quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Estômago


Eis aqui minha primeira vez no cinema. Tá, não apareço nem como personagem de mínima expressão, fui apenas figurante, mas serviu de experiência. Pude notar que fazer cinema, pra quem prefere resultados no curto prazo, é chato. E trabalhoso pra cacete (as filmagens foram realizadas há dois anos), para toda a equipe. Mas dá pra entender muito bem a razão que leva alguns atores a pirar depois de determinados papéis.

Como nunca se fecha uma cena em apenas um dia de filmagem, o ator precisa encontrar meios de permanecer com a essência do personagem sempre ativa até o próximo dia de trabalho. Isso implica em mergulhar profundamente no universo daquele ser que está sendo interpretado. Bom, se eu fosse ator (e acredito que os bons atores assim o façam) iria me tornar meu personagem até o último take do filme.

A parte técnica então é tão ou mais trabalhosa do que a imersão do ator em seu personagem. Cada detalhe em cena é meticulosamente analisado, pois numa tela de cinema qualquer pequena falha se torna gigante. Um exemplo: a cena na qual faço figuração se passa em um boteco pé-sujo. Porém a locação desse boteco era um bar real, que havia sido recém reformado. De tal forma, foi preciso maquiar o lugar para que parecesse sujo e velho. Cada figurante foi avisado para não esbarrar nas paredes azulejadas, pois a mesma havia recebido uma camada de “maquiagem” para dar a impressão de que estava engordurada. E toda vez que um cabeça de vento cometia o deslize de encostar na parede tinha que parar tudo e refazer a cena.

A cena em questão dura pouco mais de cinco minutos, mas levou-se mais de 5 horas para ser filmada. Pra piorar tinha gente da equipe do filme que se achava estrela de primeira grandeza e volta e meia tinha chiliquinhos. E em quem esse pessoal descontava a frustração? Nos figurantes, claro.

Mas apesar de não recebido um tostão pela participação como figurante (nem um mísero ingresso de cinema para assistir ao filme) fiz questão de alugá-lo agora que saiu em DVD e pude ver que o trabalho todo ficou muito bom. Aliás, o filme está bombando em diversos festivais mundo afora. Isso porque a história é simples, por vezes até clichê, mas muito bem contada.

Raimundo Nonato (clichê) sai do nordeste para o sudeste (clichê) para tentar vida nova (clichê). Chegando na cidade grande Raimundo precisa se virar para conseguir comida e abrigo.
Consegue isso trabalhando num boteco de quinta categoria, onde mostra possuir mão para a cozinha, pois consegue aumentar a freguesia do local devido ao sucesso de suas coxinhas. É nesse ambiente que ele conhece Íria, uma prostituta e se envolve com a mesma; e também conhece um dono de restaurante que, acreditando em seu potencial como cozinheiro, o convida para trabalhar consigo.
Só que a história não é linear. Começa com Raimundo Nonato chegando à prisão. Esse é o mote do filme: descobrir o que o pacato personagem fez para estar naquele ambiente, onde faz uso de suas habilidades culinárias para conseguir respeito e sobreviver.

E nas idas e vindas entre a rotina do presídio e o dia-a-dia de Nonato até sua condenação vemos muitas situações divertidas, sem esquecer que esse é um filme brasileiro, ou seja, tem lá sua dose de putaria e palavrões.

O saldo final de Estômago é um filme interessante, com um bom elenco e tecnicamente bem feito e isso você encontra na maioria dos blogs sobre o filme. Particularmente eu tinha uma razão pessoal para ver Estômago, mas depois de assistí-lo, percebi que realmente é um ótimo filme. Recomendo e aproveito para revelar que a maioria das locações são em Curitiba, quem é daqui identifica fácil alguns pontos da cidade no filme. :P

terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Novo Layout

2008 indo pra vala, mas ainda há um espacinho aqui para novidades. Eu sempre soube que o antigo banner era exagerado, mas era uma característica que tinha um propósito: deixar o visitante curioso sobre o que havia logo abaixo.

Como não atualizo esse blog com a freqüência necessária para criar essa curiosidade, aceitei a sugestão de The Batman e mudei (aliás, ele criou) o novo banner.

Ainda pode ser que role uma postagem fazendo a retrospectiva de 2008, mas isso fica pra mais tarde.

Adieu!

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

Chegaram!!!

Meu natal começou mais cedo esse ano. Hoje chegaram dois DVDs, presentes dados pela minha (mais que) perfeita esposa.





Sim! O melhor filme nacional dos últimos tempos, em sua versão original, porque pirataria é crime e eu não colaboro com essa prática. Mas o melhor vem a seguir...


Exato, pequeno gafanhoto!!! O melhor filme inspirado em quadrinhos de todos os tempos!!! Com uma camiseta e, apesar de não aparecer na imagem, uma caneca. E o DVD é duplo!!!

Não fiquem com inveja, afinal nem todo mundo tem a sorte de ser casado com uma mulher como a minha... Mas vocês podem continuar pedindo pra Santo Antônio uma parecida.

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Mais uma no país dos absurdos

A absolvição do "promotor" Thales Schoedl se firma como mais um capítulo esdrúxulo na história judicial do país. Os argumentos alegados para a definição são, no mínimo, ridículos. Quem, em sã consciência,parte pra cima de um cara que já deu dois disparos de alerta?

Leiam a reportagem da Globo.com e tirem suas próprias conclusões. Da minha parte, sinto vontade de encher isso aqui de palavras de baixo calão, mas manda o bom senso que eu seja comedido nesse sentido. Afinal, esse povo ligado ao Direito se julga acima do bem e do mal e sai processando quem estiver incomodando, com razão ou não.

Será que seria unanimidade se o sujeito fosse um pé-rapado qualquer? Será que comprariam a idéia de legítima defesa se fosse um operário da construção civil?

Vergonha de ser brasileiro.

domingo, 2 de novembro de 2008

Dicas e sugestões

Quando estive de molho em função da cirurgia, não podia fazer nada. Ou quase. Para diminuir o tédio, aproveitei para terminar a série Crônicas de Artur, que eu havia começado meses atrás e que até indiquei o primeiro livro aqui. Um tempo depois li O Inimigo de Deus, segundo livro e este é ainda melhor que o primeiro. Uma das melhores coisas dessa série é a maneira como Lancelot é retratado. Diferentemente daquilo que estamos acostumados, Lancelot não passa de um covarde e comete atos macabros e terríveis no decorrer da série. O Inimigo de Deus pode ser considerado O Império Contra-ataca de Bernard Cornwell nessa trilogia. Começa já embalado e termina deixando o leitor com muita vontade de começar a ler Excalibur, terceiro volume da série, que encerra a narração de Derfel Cadarn, companheiro de Artur e que nos serve como testemunha dos feitos de Artur e aqueles que o cercavam. Nesse terceiro volume Artur tenta se recuperar da traição sofrida no segundo volume e manter a união da Britânia, seu maior objetivo. Como nos dois primeiros volumes, o estilo narrativo de Cornwell nos prende em todas as batalhas e faz com que seja possível imaginar de maneira quase palpável o que se passou naqueles instantes sangrentos. E não dá pra deixar de imaginar o que um diretor competente poderia fazer utilizando os livros como roteiro para o cinema. Aliás, Artur não recebe um filme decente e digno desde Excalibur, de 1981. Eu recomendo os três livros.

Após ter devorado Excalibur, novamente estava eu sem ter o que fazer. Eis que surge minha superesposa com dois novos jogos para PS2: Shadow Of The Colossus e Lego Indiana Jones. Shadow é meio chatinho, mas Indiana Jones é muito, mas muito divertido. Tomando algumas liberdades com relação aos filmes originais, somos levados pelos cenários de todos os três e contamos com algumas passagens adicionais. O jogo é engraçado, gostoso de jogar, com gráficos bem feitos e que vicia, principalmente quem é fã do arqueólogo destruidor de relíquias. Cada personagem tem uma função específica, o que torna a jogabilidade ainda mais atraente.

Dias atrás, já recuperado, fui presenteado com um item inusitado: a guitarra para jogar Guitar Hero no PS2. Eis aqui uma série de jogos que entra para o rol de grandes idéias. Além de ser facilmente renovada, o lançamento de novos jogos tende a aumentar sempre o número de jogadores. O game que estou jogando é o Guitar Hero III: Legends of Rock, onde boa parte das músicas é conhecida do público, o que aumenta ainda mais o prazer de jogar. Grandes bandas de rock já perceberam no jogo a possibilidade de aumentar sua divulgação e renovar o número de fãs. Particularmente não vejo a hora, se é que essa vai chegar, de lançarem Guitar Hero: Queen.

sábado, 1 de novembro de 2008

Feliza Dia das Bruxas!

Tá, a data já passou e desejar felicidades nesse dia é coisa de paga-pau de americano. Porém, quando existe uma razão bem humorada pra isso, vale a pena...


Happy Halloween!!!

domingo, 26 de outubro de 2008

Buenos Aires - Final

Que raio de blogueiro é esse que promete uma série de postagens e demora esse tempo todo para finalizá-la? Esse sou eu, que volta e meia fico internado em hospital, fico sem computador e/ou sem conexão com a internet.

Mas deixemos de lado as desculpas e vamos finalmente finalizar meu paseio por Buenos Aires. E farei isso da maneira mais direta possível. Parei o post anterior na nossa segunda-feira em B.A. Na terça o programa era passear pelo Jardín Japonés, pelo Parque 3 de febrero, almoçar e dar uma passadinha no MALBA. Depois disso um pouco de compras e à noite conhecer um restaurante chamado Te Mataré Ramirez. Porém com os problemas que aconteceram durante a programação - Parque 3 de febrero fechado para reformas e o MALBA fechado (isso numa terça, diferente de qualquer museu que se preze, que fecha às segundas) - modificamos a agenda.

Fizemos mais um passeio pelos shoppings da cidade, compramos algumas quinquilharias, jantamos na pizzaria Piolla, muito boa, por sinal. Mas antes do jantar eu fiz questão de passar pela loja CAMELOT. Coisa de deixar muito nerd por aqui babando e sem saber por onde começar a comprar (isso se o bolso permitir). Tiramos algumas (pouquíssimas) fotos, que estão logo abaixo. A loja em si é minúscula, mas aluga outros espaços numa galeria para poder abrigar todo o acervo. Nesse caso, para quem aprecia essas coisas (quadrinhos, filmes e séries) dá pra tirar uma tarde inteira ali que vai certamente encontrar algo inusitado.

Clique nas imagens para ampliar






Na quarta, então, fomos ao MALBA, conhecemos de perto a obra Abaporu e outras instalações interessantes, mas infelizmente não é permitido fotos nesse museu (engraçado, me parece que nem no Louvre isso é proibido...), à noite fomos ao Te Mataré Ramirez, comida de excelente qualidade, num ambiente muito sofisticado e sensual. Nossa sorte foi que a garçonete era brasileira e me salvou de comer frutos-do-mar ou frango indicando um prato delicioso, mas que não lembro o nome agora, acompanhado por um ótimo vinho. Mas lembre-se: não é porque o vinho é argetino que ele é bom. Há de se saber escolher e o critério preço nem sempre é uma boa.

Como vocês puderam perceber, passamos longe dos típicos programas de índio de turistas que vão até Buenos Aires (show de tango, visita aos túmulos de Eva Perón e de Carlos Gardel) e tivemos sorte de não cruzar com as mães da Plaza de mayo, como eu comentei anteriormente. De qualquer forma, o balanço geral sobre Buenos Aires é o seguinte: a cidade já viveu tempos melhores. Nem mesmo os bairros mais ricos, com exceção de Puerto Madero, escaparam de uma decadência facilmente visível. As opções culturais são diversas, mas nada que precise de mais de 3 dias e 4 noites na cidade para aproveitar tudo. Apesar da fama, nenhum portenho veio cantando de galo pra cima da gente.

Além disso Buenos Aires tem a vantagem de não possuir um período de alta temporada, diferente de outros destinos escolhidos para passar uma lua-de-mel, como Gramado, que só um casal infeliz vai conhecer em pleno verão, por exemplo. De qualquer forma vá para lá despido de preconceitos alimentados pela mídia. Fazendo isso você se diverte e aproveita o que a cidade tem de melhor.

Nota para a viagem? 10, mas isso porque foi minha lua-de-mel e eu estava muitíssimo bem acompanhado; do contrário um 7,5 seria mais adequado.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

E ainda quer ser prefeita de São Paulo...


Lamentem moradores de São Paulo, lamentem!!! Acredito que o Kassab seja menos pior. Ao menos ele não saiu por aí pedindo pra população "relaxar e gozar".

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Pra relaxar

Toda cantada tem uma resposta, mas algumas vezes a réplica é ainda pior.

Cantada: Este lugar está vago?
Resposta: Está, e este aqui onde estou também vai ficar se você se sentar aí.
Réplica: Obrigado, estava mesmo precisando de dois lugares, minha noiva já está chegando!

Cantada: Então, o que você faz da vida?
Resposta: Eu sou travesti.
Réplica: Já tinha percebido! Você esqueceu de fazer o bigode!

Cantada: Será que eu já não te vi em algum lugar?
Resposta: Claro! Eu sou a recepcionista da clínica de doenças venéreas... Não se lembra?
Réplica: É isso mesmo! Você até me falou que estava pagando o seu tratamento com trabalho!

Cantada: A gente já não se encontrou em algum lugar antes?
Resposta: Já, e é exatamente por isso que eu não vou mais lá.
Réplica: Eu também nunca mais voltei, naquela zona só tem baranga.

Cantada: A gente vai para a sua casa ou para a minha?
Resposta: Os dois. Você vai para a sua casa e eu vou para a minha.
Réplica: Que pena! É que minha empregada foi embora e eu pensei que você pudesse ir lá em casa fazer uma faxina.

Cantada: Eu queria te ligar, qual é o seu telefone?
Resposta: Está na lista.
Réplica: Mas, eu não sei o seu nome.
Tréplica: Também está na lista, na frente do telefone.
X-plica: Mas qual é o anuncio? Acompanhantes ou Aluguel de tratores?


Agora sem réplica...

Cantada: Como eu queria ser esse sorvete!
Resposta: Além de ser fresco, quer ter o pau enfiado no rabo também?

Cantada: Se beleza desse cadeia você pegaria prisão perpétua.
Resposta: Se feíura fosse crime, você pegaria pena de morte.

Cantada : Gata, você é linda demais, só tem um problema: a sua boca tá muito longe da minha!
Resposta: Questão de higiene!

Cantada: Qual o caminho mais rápido pra chegar no seu coração?
Resposta: Cirurgia plástica, lavagem cerebral e uns 3 meses de malhação.

Cantada: Você é a mais bela das belas das flores, uma rosa. Quer florescer no meu jardim?
Resposta: Eu vou morrer de sede com o tamanho do seu regador...

Cantada : Eu não acreditava em amor a primeira vista. Mas quando te vi mudei de idéia.
Resposta: Que coincidência! Eu não acreditava em assombração...

Cantada: Você tem uma boca! Deve ter um gostinho... Posso provar?
Resposta: Pode... (cospe no chão e vira as costas)

Cantada : Se tivesse uma mãe como você mamaria até os 30 anos.
Resposta: Se eu tivesse um filho como você mandava pro circo!

Cantada: Nossa, não sabia que boneca andava!
Resposta: E eu não sabia que macaco falava!

Cantada: Oi, o cachorrinho tem telefone?
Resposta: Tem, porque? Sua mãe tá no cio?

Cantada: Eu quero me dar por completo pra você.
Resposta: Sinto muito, eu não aceito esmola.

Cantada : Se eu pudesse te ver nua, eu morreria feliz.
Resposta: Se eu pudesse te ver nu, eu morreria de rir.

Cantada: Está procurando boa companhia?
Resposta: Estou, mas com você por perto vai ficar muito mais difícil.

Pam parararã... Pam pam!

Serviço de utilidade pública

Leitores

Caso você tenha sido aliviado do fardo de possuir um veículo por algum amigo do alheio e deseje reaver seu automóvel, fique menos preocupado. A Polícia Rodoviária Federal possui em seu site um link onde você pode registrar a ocorrência e facilitar a recuperação do veículo.

Acesse DRPF e obtenha maiores informações.

Aproveite para divulgar esse serviço oferecido.

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Atraso na casa

O post final sobre a vaigem à Buenos Aires deve ficar pro próximo final de semana, por culpa de uma úlcera perfurada, que me colocou de molho desde a semana passada.

Corre tudo bem comigo, obrigado por perguntar. E assim que possível, volta tudo ao normal por aqui (outra vez).

domingo, 21 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 2

Saindo da Plaza de Mayo, fomos em direção ao Caminito, mítico bairro portenho, berço daquela dancinha que muita gente adora falar que é tudo de bom, mas que eu acho um porre. Aí temos mais um item interessante sobre a cultura Argentina: o tango originalmente era dançado apenas por homens. Então já temos um país cuja sede do governo é uma casa “rosada” e uma dança típica, segundo os apreciadores, muito sensual e que era dançada apenas por homens... Hmmm...

Até chegarmos ao Caminito, passamos por mais alguns monumentos “interessantes” sobre a história do país, vimos ao longe uma Igreja Ortodoxa Russa e passamos ao lado do famoso estádio do Boca Juniors, La Bombonera. Não chegamos a entrar no estádio, muito menos no museu existente lá.

Enfim chegamos ao tal do Caminito, região portuária às margens do Rio da Prata. Minha impressão: se o Pelourinho fosse argentino, seria daquele jeito. Na verdade não. Mas em função da quantidade de cores utilizadas nos barracos, eu não estranharia se um argentino chegasse falando mansamente “Que pasa, mi rey...”

A imagem que eu tinha desse local era diferente da que encontrei. Imaginava mais sujo e mal cuidado. Mas foi diferente. Tudo na mais perfeita ordem (ao menos o trajeto originalmente percorrido pelos turistas, pois do ônibus deu pra perceber diversos pontos que fugiam dessa regra). Por ter sido uma parada curta, a imagem que guardamos desse local foi muito positiva. O chato era aturar aquele bando de turista da terceira idade de outras excursões se engraçando para as dançarinas de tango que circulam pelo local. Deprimente.

Saindo do Caminito seguimos em direção ao novíssimo bairro Puerto Madero, ainda na região portuária, mas a diferença entre esse bairro e o Caminito, além do valor estratosférico do metro quadrado (US$3.000,00), é o fato de ser muito mais limpo e chique. O bairro é, de longe, aquilo que se esperava de toda a cidade de Buenos Aires: limpo, bonito e seguro. Pena que essas qualidades não se aplicam à cidade como um todo, exceto pela segurança, uma vez que em raros locais nos sentimos desprotegidos, ainda que o número de moradores de rua seja grande.

Porém, antes de chegarmos a Puerto Madero, passamos por algumas favelas, que em nada devem às favelas brasileiras, exceto o fato de que seus habitantes hablam español. Mas curiosamente essas favelas lá são as “bichas”. Hmmm... Casa Rosada, tango dançado por homens, bichas como favelas. Ta dando pra entender muito bem essa proximidade que o povo gaúcho quer ter com o povo argentino.

Mas voltemos ao passeio.

Depois de Puerto Madero seguimos em direção do shopping Paseo Alcorta, no bairro Palermo, onde finalizamos o city tour e almoçamos. Foi aí onde começamos a jornada de bate-perna por Buenos Aires. Fomos verificar se havia veracidade nos rumores que ouvimos sobre os preços caros dos produtos argentinos. Sim, eram caros. Aliás, na mesma faixa de preço que seus similares brasileiros, mas com um problema: se comprados, teriam que ser trocados antes de voltarmos ao Brasil. Dessa forma, não realizamos compras de itens que poderiam gerar esse problema.

Voltamos ao hotel no final do dia, com o objetivo de manter a agenda, que para a segunda-feira previa passeio mais detalhado em Puerto Madero e jantar no Siga La Vaca e em seguida uma passada no Casino Cirsa.

Sobre o Siga La Vaca só digo uma coisa: evite. Evite porque nós ouvimos duas opiniões divergentes sobre o local, mas uma foi dita por uma pessoa que efetivamente jantou no local e nos sugeriu deixar passar a oportunidade e outra por uma pessoa que não chegou a entrar no restaurante em função da fila que havia para comer lá, ou seja, não experimentou a droga da comida oferecida e ficou mais com a imagem positiva pela situação do que com a imagem realista do restaurante. A carne é sonsa, você deve temperá-la no seu prato e, por mais que o litro de bebida individual e a sobremesa esteja incluso no preço do jantar, prefiro mil vezes o churrasco de final de semana na casa do meu pai do que aquilo que eles chamam de “autentica parrilla argentina”.

Com relação ao cassino, outra decepção. Eu imaginava o ambiente muito mais divertido do que aquilo que presenciamos. O ar dentro do local era algo tão denso que dava pra cortar com faca. Não pela fumaça dos cigarros, mas pela energia negativa que emanava das pessoas. A vantagem é que no cassino você só paga se efetivamente gastar, não há preço de entrada. Chegamos a jogar um pouco, mas nada interessante ou próximo daquilo que esperávamos. Nos restava apenas voltar para o hotel e esperar que a terça-feira fosse mais divertida.

Continua...

domingo, 14 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 1

Recém casado e recém chegado de lua-de-mel, pessoal! Posso dizer que agora o negócio aqui volta ao normal e a primeira coisa que gostaria de fazer é um relato turístico. Vejam abaixo qual foi minha impressão sobre Buenos Aires (em partes).

A Re havia pesquisado algumas informações úteis para que a viagem corresse a contento e uma das coisas que foram frisadas nas comunidades do Orkut relativas a Buenos Aires era a necessidade de fazer proteção das bagagens antes do embarque, pois diversos foram os relatos de malas cujo conteúdo fora subtraído. Não sei dizer se isso acontece nos aeroportos daqui ou nos de lá. De qualquer forma essa precaução foi tomada.

Pousamos no Aeroporto Internacional de Ezeiza por volta das 15:30 do dia 7 de setembro. Fila da imigração, carimbos nos passaporte, troca de dólares por pesos no Banco de La Nación (conforme recomendado) e o primeiro imprevisto. A agência de turismo que era responsável pela nossa viagem retirou, por motivos que não descobrimos, nossos nomes da reserva no hotel onde ficaríamos. Felizmente resolveram o problema rapidamente e nos alocaram no Hotel Principado, melhor do que o que estava programado inicialmente. Se bem que a Re não gostou muito do quarto. Pra mim, como aquilo seria apenas pra dormir, estava de bom tamanho. O importante foi que esse hotel estava muito bem localizado e ficava relativamente perto de todos os locais que tínhamos programado conhecer.

Após o check-in e subida ao quarto, fomos ao shopping Buenos Aires Design de decoração (escolha da Re) e fizemos as primeiras compras. Nesse mesmo Shopping fica o Hard Rock Café Buenos Aires, mas nem um moletonzinho básico deu vontade de levar, pois os preços estavam extorsivos. Do shopping saímos em direção ao bar Locos por el Fútbol. Comida deliciosa, experimentei uma Quilmes (muito boa, por sinal) e retorno ao hotel. Para primeiro dia, as expectativas estavam a contento, exceto pelos preços de algumas coisas, que eu imaginava ser menor. A cotação aproximada do real em relação ao peso era de aproximadamente R$ 1,00 para AR$ 1,70. Ou AR$ 1,00 = R$ 0,57. Algo por aí...

Segunda-feira estava programado um tour pela cidade. Foi o único passeio que fizemos com guia turístico e valeu para balizar se a programação criada aqui em Curitiba poderia ser seguida ou se precisava ser revista. O passeio começou pelo centro novo de Buenos Aires, área de prédios novos, sede de companhias multinacionais e algo muito sem graça, pois isso se vê em qualquer lugar do mundo, em qualquer grande cidade.

Seguimos então para a sede do poder argentino: a Casa Rosada. Antes de chegarmos à Plaza de Mayo, passamos por diversas outras, incluindo uma que relembra aos argentinos a surra que eles levaram em 1982, quando resolveram cutucar a Inglaterra com vara curta por causa daquelas ilhas onde só moram pingüins... O bacana é que foi aí que meu preconceito para com os portenhos começou a diminuir, pois a guia não passou a imagem que muitos temos dos argentinos: a de um povo babaca, que se acha pra cacete. Na verdade não vi nenhum argentino com pose de pavão, pra ser bem sincero.

A Plaza de Mayo, por motivos de controle de manifestações (que ultimamente são quase diárias em Buenos Aires), tinha cercas de metal com quase dois metros de altura. Felizmente não cruzamos com as mães da praça de maio, pois as tias só aparecem nas quintas.

Tiramos as obrigatórias fotos em frente à Casa Rosada (que na verdade não é tão rosada assim) e fomos conhecer a primeira igreja da cidade, La Catedral Metropolitana, local que em nada lembra a idade que tem, pois sua arquitetura externa não se parece com uma catedral. Nessa igreja ficam os restos mortais de Don José de San Matin, libertador da Argentina (ou seja, o D. Pedro I deles).

Continua...

domingo, 24 de agosto de 2008

Sem assunto

E sem paciência pra buscar novidades ou temas para comentar. Dentro de duas semanas serei um homem casado e a correria em função disso está muito grande. Depois da lua-de-mel ainda teremos outras coisas a resolver e só em outubro as coisas devem voltar ao normal. Até lá os posts serão em doses homeopáticas (isso quando houver dose homeopática).

Até lá, deixo vocês, meus 3 leitores fiéis, com o pessoal da lista ao lado, que provavelmente tem coisas interessantes enquanto estou de molho.

domingo, 3 de agosto de 2008

Cinco Filmes

Alguns meses atrás The Batman me colocou num fria: escolher 5 filmes que são bons (ainda que apenas na minha opinião), mas que não caíram nas graças do público ou da crítica. Como eu sou um cinéfilo meio com o pé atrás, dificilmente me meto a assistir um filme que não tenha sido recomendado por algum crítico (de preferência um que não se julgue o deus do cinema encarnado) ou por algum amigo que tenha gostos similares aos meus.

Eis minha lista:


Quando assisti a esse filme pela primeira vez, o fiz por pura falta do que fazer. Não peguei o VHS (ainda era início da década de 90) acreditando que seria divertido entrar no mundo maluco das histórias do Barão, mas me tornei um fã tanto da estética como da história em si. Vale também pela presença da iniciante Uma Thurman, deslumbrante com sua beleza. Outra curiosidade: o diretor do filme, Terry Gilliam, está no momento em pós-produção do último filme realizado por Heath Ledger, The Imaginarium of Doctor Parnassus.


Esse aqui é mais conhecido pela trilha sonora do que pelo filme em si. Demorei um tempão até assistir ao filme (a primeira vez foi em 1998), quando zapeava pela TV a cabo e me deparei com essa pérola no TNT. Admito que a primeira vez que assisti achei o filme um porre, mas fui até o fim por teimosia. Mês passado resolvi alugar o filme, a fim de assistí-lo desde o início. Aí posso dizer que as coisas mudaram de figura. Curti o visual, os efeitos especiais artesanais (ainda mais para um filme pós Guerra nas Estrelas) e, claro, a trilha sonora. Apesar de algumas passagens cujo teor sexual seja gritante, o filme é ingênuo na maior parte do tempo, com um roteiro simples e cheio de furos, mas que não estraga a diversão de quem está apenas querendo desligar o cérebro e curtir um filme pipocão.


Esse filme assisti por indicação de críticos. Um filme de espionagem e intrigas, com mais cérebro do que adrenalina e que, justamente por isso, figura nessa lista. O elenco é de primeira e torna a experiência de assistir a esse filme algo prazeroso. Geoffrey Rush em um de seus melhores papéis. Se Flash Gordon não exige nada em termos de inteligência, O Alfaiate do Panamá põe ordem na casa e serve como um ótimo programa para aqueles dias que você quer algo com conteúdo.


Produção nacional de 1985, muito aclamada mundo afora, mas que em sua terra natal não recebeu o reconhecimento do público. Assisti totalmente sem querer, quando zapeava pela TV e minha noiva pediu para que eu visse se era o filme que ela imaginava ser. Sim, era. Ela já havia assistido e como temos uma certa queda por algumas coisas relativamente trash, deixamos rolar. E não é que o filme é bom? Conta a história de uma mulher de baixa escolaridade, com péssimos hábitos de higiene e que escuta a Rádio Relógio como passatempo preferido, que trabalha como datilógrafa em uma empresa e que sonha com uma vida melhor. O roteiro é mais batido do que roupa na máquina de lavar, mas ainda assim consegue te prender até o fim, pois você vai querer saber como Macabea sai da sua vida sofrida de retirante. O melhor: apesar da história ser tipicamente brasileira, não rola sexo ou nudez desnecessária. Ou seja, uma produção pobre, mas limpinha.


Filme de 1990, com elenco de jovens astros em início de carreira. Normalmente eu gosto de bons filmes de guerra, ainda mais se ambientados na Segunda Grande Guerra, no teatro de operações europeu. Baseado em um evento histórico real, que retrata a 25ª e última missão da tripulação do B-17 do título, o filme é mais emotivo do que documental. Porém isso não tira o prazer de assistí-lo. Não é nenhum Resgate do Soldado Ryan, mas fica difícil não torcer para o pessoal do Memphis sair ileso da última grande missão antes do retorno para casa. O filme garante a diversão para aqueles que gostam de ver os mais belos aviões de todos os tempos singrando os céus em grandes batalhas, afinal aqueles que não têm interesse em aviação esquecem dele com a mesma facilidade com que esquece o que comeu no café da manhã.

Eis a minha lista, cumpri com o solicitado pelo Marlo e posteriormente reforçado pelo Chang, porém não tenho uma lista de cinco blogueiros para colocar na roleta e assim solicitar as suas cinco produções que merecem menção. Dessa forma, jogo a batata para meu padrinho e camarada Sérgio e para minha noiva Re, que precisa tirar o pó de seu blog, que há muito não vê material novo por lá...

sábado, 19 de julho de 2008

Batman - The Dark Knight


Tudo aquilo que você esperava desse filme é verdade. O maior incoveniente é quando ele termina e você percebe que será difícil manter a bola no alto, pois um trabalho hercúleo se fará necessário para escrever um roteiro tão bom e ser mostrado de maneira tão espetacular como Christopher Nolan fez nesse filme.

Não tem resumo da história, não tem spoiler, não tem comentários sobre as atuações ou aspectos técnicos. Você já leu sobre esses pontos em diversos sites. A única coisa que eu faço aqui é endossar o coro dos hipercontentes e dizer que TDK é tudo aquilo que os filmes da Marvel gostariam de ser e tudo aquilo que os demais filmes que a DC vai rodar precisam ser. O patamar que TDK alcançou é elevadíssimo e serve de parâmetro para mostrar que filmes baseados em quadrinhos podem sim ter conteúdo e manter um ritmo alucinante.

Aliás, vou abrir parênteses aqui: Heath Ledger está muito bem como o Coringa, mas Aaron Eckhart está muito melhor como Harvey Dent. Encheram demais a bola do Ledger e esqueceram de enaltecer o quanto Eckhart contribui para o excelente resultado final do filme. Benefícios que uma morte precoce rende (se é que isso pode ser considerado benefício...).

A nota é 9,8 e você vai assistir a esse filme sem sentir o tempo passar. Vale cada centavo gasto para ver e rever quantas vezes quiser. E que venha o terceiro!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Cataratas do Iguaçu disputam posto de maravilha natural do mundo

da France Presse, em Buenos Aires

As imponentes cataratas do Iguaçu, cartão-postal compartilhado por Brasil e Argentina, estão entre as candidatas a uma das sete novas maravilhas da natureza. Para ganharem o título, precisam de cerca de 20 milhões de votos pela internet (www.votenascataratas.com), na campanha organizada por uma fundação particular.

Os promotores da campanha querem "um novo prêmio que terá grande repercussão entre os visitantes" das cataratas, disse seu ideólogo, o brasileiro Gilmar Antonio Piolla, superintendente de comunicação social da Itaipu Binacional.

As famosas quedas d'água sobre o rio Iguaçu foram declaradas Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1984.

Situadas no meio da selva, com uma flora e fauna exuberantes, as cataratas são uma das maiores atrações turísticas da América do Sul. Segundo dados oficiais, a previsão é que 1,1 milhão de pessoas visitem o lugar do lado argentino, em 2008.

As cataratas, que ficam a 24 km do centro da cidade brasileira de Foz do Iguaçu (contando até a entrada do parque) e a 17 km da argentina Puerto Iguazú, são formadas por 275 quedas em forma de ferradura, em um arco de três quilômetros.

As quedas são cercadas por um parque natural de 252 mil hectares, que se estende pelo território de ambos os países. Assim, os turistas podem admirá-las com vista panorâmica do Brasil e se aproximar, até quase tocar a água, da Argentina. Pode-se avançar por uma passarela até muito perto da Garganta do Diabo, a queda mais imponente, de 80 metros de altura.

O espetáculo hipnotiza os visitantes, com a violência da queda d'água que produz uma névoa permanente, com a qual os raios solares compõem arco-íris.

A região foi habitada pelos guaranis, um dos povos originários do Paraguai e do nordeste da Argentina, que foram catequizados no século 17 por missões jesuítas.

As quedas caem sobre o rio Iguaçu, que em guarani significa 'águas grandes'. Suas águas nascem no sul do Brasil e desembocam no argentino rio Paraná.

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Eu já votei nas Cataratas e em mais 3 outros locais brasileiros que merecem figurar entre as 7 Maravilhas Naturais do Mundo. Se você não teve a mesma oportunidade que eu, que estive pelo menos 4 vezes em Foz do Iguaçu, assista a um belíssimo vídeo nas Cataratas, que colocam as famosas Niagara Falls no chinelo.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Contagem regressiva

Prezados

Estou aguardando ansiosamente (como muitos de vocês) pela chegada do dia 18. Vou correr para comprar os ingressos da pré-estréia, para poder comentar sem vícios de outros blogs e veículos especializados, como fiz com o bom e velho Indy.

A vantagem, dessa vez, é a certeza de um filme muito próximo da perfeição.

Até lá, aproveitem para descer a lenha ou apoiar as opiniões desse humilde escritor. Os posts anteriores estão aguardando sua participação.

Por fim: "you can run, but you can not hide".

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tropa de Elite Reloaded

Não se trata de notícias sobre uma eventual continuação do melhor filme nacional dos últimos anos. Na verdade o que me levou a falar sobre Tropa de Elite novamente foi o fato de ter recebido de uma colega um texto escrito na época que o filme ainda estava na boca do povo.

O importante nesse texto foi o fato de que existem outras faces do crime organizado que podem ser exploradas em mais filmes, contribuindo para o aumento da discussão que levará esse país a um patamar mais aceitável de qualidade de vida. E digo em mais filmes porque a pirataria sofrida por Tropa comprovou que o povão acaba correndo atrás daquilo que lhe proporciona entretenimento.

É bem verdade que a linguagem para atingir a cabeça dos “descamisados” é bem diferente daquela que os intelectuais preferem. Mas quem leu meu último post sabe o que penso sobre botar cultura na mesa do povão.

Como não estou escrevendo para pessoas que mal terminaram o ensino básico, vamos ao que interessa. Inicialmente vou descer a lenha de leve no contexto do material que recebi. Basta dizer que é fruto de pessoas que se preocupam em demasia em defender os pobres. Preocupar-se com os pobres é algo nobre e necessário, mas fazer isso de maneira menos apaixonada e menos embasada em teorias que já se mostram ineficientes pode aumentar a quantidade de pessoas que apóiam sua visão de mundo. Ou alguém em sã consciência ainda acredita que o Comunismo é a chave para os males do Capitalismo? Ao menos o Capitalismo ultimamente anda tirando muita gente da miséria, ao passo que o Comunismo continua impondo à população ainda sob esse regime uma vida cheia de privações.

Ideologias à parte, o texto do sr. Vito Giannotti, com citações de uma entrevista concedida por Adriano Oliveira ao jornal O Globo em outubro do ano passado, traz uma lista de pessoas cujo péssimo caráter serviria para escrever roteiros e mais roteiros de filmes sobre essa chaga brasileira chamada Segurança Pública. A violência nos grandes centros (e que está cada vez mais próxima das pequenas cidades do interior) é algo que beneficia os verdadeiros e poderosos traficantes, segundo os senhores supracitados, os quais estão entre juízes que vendem sentenças, advogados entrelaçados intimamente com atividades criminosas, sobretudo ao tráfico de drogas; empresários especializados em lavagem de dinheiro, políticos e funcionários públicos das mais diversas instituições e escalões, desde um simples investigador da Polícia Civil ao mais alto delegado da Polícia Federal. Quero enfatizar que os responsáveis por essa teoria são os senhores Vito Giannotti e Adriano Oliveira, que em sua defesa apaixonada do favelado, do pobre, dos marginalizados, voltam suas armas para pessoas que estão em diversos postos importantes do sistema sócio-econômico-jurídico-político nacional.

Fica difícil afirmar que eles têm um fundo de razão. Os "Lalaus" e "Garotinhos" da vida estão aí para reforçar esse ponto de vista. Mas daí a querer crucificar os policiais que cumprem seu dever doa a quem doer é querer que as coisas se ajeitem sem esforço. Não é necessário que pessoas ditas de bem, que eventualmente moram em favelas, sofram os abusos por parte de quem deveria lembrar qual é seu lema e dever: “Servir e Proteger”. Mas criticar apenas por criticar não resolve nenhum problema. Apenas aumenta a animosidade entre os pólos dessa disputa. Além de criticar, esses intelectualóides de esquerda deveriam propor sugestões para que os cidadãos trabalhadores, que moram em lugares onde o crime se prolifera, possam melhorar suas condições de vida. Mas como é mais fácil ficar apontando o rabo dos outros, essas pessoas preferem ficar no conforto de suas vidinhas ao invés de efetivamente trabalhar para o bem-estar geral.

Caso você tenha chegado até aqui e queira tirar suas próprias conclusões sobre o material que recebi dessa colega, seguem os mesmos abaixo. E eu agradeceria muito se houvesse uma opinião de sua parte nas espinafradas.

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Pesquisador da UFPE lança livro "Tráfico de drogas e crime organizado – peças e mecanismos": a melhor base científica para discutir Tropa de Elite

[Por Vito Giannotti] O Globo,de 28/10 nos traz uma rara e grata surpresa. Traz uma entrevista com Adriano Oliveira que é um maná para quem quer entender a desgraça político-ideológica que representa o filme Tropa de Elite.

Em síntese mostra que o problema não começa e nem acaba nas favelas das nossas cidades. Ele desvenda, como resultado de suas pesquisas, sintetizadas em sua tese, o que todos estão cansados de saber, mas que não foi mostrado e nem insinuado naquele filme.

No artigo que escrevi para o Brasil de Fato (www.brasildefato.org.br), do dia 24 de outubro, falava exatamente das mesmas coisas das quais fala Adriano. Ele fala dos grandes traficantes, dos verdadeiros chefões interessados em que o tráfico não acabe e, conseqüentemente, a droga não seja descriminalizada: juízes que vendem sentenças, advogados totalmente entrelaçados com esta atividade criminosa, empresários especializados em lavagem de dinheiro e funcionários estatais de vários escalões e todo tipo de policias, da civil, passando pela militar até chegar à federal. Enquanto isso, o Tropa de Elite ensina a cantar o hino do extermínio dos que moram em favelas: "Homens de preto quando entram na favela – é pra deixar corpo no chão". Leiam em O Globo, de 28/10, na página 15/País, a entrevista de Adriano Oliveira.

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Cinema
Para o filme Tropa de Elite, “favelado bom é favelado morto”

[Por Vito Giannotti]

“Homens de preto, qual é sua missão? É entrar na favela e deixar corpo no chão”. Começo este artigo copiando a abertura de outros dois artigos dos que mais gostei no mar de análises sobre o filme Tropa de Elite. Claudia Santiago e Ivan Pinheiro iniciam seus textos reproduzindo o refrão cantado pelo Bope nos seus treinamentos. É nele, exatamente, que está a linha geral do filme que, independentemente das intenções do produtor e dos atores, é um hino ao Bope (Batalhão de Operações Especiais que atua nas favelas do Rio). Neste refrão, está a mensagem central do filme.

Discute-se muito se o filme é de direita, se é fascista ou nazista. Para mim, ele contribui para consolidar, entre a população, a idéia de legitimidade das ações policiais que exterminam pobres e moradores de favelas no Rio de Janeiro. E faz isto no momento em que militantes de direitos humanos travam, na cidade, uma luta para pôr fim a esta violência. Fruto desta batalha, inclusive, foi criada, a Rede Nacional de Jornalistas Populares que, em seu lançamento, contou com a presença da mãe de uma das vítimas da violência policial.

Ou seja, independentemente da vontade de seus executores, o filme serve muito bem às idéias que a direita semeou: todo pobre é perigoso, é ladrão, é bandido. Todos. Basta ser pobre, de preferência negro, para ser, no mínimo, suspeito.

Se a missão do Bope é “entrar na favela e deixar corpo no chão”, a mensagem que o filme passa é que na favela só tem criminoso, assassino, traficante a ser deixado no chão. Esta é a primeira, a segunda, a terceira, a quarta idéia do filme. É a idéia mais nociva.

Ivan Pinheiro, ao final do seu artigo propõe uma interpretação, com a qual estou de acordo, sobre o resultado ideológico–político do filme: “Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.”

Um festival de idéias de direita

Há um hábito, no Brasil, de quase ninguém se assumir como de direita. Hoje, este costume se reforça com a balela de que direita e esquerda não existem mais. Acabou tudo. O filme nos mostra que, ao contrário, a diferença entre direita e esquerda está mais viva do que nunca.

Tropa de Elite não só apresenta, através da narrativa da filosofia do Bope, um grande quadro de idéias de direita, como as mostra de maneira simpática, dinâmica e as justifica. O público, obviamente, se comove com o policial com síndrome de pânico, embora este seja torturador de homens, crianças e mulheres e assassino. E se encanta com aquele que reconhece a miopia do menino. Se é tão bom, é possível compreendê-lo quando se transforma devido a perda do amigo, que queria ajudá-lo, em assassino e torturador. Então justifica a barbaridade dos homens de preto que têm como missão “entrar na favela e deixar corpo no chão”.

Ou seja, não interessa se de propósito ou não, o filme faz campanha e reforça, no coração e na mente de milhões, idéias contra as quais a esquerda de bateu há séculos.

No artigo de Claudia Santiago há um roteiro de algumas das idéias altamente nocivas do filme. Ela afirma: “Os membros do Bope são mostrados como heróis incorruptíveis, dispostos a combater o crime a qualquer custo, mesmo que este custo seja `esculachar moradores`, condenar sem julgamento, torturar crianças e companheiras de traficantes e matar”. Para ela, a prática da tortura, da pena de morte aplicada de maneira informal, a ridicularização da luta pelos direitos humanos são algumas das várias lições de direita que este filme dá aos espectadores. A culpa do tráfico jogada em jovens estudantes “maconheiros”, sem procurar os grandes responsáveis pelo tráfico que não querem que ele acabe é outro ponto forte do filme.

Um ponto de vista que defende o extermínio dos moradores de favelas

O filme faz sucesso por dois motivos:

. Trata do tema que mais preocupa a sociedade brasileira: a violência e a segurança.

. Retrata e reproduz as idéias dominantes da sociedade sobre a favela, os pobres, os negros, ideologia espalhada pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação de direita nacional: Folha de S. Paulo, O Estadão, O Globo e Veja.

A capa desta revista, no seu número 2030, de 17/10, não deixa dúvidas sobre o caráter do filme. A manchete é “Pegou geral”. Em seguida, Veja nos esclarece com a seguinte legenda: “O filme Tropa de Elite é o maior sucesso de nossa história porque trata bandido como bandido e mostra usuário de droga como sócio dos traficantes”.

Esta mensagem, que tanto agrada à revista, não é novidade. Não foi o José Padilha quem as inventou. Sempre se falou que “Bandido bom é bandido morto”. Sempre, entre a classe dominante, desde o tempo da Casa Grande e da Senzala, existiu o pavor-pânico das “classes perigosas”, isto é, dos pobres. Sempre se confundiu pobre com criminoso. São idéias que têm origem na tradição secular de uma sociedade escravocrata dividida entre a Casa Grande e a Senzala. O que o filme faz é simplesmente reforçar toda esta ideologia.

Há várias falas e imagens, ao longo do filme que consagram a idéia de que a favela é lugar de bandido: “O farda preta entra na favela para matar”, se ouve lá pelas tantas. Sim, matar. Matar a quem? Lógico, aqueles bandidos favelados.

O filme esconde a raiz da guerra do tráfico

Desde as primeiras cenas aparece a tal “guerra”. Guerra de quem contra quem? A quem interessa esta guerra? Por que não se acaba com esta guerra? A única solução que o filme aponta é o extermínio. De quem? Dos generais desta guerra? Não. Não há chefões, não há gente interessada em não acabar com esta guerra. Ela existe e ponto final.

Quem disse que esta guerra precisa existir? Não há outras hipóteses? Não há a possibilidade das “drogas serem vendidas em drogarias”? Não há a possibilidade, através da liberação, de acabar com o tráfico e com esta guerra? Há muita gente que acha que assim diminuiria o uso de drogas.

Já se tentou imaginar uma sociedade sem tráfico... sem corrupção policial, sem armas contrabandeadas, sem propinas para advogados e juizes? E, sem tráfico de drogas, como ficaria a lavagem de dinheiro praticada por muitas empresas? Outra pergunta: O tráfico é coordenado por quem? Será que os chefes do exército do tráfico são aqueles garotos de olhos esbugalhados que ficam lá no alto dos morros dando tiros sem saber em quem e pra quê?

O filme não fala nada sobre esta parte da realidade. Então, não venham me dizer que o filme refletiu a realidade. Não. Refletiu a parte da realidade que queria ver. A outra foi deixada no escuro e não vai ser vista por quem o assistir.

A imagem que fica é a do morador de favela, traficante. Este tem que morrer, porque, os heróis que o filme apresenta para nossa sociedade idolatrar, os Bope, vestidos de preto, continuam cantando que sua “missão é entrar na favela e deixar corpo no chão.” Corpo de pobre, evidentemente. Não daqueles que vivem da guerra dos meninos do tráfico contra os homens de preto, que rende bilhões de dólares anuais para os verdadeiros chefões do tráfico.