10 de março de 2007

Asilo Arkham

Lançada no Brasil em dezembro de 1990, essa obra densa e inquietante, onde o casamento entre a arte de Dave McKean e a loucura escrita por Grant Morrison tornou-a indispensável na gibiteca de qualquer amante de quadrinhos.

Através de suas páginas somos levados a conhecer o fundador da instituição, Amadeus Arkham, e o que o levou a transformar a mansão de sua família no principal asilo para tratamento de criminosos psicologicamente perturbados em Gotham City.

Interligada à origem do Asilo, Morrison nos conduz a uma das piores experiências vividas pelo Homem Morcego, em meio a uma rebelião no asilo comandada pelo Coringa, onde a única exigência feita pelos internos para que não ocorra uma carnificina é a presença de Batman, e este se vê obrigado a confrontar sua própria insanidade.

Entre flashbacks sobre a vida de Amadeus Arkham, a situação criada pelos criminosos amotinados e citações da obra de Lewis Carrol, percebe-se que é possível criar uma história de super-herói onde a ação não se torna imprescindível. Aqui o importante é a dissecação da personalidade de um personagem de ficção, cuja mitologia está fortemente enraizada na cultura popular mundial.

A cena do assassinato dos pais de Bruce Wayne mais uma vez é explorada, porém não de maneira gratuita. Nas duas passagens onde o leitor é remetido a essa cena, Batman se mostra extremamente frágil, a ponto de infligir dor física em si para amenizar a dor psicológica trazida à tona pelas provocações do Coringa.

Nessa obra não vemos um Batman infalível, capaz de sobrepujar seus oponentes facilmente. Ele passa por maus momentos, sofre com suas escolhas e busca entender melhor seu papel no mundo, muito diferente do Batman atualmente retratado nas HQ's, cujo processo de "enfodecimento" pode ter sido acentuado na fase de Morrison na revista da Liga da Justiça, publicada no Brasil pela Editora Abril, sob o título de Melhores do Mundo.

Apesar de ser uma das HQ's mais discutidas por sua densidade emocional, transmitida pela arte e pelo texto, o final não me agradou. Depois de toda a condução realizada por Morrison, eu esperava por um final diferente do mostrado. Achei a saída simplista, em desacordo com o que se espera do Batman, mesmo depois deste ter passado por momentos terríveis. Não houve o triunfo da lei e da justiça, como aconteceu no final de Piada Mortal, quando Batman ouve o apelo do comissário Gordon para que o Coringa veja que um dia ruim não justifica atos insanos, que ele deve pagar por seus crimes de acordo com o sistema.

Em Asilo Arkham não há condenação do ato final da dra. Ruth Adams, que salva a vida do Homem Morcego. Batman não se reergue como um defensor da justiça, mas sim como um maníaco conivente com a insanidade apresentada pelos internos do Arkham.

Mesmo não que eu não tenha gostado do rumo final da história, não deixo de recomendá-la. É uma excelente referência sobre obras de grande qualidade nos quadrinhos.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Bem vindos!

Demorou menos do que eu esperava. Apesar de não ser 100% o lay-out que eu quero, já dá pra ter uma noção de como será a casa nova. Ainda vai ter coisa pra ser alterada, mas nada impede que eu já tome conta do espaço aqui e peça para os que tinham o link da Era Dourada nos blogs façam a alteração para Buraco Negro, conforme a nova URL: http://noburaconegro.blogspot.com

Apesar de gostar do antigo, esse aqui tem um nome mais abrangente, que não remete a um assunto ou tema. Pode parecer um capricho bobo, mas quando se ouve o nome A Era Dourada pela primeira vez, tem-se a impressão de que ali serão encontradas apenas referências nostálgicas. E nem de longe era esse o objetivo inicial do blog, quando criado em meados de 2003.

O nome completo era A Era Dourada do Grotesco, inspirado pelo título de um disco de Marylin Manson. Não que eu seja fã do cara, mas achei o nome bacana, pois estávamos (e ainda estamos) vivendo exatamente isso, uma era grotesca, cheia de ambigüidades. E minha intenção era descrever justamente acontecimentos do dia-a-dia mostrando a degradação da civilização ocidental, através de comentários ácidos.

Porém o discurso sobre esse tema não vingou. Sem notar comecei a palpitar sobre outros assuntos e acabei resumindo o nome para apenas A Era Dourada. Com o problema relacionado ao antigo template da Era, percebi que era a hora certa para uma ampliação de horizontes e eis a mudança.

Sejam bem vindos à nova casa, mas tratem de limpar bem os pés antes de entrar.

Para você que caiu aqui de pára-quedas e não sabe lhufas do que estou falando, basta passar no antigo blog: www.aeradourada.blogger.com.br e entender um pouco dessa história toda.