segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Fim de ano!



2007 está acabando e me parece que demorou mais pra passar do que seus antecessores. Como acontece com todo ano que se finda, ficam coisas boas e ruins. Fatos positivos marcantes e decepcionantes acontecimentos que esperamos nunca mais ver novamente.

O primeiro ponto é positivo, ainda que tardio. Em 2007 houve um aumento da consciência ambiental, mais pessoas estão preocupadas com os meios de melhorar o mundo em que vivemos. Talvez ainda haja esperança para o Planeta. O lado negativo nesse quesito foi o fato de alguns cientistas céticos jogar areia na onda ambientalista, dizendo que é alarmismo essa história de aquecimento global. O mundo não precisa desse desserviço, pois mesmo que seja algo momentâneo e fora do alcance da mão humana a sua causa, nada impede que façamos o possível para diminuir o problema.

Meu ponto de vista: ainda que a raça humana seja ignorante, apesar de toda sua inteligência, não é hora de jogar a toalha.

No âmbito político, tivemos um ano a ser lamentado. As más escolhas dos eleitores ficaram mais uma vez demonstradas pelos escândalos ocorridos. Malditos sejam Renan Calheiros e que tais. Imagine se essa onda positiva de crescimento econômico que estamos atravessando acontecesse num país com políticos menos corruptos (porque incorruptíveis é lenda), com burocracia na medida certa e impostos justos. Aquela história de que o brasileiro é um povo rico é verdade. Só falta parar de colocar egoístas para governar. Quantos milhões de pessoas estariam com a vida melhor se o sistema funcionasse um pouquinho melhor?

Meu ponto de vista: nesse país as coisas só vão se tornar sérias quando o povo se incomodar verdadeiramente por estar sendo feito de palhaço. Eu faço parte de uma “elite” que incomoda o governo quando se manifesta, porque tenho opinião própria e não me furto ao dever cívico de vigiar quem está no poder. Perguntar não ofende: em quem você votou nas últimas eleições, mesmo?

Ainda relativo à Brasília, temos que lamentar a incompetência da diretoria da ANAC, que pode não ter sido a única culpada pelo maior acidente aéreo brasileiro, mas contribuiu muito para que a tragédia acontecesse. Por uma triste coincidência, na data do acidente meus pais estavam voltando de Brasília. Minha tia, que mora lá, ficou extremamente chocada e queria que eles protelassem o embarque para Curitiba. Medo, apreensão, revolta, tristeza. Sentimentos que tomaram conta da maioria dos brasileiros, ao menos da parcela que pode se dar ao desfrute de utilizar o transporte aéreo como meio de se locomover nesse país. A morte de 199 pessoas numa tragédia aérea é triste, mas ainda assim milhares de outros brasileiros continuam morrendo dia após dia em acidentes rodoviários, em hospitais públicos decadentes, nas mãos de delinqüentes e bandidos que fazem pouco caso da lei. E para o Governo Federal tudo que importa são os números positivos da economia. Mas como aproveitar esses números em benefício do povo é a questão que não tem resposta.

Meu ponto de vista: o caos aéreo é reflexo de um modelo de gestão que precisa ser revisto e modificado com urgência. Enquanto os controladores de vôo continuarem debaixo das asas da Aeronáutica, voar no Brasil ainda será algo perigoso. E a infra-estrutura geral do país cada vez afunila mais o gargalo para o crescimento sustentável. E isso não é culpa exclusiva do Lula. A falta de investimento nessa área vem de longe.

Mudando de assunto, antes que eu me revolte e o texto vire panfletagem anti-PT, vamos avaliar fatos amenos, de menor relevância. O lançamento do Renault Logan, por exemplo. As primeiras fotos que a imprensa especializada jogou no ar mostravam um carro interessante. Ledo engano. Após conferir o carro de perto, tive a sensação de que os anos 70 estavam de volta. Naqueles tempos de crise do petróleo e ressaca hippie, os carros perderam todo o glamour que haviam conquistado. Os modelos privilegiavam motores ao invés do conjunto, deixando o design e o conforto em segundo plano. O Logan não chega a deixar o conforto em segundo plano. Longe disso, afinal o maior atrativo do carro é justamente esse e o design anos 80 não compromete totalmente o veículo, que digam as suas vendas, as maiores da Renault no Brasil. Mas espero que esse passo atrás em termos de design não contamine as outras montadoras. A princípio essa hipótese é improvável, mas na briga dentro da categoria onde o Logan se enquadra, vale tudo.

Outro destaque automotivo desse ano foi o lançamento do Punto, um belo carro, visual retrô sem soar ultrapassado, com um grande mercado pela frente e que marcou a estréia do novo logotipo da FIAT. Outro que rouba a atenção por onde passa é o Vectra GT, muito mais interessante que o Punto, mas alocado em outra faixa de mercado. Preço da versão mais barata, em Curitiba: R$ 59.990,00.

De modo geral a indústria automotiva se lembrará de 2007 como um ano de ouro. As vendas foram às alturas, superando todas as expectativas e 2008 pode seguir o mesmo rumo.

Meu ponto de vista: se por um lado o aumento do consumo de veículos gera mais empregos, por outro complica ainda mais o tráfego nas grandes cidades, contribuindo para a piora da qualidade de vida nos principais centros do país. Haja álcool pra abastecer essa frota.

Por falar em álcool, aqui temos a vedete do agronegócio em 2007. Eu, como engenheiro agrônomo, sei que existem outras plantas com potencial para gerar biocombustíveis, mas a cana-de-açúcar é a mais interessante para as condições brasileiras. Álcool de milho é caro, biocombustível a partir da mamona também, soja compensa mais como alimento que como combustível. Dá-lhe plantar cana, então... Mas essa é uma cultura de alto potencial poluidor, em função dos tratos culturais que exige. Porém o aumento do consumo previsto torna o plantio de cana algo muito atraente em diversas regiões. Isso é preocupante, pois pode gerar problemas de abastecimento de outros gêneros, uma vez que a área plantade de milho, soja, feijão e outras culturas que competem com a cana em regiões favoráveis tende a diminuir. Isso porque agricultor é um bicho que não entende economia de escala, geralmente é ganacioso e burro, pois se importa em plantar apenas aquilo que dá dinheiro. Ok, ninguém corre atrás de coisas que dão prejuízo, mas se você e mais todo mundo plantar uma única coisa, a oferta sobe e o preço cai. Não é difícil de entender. Agora, se você planta de tudo um pouco, verificando as possibilidades de sua propriedade, em uma cultura você lucra, em outra você empata o investimento e, dificilmente, terá grandes prejuízos. A agricultura do Brasil é uma das mais fortes e competitivas do mundo, mas ainda tem potencial para muito mais. Antes de eu sair da faculdade, em 2003, já se falava em profissionalizar o produtor rural. Infelizmente esse processo é lento e levará gerações, mas quando estiver consolidado, o agronegócio deverá fazer ainda mais pelo desenvolvimento nacional.

Entrando agora em algo mais divertido, os assuntos culturais! 2007 não começou bem para os fãs do cinema. Exceto por 300, que segurou a onda muito bem, nada em cartaz no início do ano foi surpreendente ou divertido, na minha opinião, até o segundo semestre. Porcarias como Motoqueiro Fantasma, Homem Aranha 3 (a maior decepção do ano, com certeza) e Quarteto Fantástico 2 mostraram o lado ruim das produções baseadas em quadrinhos. Piratas do Caribe 3 ainda não assisti, então colocar no mesmo nível que os filmes citados é sacanagem. Mas tenho mais certeza do que dúvidas que, apesar de ter ficado aquém dos seus antecessores, Piratas do Caribe 3 deve ser muito mais divertido que os filmes da Marvel. Ainda esse ano tivemos Transformers, que não foi tudo aquilo que poderia ter sido e Os Simpsons – O filme, que foi tudo aquilo que poderia ter sido e mais um pouco. Mas nada tira de Tropa de Elite o prêmio de melhor produção em 2007. Primeiro por falar sobre bandidos como nenhum filme nacional teve coragem, até então. Segundo, por ser um filme nacional com padrão internacional de qualidade, tanto no roteiro quanto nas atuações. 300 e Tropa de Elite fizeram valer cada centavo dos ingressos e estarão, em versão original, na minha dvdteca.

Outros pontos da indústria ciematográfica que foram positivos: os aperitivos do que virá em 2008. Homem de Ferro, Hulk, Cavaleiro das Trevas lideram as apostas. Correm por fora Speed Racer (que não me cativou, mas pode surpreender), Wolverine (que perdeu ritmo em se tratando de atratividade) e Rambo (com estréia prevista já em janeiro). Sem contar nas surpresas que devem surgir. É aguardar e conferir.

Nos quadrinhos as coisas continuam de vento em popa, com lançamentos para todos os gostos. Como eu não fujo muito do estilo “super-herói”, não sei o que falar sobre mangás e álbuns de arte, mas até onde percebi, 2007 trouxe muita qualidade nas histórias em quadrinhos de maneira geral.

A Panini continua aprendendo com seus erros e melhorando aos poucos suas linhas de revistas e, para nossa sorte, o hiato entre o que acontece nos EUA e aquilo que é publicado por aqui é cada vez menor. Os destaques do ano ficam por conta da linha All Star Superman, que só tem recebido elogios dos fãs, que lamentam pela alteração da equipe criativa. A decepção fica por conta de All Star Batman & Robin. Frank Miller é um cara que se perde muito facilmente hoje em dia. Férias para ele.

No caso da linha mensal, só tenho acompanhado duas publicações: Liga da Justiça e Batman. Após o “furdunço” provocado pela Crise Infinita, a origem da Liga foi bagunçada e, quem é da velha guarda como eu, terá que esquecer a origem da equipe, coisa difícil de aceitar. Outra coisa triste foi o retorno de jason Todd, algo desnecessário. Mas tudo bem, há necessidade de se mudar o Status Quo de tempos em tempos.

O problema começa justamente nessa necessidade. Grant Morrison resolveu trazer o filho de Bruce Wayne com Thália de volta aos holofotes. Particularmente não vejo como isso enriqueceu o bat-universo e seus personagens, mas como o roteirista é Morrison o pessoal tá dando uma colher de chá. Se fosse outro, certamente cairiam de pau em cima.
Outra mudança que estou estranhando muito foi a do Ajax, que hoje passou a ser conhecido como Caçador de Marte. Não estou acompanhando 52, série que deve trazer uma luz sobre as mudanças do marciano. Ano que vem me encarrego de descobrir.

Enfim, deixemos a retrospectiva de lado e ficam com vocês meus desejos de um 2008 repleto de saúde, amor e paz, mantendo Deus na consciência e buscando sempre a iluminação.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PQP! PQP! PQP! PQP!

Já viram o trailer de The Dark Knight? Não?

Não estou com disponibilidade pra colocar um link aqui, mas...

PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP!PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP!

TDK ai ser o TROPA DE ELITE de 2008!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Sacanagem


O cenário atual das HQs, repleto de séries, mini-séries, encadernados de arcos de histórias publicadas em revistas mensais etc., mostra que vale a pena esperar alguns meses para adquirir uma história completa em apenas uma edição. Porém, encadernar todas as Mega Edições do Paul Dini em conjunto com o mala Alex Ross por esse preço é muita sacanagem, principalmente pelo o assalto que é o frete para fora da região sudeste.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Chora, Lula! Não foi apenas a segundona pro Curíntia que te entristeceu

Notícia melhor que o final da CPMF só uma punição decente pro Renan Calheiros. Seria pedir demais praquela corja de bandidos em Brasília. O fim do “imposto do cheque” seria uma boa também se a adminstração petista criasse vergonha na cara e cortasse os gastos desnecessários que sangram indevidamente o erário. Mas isso também seria pedir demais para o Presidente Ali Babá e seus 40 Ladrões. Azar dos brasileiros, que em breve terão algum novo imposto, criado para cobrir o rombo que fica, depois dessa derrota para o governo.

De repente a oposição pensou que eliminando a CPMF deixaria o governozinho do PT em maus lençóis, pois sem a verba do imposto não seria possível continuar com os programas assistencialistas e opovão iria se revoltar com o Lulinha e, desse modo, o caminho para o PSDB ou o Democratas assumir o governo no próximo mandato estaria limpo. Até mesmo o jogo de cena dos governadores José Serra e Aécio Neves deixou claro que havia movimentação política visando minar a força do atual governo. Os caras passaram por bonzinhos junto ao governo e ainda fizeram média ao povão. Se é que o povão prestou atenção nisso.

A verdade é que Lula perdeu a oportunidade de realizar a reforma fiscal de maneira séria durante os dois primeiros anos de governo e, dessa forma, se consolidar como dirigente sério e competente. Mas o que esperar de um vadio como o atual presidente? O cara prefere viajar pra todos os cantos do planeta, conhecer vários lugares às custas dos impostos extorsivos que pagamos e fazer pose de homem preocupado com os pobres do que governar efetivamente.

Sim, todos aqueles com um pouco de discernimento sabem que as reformas (política, fiscal, trabalhista) que o Brasil necessita são anti-populares, pois exigem o esforço de toda sociedade, mas elas garantiriam a pavimentação de uma estrada mais segura para a economia brasileira. Eu, na condição de Presidente da República, preferiria encontrar uma maneira de garantir a longo prazo o desenvolvimento do meu país, do que a curto prazo viver nos braços do povo. Mas duvido muito que um dia eu chegue lá. Políticos são, em sua maioria, pessoas que se sujam para alcançar objetivos nem sempre nobres. Olha eu falando o óbvio de novo...

Vamos esperar agora e ver o que o futuro próximo nos reserva, já que Lula e os petistas terão que rebolar muito pra continuar levando a política do “pão e vadiagem” aos brasileiros menos favorecidos, se quiserem continuar com o cartaz em alta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Mais um desabafo (ainda que inútil)

Não é de hoje que me irrito com a incompetência governamental daquele senhor que ocupa a cadeira da Presidência da República. Desde a malfadada tentativa de greve do Poder Judiciário, nos idos de 2003, sofremos com a falta de pulso desse presidente medíocre, ignóbil, indolente e ignorante.

Não bastasse termos colocado no poder um partido que teatraliza sua preocupação com os destituídos e, agindo assim, aumenta seu paquidérmico aparelhamento estatal, ainda temos que engolir a corrupção de uma corja de bandidos, assassinos e ladrões que usurparam as cadeiras do legislativo. Cada Real desviado dos cofres públicos e destinado para o bolso desses senhores pode e faz falta para completar os orçamentos de órgãos e autarquias que efetivamente deveriam cuidar das necessidades populares.

Há tempos ando quieto em relação aos desmandos desse governo, o qual eu poderia definir com os piores e mais baixos adjetivos que me vêm à mente. Mas continuo de saco tão ou mais cheio do que quando escrevi algo contra Lula e seus asseclas. Ando enojado com a maneira como a política nacional rasteja, em todas as esferas.

Mas o que mais me irrita é a inércia de todos nós. A última grande manifestação cívica, aquela organizada para mostrar que os jovens não eram alienados (os cara-pintadas) só serviu pra muito adolescente matar aula de dar uns malhos. Tanto isso é verdade que essa geração hoje é composta por trintões que não estão fazendo nada pra reclamar. Se fomos capazes de “derrubar” um presidente tido como corrupto, por que não estamos nos rebelando contra toda essa situação atual? Ou melhor, por que os jovens de hoje não pintam as caras e saem às ruas gritando palavras de ordem?

Simples: a UNE (principal organizadora do movimento que culminou com a queda do Collor) é uma das instituições beneficiadas com a chegada do PT ao poder. Hoje a UNE ou qualquer movimento estudantil não precisa fazer oposição, pois aquilo que os estudantes de esquerda queriam aconteceu. O “povo” chegou lá! Lula lá! Agora vamos nos locupletar com todas as vantagens adquiridas com o novo posto político. Vamos invadir universidades com projetos sérios e que estão preocupados com a efetiva melhoria das condições do país. Vamos fazer de conta que todos os benefícios sociais que o PT está disponibilizando são viáveis a longo prazo, que esses mesmos benefícios têm a capacidade de tornar o Brasil um país mais justo.

É de uma simplicidade tão irritante o plano petista que admira a apatia dos neoliberais de oposição ao governo. É irritante ver a corja do PT lambuzar os beiços com o dinheiro arrecadado de maneira legalmente extorsiva, via impostos injustos, e surgirem apenas focos isolados de revolta a cada notícia de corrupção que a imprensa noticia. A preocupação de cada brasileiro hoje com seu próprio sustento a curto prazo é tamanha que não abre espaço para a revolta construtiva, aquela que faz um povo decretar greves justas, passeatas honestas e, com essas atitudes, demonstrar todo seu descontentamento com a situação.

A classe média, principal prejudicada com a má distribuição do bolo, só desperta no Presidente Lula um pinguinho de preocupação, sendo por esse senhor destratada de maneira pejorativa. O que falta ainda para que aconteça uma verdadeira manifestação por essa parcela tão importante da população?

domingo, 11 de novembro de 2007

Tropa de Elite


Quem assistiu não tem dúvidas: Tropa de Elite é uma das melhores produções realizadas no país. As falhas são mínimas e não comprometem em nada o filme. Dentre as poucas existentes, cito o fato do filme se passar em 1997, mas em algumas cenas mostradas estão rodando veículos modelo 2005/06, bem como uma ou outra propaganda da Skol descendo redondo, coisa que em 97 não havia. O que mais irrita, porém, é o fato de Tihuana ser a banda escolhida para a música tema. Não é possível que não exista nenhuma melhorzinha na galeria nacional.

Mas vamos ao que interessa. Todo o auê em cima do filme se justifica, quer seja pela pirataria que “lançou” o filme, quer seja pelos temas abordados. Existem aqueles que defendem a teoria de que as cópias piratas apareceram nas ruas como golpe de marketing e esses são, no mínimo, malucos. Ninguém daria um tiro no pé nessas proporções, ainda mais quando havia tanta grana envolvida no orçamento do filme. Outros, que defendem a pirataria como modo de “popularizar a cultura”, são os mesmos babacas que não vêem o usuário de drogas como culpado direto pela maneira como o crime organizado se desenvolveu. E o usuário de drogas é, sim, criminoso sob meu ponto de vista. A sua descriminalização, conforme a Lei de Tóxicos (11.343/06), é equivocada. Eu vejo as coisas sob o mesmo prisma do Capitão Nascimento: usuário e traficante são duas faces da mesma moeda. O tratamento para ambos deve ser igual, pois um não existe sem o outro, a exemplo do que acontece no esquema ladrão-receptador.

As cenas de tortura por parte dos policiais do BOPE mostram que mesmo uma polícia bem treinada também comete excessos. Mesmo levando em conta que o combate à criminalidade deve ser encarado como uma guerra, a tortura é uma mancha que os policiais “especiais” deveriam abominar tanto quanto a corrupção. Existem maneiras de lutar uma guerra sem o uso desse expediente. Estatísticas demonstram que uma polícia que se mostra mais próxima à população e menos violenta traz mais benefícios e é mais respeitada do que uma truculenta e temida. Respeito não se impõe, se conquista. E não tem como negar: Wagner Moura consegue transmitir toda a dualidade do Capitão Nascimento de maneira soberba em suas cenas.

O que mais admira, no mundo real, é saber o valor do soldo de um policial militar no Rio de Janeiro, que é de R$ 900,00 aproximadamente e o dos membros do BOPE é de R$1.400,00. Em uma cidade cujo custo de vida não permite viver bem com menos de R$5.000,00 mensais, quem sobrevive com essa merreca e arrisca o pescoço pra manter a segurança da população é herói e deveria ser muito respeitado. Penso que médicos, professores e policiais deveriam ser os mais bem pagos na folha do funcionalismo público. Com baixos salários, policiais vivem em áreas ocupadas por bandidos e, nessa situação, é como o filme fala: ou se omite, ou se corrompe.

O tom utilizado em entrevistas e eventos sobre o filme pelo diretor José Padilha, amenizando as críticas aos usuários e defendendo a legalização do comércio de drogas soa como hipocrisia ou pressão de algum poderoso que não gostou da forma como os usuários foram retratados, afinal só quem tem grana pode se dar ao luxo de sair por aí se entupindo de cocaína. Ora, Padilha... Sabemos que existem drogas legais e socialmente aceitas, mas a legalização do consumo de maconha, cocaía e demais entorpecentes em nada vai diminuir a violência nesse país. Se a população não sabe fazer uso das drogas legais, especialmente o álcool, o que dizer sobre outras, mais pesadas? Além do mais, não há estrutura para coibir eventuais excessos, conforme já se observa em festas e no trânsito.

Deixando a parte polêmica de lado é fácil afirmar que Tropa de Elite em nada deve às produções americanas, até porque tem capital gringo na produção. O ritmo é bem conduzido, as situações não são mastigadinhas ao ponto da audiência se sentir estúpida e o filme não cansa. Dá pra ver e rever algumas vezes, porque as interpretações estão afiadas, o roteiro é interessante e a cada vez que se revê o filme, só aumentou a repulsa aos métodos utilizados pelos policiais na obtenção de informações (ao menos no meu caso, que já vi o filme 3 vezes). Não é à toa que a imprensa escrita aproveitou o bonde do filme e colocou nas bancas material abordando temas ligados ao filme, pois isso vende que é uma beleza. Porém, de todos os textos que li relativos ao filme, o melhor foi na Rolling Stone, que conseguiu manter um pouco da parcialidade necessária na abordagem dos temas espinhosos, diferente da linha editorial da Veja, por exemplo. Lamento não ter lido nada a respeito na Carta Capital, que é a linha de frente na defesa de gente que nem sempre prima pela ética e pelo respeito às leis e instituições democráticas, pois nela volta e meia se lê defesa de gente que deve muito e paga pouco pelos crimes cometidos. O embate idealista entre Veja e Carta Capital é algo divertido de se ver, pois uma é a antítese da outra, com raras cabeças moderadas a escrever em suas colunas. Mas isso já é outra história.

Pra terminar, aproveitei a dica do b0by e fui ver quem eu seria no filme.



Nota 8,5

domingo, 4 de novembro de 2007

Quando faltam palavras...


Final de semana perfeito, fechado com chave de ouro e ao lado da mulher (muito) amada, curtindo o Rio de Janeiro, com direito a pedido de casamento e alianças, conforme manda o figurino. Foi curto, intenso e marcante, deixando gostinho de quero mais. O que é melhor: logo, logo vai ser assim todo dia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agora não falta mais nada

Isso aqui mostra como a concorrência no mercado "informal" está acirrada.

Só não vale gritar "Pega ladrão".

domingo, 28 de outubro de 2007

From China, with love



Em setembro passado meu irmão foi para a China, participar de um seminário, realizar cursos e fazer um pouco de turismo (afinal não é todo dia que se vai pra China) em mais ou menos 20 dias. Inicialmente ele penou com o fuso horário, coisa que em uns dois dias resolveu-se. O problema maior foi com a peculiar culinária local, pois aqui em casa o máximo de comida chinesa que a gente encara é um frango-xadrez ou um yakisoba, e olha lá.

Passada a adaptação com a comida, o negócio era aproveitar o curso e o seminário. O guri investiu na carreira de fisioterapeuta-acupunturista e essa viagem enriqueceu sua capacidade profissional, ampliando seus já abrangentes conhecimentos. Sem falar que o estímulo em melhorar a arte, conhecendo a terra natal da mesma, só tende a gerar bons frutos.

Porém não ficarei rasgando seda pra ele aqui. A intenção com o post é apenas encher lingüiça até semana que vem, quando finalmente vou assistir Tropa de Elite e poder escrever tudo que tenho vontade sobre o filme e a temática que o envolve.

Voltando então à encheção de lingüiça, meu irmão contou que a China tem muita mulher feia, muita porcaria (no sentido próprio da palavra) eletrônica e, como não era diferente de se esperar, muitas peculiaridades em relação ao nosso universo ocidental. Mas pelo que percebi pelo material que ele trouxe como bugiganga de lá, os hábitos regionais estão bastante ocidentalizados. No clip das artistas chinesas contido no mp4, por exemplo, nota-se que o pop chinês é semelhante ao fabricado por estas bandas, com beldades curvilíneas cantando refrões grudentos (ainda que em mandarim).

Porém, ele não soube aproveitar as compras. Por falta de um espírito mais consumista, ele deixou de aproveitar o fato de estar na fonte da muamba que brasileiro compra no Paraguai e não fez a festa. Ainda assim, fez boas compras.

Na ânsia de encontrar material interessante, acabou comprando a edição de outubro da FHM chinesa. Tudo bem que não dá pra entender lhufas do que está escrito lá, mas um artigo em especial chamou minha atenção.


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O Brasil não é famoso apenas pelo trio Carnaval-futebol-mulher gostosa. Agora também estamos entre aqueles cujos assaltos a banco estão entre os maiores do mundo. Mais um motivo de orgulho, torcida brasileira!

domingo, 21 de outubro de 2007

EU JÁ SABIA!!! (ou não)

Não foi como eu gostaria, mas seria pedir demais que os bons tempos voltassem em apenas uma temporada. Ao menos a decisão do título foi surpreendente, pois só um doido apostaria na vitória de Kimi Räikkönen, que esteve ameaçada até a última volta, caso Nico Rosberg e Robert Kubica se envolvessem em um acidente e saíssem da prova. Pra tornar tudo mais emocionante só faltou chover.

Para o próximo ano, a coisa deve ser ainda melhor: a Ferrari mantém a mesma equipe, o que teoricamente dá um ligeira vantagem sobre as rivais; Nelsinho Piquet entrará em uma grande equipe segundo boatos e Hamilton terá motivos de sobra pra mostrar que os resultados desse ano não foram em função de uma eventual puxação de brasa pro seu lado, por parte da equipe ou apenas pura sorte de principiante. Alonso deverá estar mordido por justamente ter sido preterido pela McLaren e não acredito que ele continue na equipe, preferindo uma que o trate como estrela. Por maior que seja o talento, sua vaidade é muito maior do que a habilidade demonstrada nas pistas. A impressão que esse espanhol passa é de ser uma pessoa de difícil trato.

De qualquer forma, esse foi um dos campeonatos mais equilibrados que pude acompanhar e o fato dos brasileiros não terem se dado melhor foi mais por culpa de suas equipes do que por falhas de pilotagem. Isso vale mais para o Barrichelo do que para Felipe Massa, que poderia ter conseguido melhores resultados nas primeiras provas se não tivesse sido tão afoito.

No caso do eterno perdedor Barrichelo, a equipe foi responsável pela pior temporada do piloto, que finalmente pode colocar a culpa pelas péssimas apresentações no carro, depois de vários anos correndo em escuderias competitivas e sempre começando o ano dizendo que “agora será possível brigar pelo título”. É uma pena saber que ele deixará a Fórmula 1 sem nunca ter levado um título de campeão mundial, pois o que ele transmite é ser incapaz de forçar a equipe a colocar o melhor carro em suas mão, afinal bom piloto ele é. Só que nunca deu sorte...

No mais, é esperar a próxima temporada e torcer pra que as emoções desse ano venham dobradas.

domingo, 14 de outubro de 2007

Será que sou só eu?

Se vivêssemos em uma cultura similar à islâmica em termos de defesa dos cânones quadrinhísticos ou nérdicos, eu seria condenado à morte pelo que vou escrever a seguir.

Não é de hoje que esse senhor é enaltecido por ser uma das maiores figuras da ilustração nos quadrinhos dos últimos tempos e por seu estilo inconfundível. Sua acensão nos quadrinhos aconteceu depois do lançamento de Marvels, há mais de 10 anos, e se consolidou com Reino do Amanhã.

Realmente as histórias que Alex Ross ilustra beiram a perfeição e sua obsessão por detalhes nas pinturas é algo que agrega muito às histórias que ele desenha. Porém, segundo os experts, ele é uma mala sem alça e que, devido à veneração que os fãs têm por seu trabalho, acredita piamente poder se dar ao luxo de esnobar esses mesmos fãs nas convenções de quadrinhos América do Norte afora.

Foi quando soube desse traço negativo da personalidade do sr. Ross que comecei a ser mais crítico com suas obras. Basicamente existem duas características artísticas dele que me incomodam: a saturação das cores de suas pinturas, sempre com cara de envelhecidas, com baixo contraste; e a mania besta de fazer as máscaras do Batman e do Flash completamente erradas.

Em relação às cores, ele poderia deixar efetivamente mais realistas como fazia no inícoi da carreira. Geralmente os artistas evoluem suas capacidades, mas eu não vejo isso nos materiais recentes do sr. Ross.

Quanto às máscaras do Batman e do Flash, basta levar em consideração que a arte de Alex Ross é elogiada pelo foto-realismo empregado. Muito bem, se fosse assim, as máscaras de ambos remeteriam àquelas utilizadas nos filmes (caso do Batman) e no seriado (caso do Flash).

A máscara do Batman, por exemplo, parece ser confecionada com a mesma borracha utilizada em luvas cirúrgicas de látex, o que explicaria o cenho franzido tão perfeitamente desenhado debaixo de uma máscara que deveria, além de esconder a identidade civil do herói, ser uma proteção contra ataques.

Já a máscara do Flash parece ter sido feita por uma criança e nem de longe seu uniforme lembra um dos melhores já construídos para uma adaptação live-action, ficando superior até ao uniforme do Homem-Aranha, em minha humilde opinião. Quem assistiu ao seriado dos anos 90 sabe que é verdade.

Outra coisa que incomoda, mas nem tanto, é a preferência desse desenhista pela fase pré-Crise, quando ilustra personagens da DC. Eu era muito pequeno e não acompanhava quadrinhos de super-heróis até 1990/91, por isso não tenho condições de afirmar se aquilo que existia antes do trabalho primoroso de Marv Wolfman e George Pérez era tão bom quanto o sr. Ross defende. Ainda assim, quando ele resolve incorporar elementos pré-Crise em suas ilustrações, o faz de maneira não-ofensiva e, justamente por isso, passa desapercebido na maioria das vezes.

Assim, peço aos defensores e fãs ferrenhos do sr. Ross que me poupem de um apedrejamento sumário e arbitrário, defendendo seu ídolo de maneira coerente e com bons argumentos. Para ajudar na minha defesa, coloco abaixo algumas ilustrações que corroboram com minha opinião.








As imagens acima ilustram apenas a questão da máscara do Batman, mas pegue suas edições de Marvels, Reino do Amanhã e outras publicações ilustradas pelo sr. Ross e compare as diferenças. Note que a máscara do Robin vermelho é muito parecida com a máscara utilizada no filme Batman, de Tim Burton. Repare também nas rugas da testa do Batman desenhado para a capa da Wizard. Na minha opinião Alex Ross já foi muito melhor...

domingo, 7 de outubro de 2007

A música Eduardo e Monica, da Legião Urbana, esconderia uma implicância com o sexo masculino?

Há tempos atrás, antes até de resolver criar um blog, recebi um e-mail cujo texto era deveras divertido, mas que ficou esquecido nas empoeiradas prateleiras eletrônicas de um cd-rom qualquer. Vasculhando arquivos antigos, reencontrei o texto e, como o material é interessante, mesmo para aqueles que já o tenham lido, resolvi colocar o mesmo aqui. Infelizmente não sei quem foi o autor da pérola, mas o cara é melhor que muito crítico musical (olha eu atacando os caras de novo) por aí.

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso, como no caso da música Eduardo e Monica, do álbum "Dois" da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente; enquanto a feminina (Monica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. Analisemos o que diz a letra.

Logo na segunda estrofe o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente: "Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram" ao mesmo tempo que tentar dar uma imagem forte e charmosa à Monica: "enquanto Monica tomava um conhaque noutro canto da cidade, como eles disseram". Ora, se esta cena tiver se passado de manhã, como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Monica revela-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura: "Festa estranha, com gente esquisita...". Bom, "festa estranha" significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade, com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. "Gente esquisita" é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa e as garotas mais horrorosas da Via-Láctea. Enfim, esta era a tal "festa legal" em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como vemos a seguir. Assim temos: “Eu não estou legal. Não agüento mais birita”. Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios; bem ao contrário de Monica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.

Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram: "E a Monica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar". Vamos por partes: em "E a Monica riu" nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Monica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente. Mais à frente é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se "quis saber um pouco mais", leia-se "quis dar para". É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Monica. A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo "boyzinho que tentava impressionar". É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como "boyzinho". Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Monica de bicicleta, como consta na quarta estrofe: "Se encontraram então no parque da cidade A Monica de moto e o Eduardo de camelo". Se alguém aí agiu como boy, esta foi Monica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Monica. E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos, na frente de todo mundo, ok?

Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Monica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo: "O Eduardo sugeriu uma lanchonete. Mas a Monica queria ver o filme do Godard". Atitude esta nada democrática para quem se julga uma liberal. Na verdade, Monica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e que bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Monica: "O Eduardo achou estranho e melhor não comentar Mas a menina tinha tinta no cabelo". Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. À pouco vimos Monica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disso, se Monica pinta o cabelo ou é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril ou porque é uma baranga escrota mesmo. O autor insiste em retratar Monica como uma gênia sem par: "Ela fazia Medicina e falava alemão" e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo". Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor respectivamente. Coitado do Eduardo, é um jumento mesmo...

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois: "Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud". Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.As, muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. O sujeito mais normal dessa moçada aí, cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba ali que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio. Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo e crianção: "E o Eduardo gostava de novela E jogava futebol de botão com seu avô". A bem da verdade Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não!, preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões. É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, que homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos: "Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação". Falava merda, isso sim. Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por quê? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo. É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Monica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto: "E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão". O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse bar da esquina - terreiro de macumba – sauna gay – delegacia? E qual é o problema de se ir a escola?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Monica: "Eduardo e Monica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar". Por ordem:

1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto;
2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo.
3) Quer saber? Teatro e artesanato são coisas de viado.

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra: "A Monica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar". Mais uma vez, aquela lenga-lenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Monica trabalha na previsão do tempo? Não. Monica é geóloga? Não. Monica é professora de química? Não. Monica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada, alcoólatra e vadia pode ensinar sobre céu, terra, água e ar, que uma muriçoca não saiba? Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril, capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo camelô mais safado do mundo. Santa inocência...

Ainda em "Ele aprendeu a beber" não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... É claro, com Monica, a campeã do alambique. Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis como o código Morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Monica. Grande contribuição!

Depois, temos "deixou o cabelo crescer". Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Monica na cabeça do iludido Eduardo. Sempre à frente em tudo, Monica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade: "E ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular". Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Monica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.

Outra prova da parcialidade do autor está em "porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação”. É interessante notar que é o filho do Eduardo, e não de Monica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta. O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. Bem típico de algum recalque homossexual do autor, talvez magoado com a natureza masculina. A verdade é que uma vadia pé-de-cana, maria-gasolina e porra-louca levou para o mau caminho um rapaz que tinha grandes possibilidade de andar pelas veredas do bem.

Como disse Lulu Santos: "Cada um tem um jeito de contar a mesma história".

domingo, 23 de setembro de 2007



Após alguns meses sem comprar a Rolling Stone, resolvi dar uma olhada no conteúdo da edição no. 12. A primeira coisa que me chamou atenção foi o fato de não ter sido estampado na capa o tal “edição de aniversário”, talvez um indicador de despreocupação com a idade e isso é muito bom. Nada de reportagens comemorativas ou desculpas afins, somente a manutenção da linha que tornou a revista popular. Talvez por não estar nas mãos da Editora Abril, que parece ter parado no tempo e nem as poucas boas idéias que tem consegue manter nas bancas.

A começar pela capa, essa edição está excelente, incluindo aí as cartas dos leitores. Aliás, se tem uma seção que eu sempre passo por primeiro, em qualquer revista, é a de cartas. Gosto de ver os pontos de vista diversos e enriquecer o meu com isso. É uma maneira rápida de sintetizar opiniões e formular uma nova.

Mas o que mais me atrai na Rolling Stone é o fato de ser uma revista eclética o bastante para abordar desde música até política, sem com isso levantar bandeiras. Essa imparcialidade, tão rara nas “Vejas” da vida, faz muita falta, principalmente quando o assunto é espinhoso, porque uma publicação não deve escrever aquilo que seus leitores querem ler, mastigadinho, mas sim informar sobre os fatos de maneira tal que o leitor crie sua própria visão do assunto. Todo mundo que tem um mínimo de consciência crítica sabe disso, estou sendo redundante, mas incrivelmente é algo que vem sido esquecido ou deixado de lado em jornais e revistas de grande circulação. Não digo com isso que a Rolling Stone é perfeita e passa incólume nesse quesito, pois nos primeiros números da revista eu pude constatar que um ou outro jornalista não se incomodou de colocar abertamente sua opinião sobre aquilo que estava sendo escrito. Só que nesse caso o leitor não se sente manipulado ou impelido a concordar plenamente; há espaço para questionamentos.

A única coisa que a Rolling Stone tem de similar aos demais veículos de imprensa está nas críticas. Na ânsia por mostrar erudição e/ou enriquecer o texto, os críticos continuam apostando em expressões que por vezes me incomodam. Se bem que isso também é algo que eu cometia, e ainda hei de cometer, em muitos textos que jogo no blog. Da minha parte espero poder diminuir esse tipo de escrita que soa pedante e incômoda em alguns casos, mas duvido que os críticos “especializados” abram mão desse expediente.

domingo, 16 de setembro de 2007

Mega-sagas versus Crossovers

Atualmente muitos leitores de quadrinhos estão chiando em função da atual mania da DC e da Marvel: as mega-sagas. Realmente é algo que enche o saco, principalmente pelo fato de que no Brasil alguns personagens participantes das ditas não têm espaço suficiente (se é que têm) nos mix das revistas publicadas. Isso pode gerar dois tipos de reação. A primeira, e menos comum, é o interesse em buscar por mais informações sobre aquele personagem que teve alguma participação relevante, mas que não é conhecido; ou abandonar a leitura porque se tem preguiça de procurar as informações necessárias.

Lá fora, nos EUA, essa onda de mega-sagas já deu sinais de estar perdendo o fôlego, principalmente pelo fato da DC estar amargando a perda de leitores em função da falta de habilidade na costura de suas sagas.

Esse é um processo natural, que deve desembocar em uma outra febre assim que seja usada uma artimanha que aumente as vendas e o interesse dos fanboys mundo afora. Na década de 90 a fórmula mágica de boas vendas foram os crossovers, histórias onde dois ou mais personagens que pouco tinham em comum se encontravam. O roteiro mais comum pra esses encontros era os heróis se encontrarem, não irem com a cara um do outro e quebrarem o pau, até se tocarem que havia uma ameaça que, para ser vencida, precisava de sua cooperação mútua. Clichê a dar com o pau, mas muita gente comprava essas revistas pra saber quais seriam as possibilidades exploradas pelos escritores e desenhistas; e nem sempre o resultado saía como o esperado.

De início, a idéia de um crossover pode ser uma excelente maneira de aumentar o público de determinado personagem. Basta fazer com que este se encontre com outro cuja popularidade já esteja consolidada. Isso fará com que aqueles que são fãs do popular conheçam o “novato” e possam se interessar pelas suas histórias. Mesmo quando acontece a reunião de dois medalhões, isso pode ser benéfico para ambos os personagens, pois os fãs de um podem também começar a curtir o outro, ampliando sua legião de seguidores.

No final da década de 70 e no início da década de 80 foram feitos crossovers entre os X-Men e os Novos Titãs, o Super-Homem e o Homem-Aranha, Batman e Hulk. Todos estavam com suas reputações em alta e provavelmente as histórias foram um sucesso de vendas. A Abril relançou esses encontros em meados da década de 90, justamente aproveitando a onda de crossovers que varria as grandes editoras.

Foi juntando um grande ícone dos quadrinhos com outro popular nos cinemas que, pode-se dizer, iniciou-se a nova era dos crossovers. Batman versus Predador foi uma boa história, com bons desenhos, que mostrou um caminho cheio de grana a ser trilhado. A fórmula era fácil, bastou que os detentores dos direitos sobre os personagens escolhidos entrassem em acordo e presto!, esvaziaram os bolsos dos fãs. Daí a sair publicando encontros a torto e a direito foi um pulo. Foram vários e nem sempre bem arquitetados, mas que nem por isso foram desprezados. Particularmente comprei diversos, principalmente aqueles que traziam o Batman na capa. Um que merece destaque foi o primeiro encontro do Morcegão com o Juiz Dredd. Apesar da história seguir a cartilha “mocinho-encontra-mocinho-e-se-quebram-pra-depois-se-unir”, ali havia a diferença na motivação pessoal dos personagens e, desse conflito, saiu uma revista divertida e de leitura agradável, com a arte de Simon Bisley surgindo como uma porrada visual para aqueles que estavam acostumados ao estilão americano de desenhar Hqs.

O ápice dessa febre dos crossovers veio com o grande confronto entre DC e Marvel. Era tudo que os fãs queriam, poder finalmente ver seus personagens favoritos de cada editora se encontrando em uma grande história. Mas nem de longe foi isso o que aconteceu. A idéia central da história ficou fraco e as editoras cometeram a burrice de deixar nas mãos dos leitores a decisão sobre quem venceria os embates principais entre os personagens, tornando a história um mero concurso de popularidade. Ou alguém que tenha lido a revista engoliu numa boa a vitória do Wolverine sobre Lobo? Nem mesmo o mais fanático fã do canadense tem argumentos consistentes para sustentar essa vitória. Aliás, foi um dos pontos mais patéticos da história. Como não havia uma maneira decente de mostrar a vitória de Wolverine sobre o Maioral, jogaram os dois pra trás de um balcão de bar e o Wolverine sai de lá como se nada tivesse acontecido. Lamentável.

Depois disso, ainda foram lançados mais dois grandes encontros entre as editoras, tentando remendar a bobagem que foi a primeira, mas sem sucesso. E DC versus Marvel foi o início do fim. Exemplo disso foi Spawn e Batman, em seus dois encontro, um pior que o outro. O primeiro, com os desenhos de Todd McFarlane e sob a batuta de Frank Miller, mostrando ali que, apesar de ser um dos membros da santíssima trindade dos quadrinhos, também ele era capaz de escrever lixo. Como eu sabia que ia demorar um certo tempo até essa história ser lançada por aqui e sem saber a porcaria que era, comprei a edição importada. Ao menos serviu pra aprimorar meu inglês. Já o segundo encontro foi um abacaxi místico muito pior do que a bobagem armamentista do primeiro e nem merece comentários.

Vieram ainda outras histórias mostrando grandes e consagrados personagens, como o Surfista Prateado, por exemplo, se encontrando com o Super-Homem, com o Lanterna Verde e como figurante no encontro entre Galactus e Darkseid. A maioria desses encontros foi simplesmente um desperdício de papel por parte das editoras e de tempo, por parte dos leitores. Exatamente como está acontecendo atualmente no mercado editorial com as mega-sagas.

Porém os efeitos nocivos em tempos de internet, scans de revistas e a atual perda de leitores das histórias em quadrinhos para mangás podem ser devastadores. Não é à toa que a DC virou saco de pancada e a tal Countdown está afundando a editora no mercado americano. Saber sair do palco enquanto se está sendo aplaudido é uma lição que nem todos aprenderam ainda.

domingo, 9 de setembro de 2007

Julio Cesar Schwab

Sexta, dia 07/09, perdi um primo em decorrência de um acidente de moto. Uma morte estúpida, como muitas o são, afinal todos esperamos morrer velhos, confortavelmente, numa cama e rodeados pelos parentes e amigos queridos. Mas dificilmente poderemos escolher a maneira como morreremos e estamos sujeitos a essa situação pela qual passou minha família.

Depois da tristeza de enterrar um homem com cabeça de criança, inocente ainda que pessoas assim sejam difíceis de se encontrar nos dias de hoje, resta agora manter as boas lembranças, as besteiras divertidas que ele fazia, a maneira exagerada de contar histórias e o jeito bonachão, largado, de um cara que se tornou folclórico aqui no bairro. Muita gente conhecia o “Bezai”, ainda que só de vista.

Vai ser duro passar na frente da locadora que o guri tocava junto com a esposa ou na frente da lanchonete que ele e sua mãe abriram recentemente. O Julio tinha o bicho-carpinteiro desde pequeno. E como é triste saber que ele não estará aqui pra saber se o filho, de pouco mais de um ano, herdou o jeitão agitado do pai.

Ironicamente sua morte serviu pra ensinar alguma coisa pra cada membro da família. Todos sabiam que ele não era perfeito, mas cada um tirou uma lição ao relembrar a maneira como ele encarava tudo na vida. Da minha parte notei que preciso ser menos ranzinza e reclamar menos das coisas. Fazer isso pela memória do guri que tinha um parafuso a menos, mas era muito mais feliz do que muita gente sã que anda por aí.

Difícil também foi encontrar palavras pra confortar meus tios, que enterraram o filho mais novo. Minha tia não entende como pessoas que sofreram acidentes piores conseguiram escapar. Minha tentativa de responder à dúvida foi lembrando a passagem bíblica onde Jesus afirma que apenas os inocentes como as crianças herdam o Reino dos Céus.

Acredito na existência de Deus, mas não sou católico e há algum tempo encaro a Bíblia, entre outros textos tidos como “sagrados”, como romances que guardam princípios morais valiosos. São textos que nos guiam na busca pela evolução espiritual e que mesmo na simplicidade de algumas palavras, ajudam a trazer conforto e fé nesses momentos onde o vazio imposto pela morte fica um pouco menos difícil de ser preenchido. Ajudam a erguer a cabeça e seguir em frente, sabendo que um dia será nossa vez de partir e que, quando esse dia chegar, nada melhor do que estar consciente de ter passado pela Terra de maneira completa, tendo feito tudo que estava ao nosso alcance para atingir a plenitude da existência.

E uma coisa que meu primo fez foi ter conseguido isso em muito pouco tempo, durante sua curta passagem por aqui.

Que Deus esteja contigo, Julio.

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

Faroeste caboclo ou coisa parecida



O que mais aterroriza nesse vídeo?

a) O fato de fazendeiros terem tomado conta do local e impedir que a lei seja cumprida.

b) O fato desse tipo de situação poder ser utilizada futuramente como pretexto para uma eventual incursão de forças armadas estrangeiras na região amazônica.

c) Ambas as alternativas acima.

d) Nenhuma das alternativas. Eu acho que meu mundinho está tranqüilo e durmo bem à noite sabendo que estou a salvo dessas ameaças inventadas por ambientalistas.

e) Outra. Especifique.

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O vídeo em questão foi encontrado no Blog do Josias, colunista da Folha de São Paulo, e deveria ser mais discutido pelos meios de comunicação. A simples leitura dos comentários relativos à postagem dele é de causar arrepios e mostra o quanto ainda é preciso evoluir no quesito democracia nesse país.

Particularmente eu acredito que não será feito absolutamente NADA a respeito e os fazendeiros, que têm todo o direito de defender seus interesses, desde que dentro dos limites legais, continuarão mandando e desmandando em outras "Juínas" Brasil afora.

domingo, 2 de setembro de 2007

Monkey Kick Off

Tempo livre? Querendo matar serviço?

Monckey Kick Off!

É divertido!

PS: Link já postado no blog que tirei do ar, mas meu novo recorde é superior ao antigo.

quinta-feira, 30 de agosto de 2007

OCC homenageia Oscar Niemeyer e Brasília

American Chopper é um dos reality shows que teve ótimos momentos, mas que atualmente não me atrai mais. Eu curtia assistir o programa pra verificar até onde iria o mau gosto dos donos da OCC (Orange County Choppers) quando criavam suas choppers, além da vida familiar dos donos da fábrica. Choppers são aquelas motos esquisitas, onde normalmente só cabe o piloto e mais ninguém, com o garfo comprido, aparentemente desconfortável de se pilotar, mas que ainda assim tem um certo charme.

Já faz alguns meses que parei de acompanhar as aventuras de Paul Senior, Paul Junior, Mike & Cia. Só fiquei sabendo que eles estariam no Brasil porque li algumas notas a respeito em alguns sites e mesmo assim não achei nada excepcional nisso. Porém, navegando pelo UOL, pude ver a moto que a OCC fez para homenagear Brasília.

Não é novidade que norte-americanos têm uma forte queda pelo kitsch. A OCC leva essa queda ao extremo em suas motos temáticas. Quem acompanha American Chopper sabe bem do que estou falando. Mas eles não conseguiram isso com a chopper que pretendia ser a cara de Brasília. Veja as fotos e perceba: faltaram na pintura da moto referências ao mar de lama que existe no Planalto Central, referências às malas de dinheiro e aos corruptos que circulam pela Praça dos Três Poderes, entre outras peculiaridades relativas à Capital Nacional.

O mais sacana nisso foi a desculpa esfarrapada para explicar a simplicidade da moto, se comparada com outras já realizadas pelos caras. Segundo a acessoria da OCC, a moto tem linhas simples como a arquitetura de Brasília, coisa que mostra o interesse deles pelo projeto, que usou fotos da cidade para servir como referência artística na concepção do modelo “100 anos de Oscar Niemeyer”.

O curioso é que eles ainda não sabem o destino da moto depois que a apresentarem no Brasília Music Festival Moto. Só espero que não doem para o Fome Zero nem deixem nas mãos do Lula. Apesar de feia, eu aceitaria a moto de bom grado.