domingo, 21 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 2

Saindo da Plaza de Mayo, fomos em direção ao Caminito, mítico bairro portenho, berço daquela dancinha que muita gente adora falar que é tudo de bom, mas que eu acho um porre. Aí temos mais um item interessante sobre a cultura Argentina: o tango originalmente era dançado apenas por homens. Então já temos um país cuja sede do governo é uma casa “rosada” e uma dança típica, segundo os apreciadores, muito sensual e que era dançada apenas por homens... Hmmm...

Até chegarmos ao Caminito, passamos por mais alguns monumentos “interessantes” sobre a história do país, vimos ao longe uma Igreja Ortodoxa Russa e passamos ao lado do famoso estádio do Boca Juniors, La Bombonera. Não chegamos a entrar no estádio, muito menos no museu existente lá.

Enfim chegamos ao tal do Caminito, região portuária às margens do Rio da Prata. Minha impressão: se o Pelourinho fosse argentino, seria daquele jeito. Na verdade não. Mas em função da quantidade de cores utilizadas nos barracos, eu não estranharia se um argentino chegasse falando mansamente “Que pasa, mi rey...”

A imagem que eu tinha desse local era diferente da que encontrei. Imaginava mais sujo e mal cuidado. Mas foi diferente. Tudo na mais perfeita ordem (ao menos o trajeto originalmente percorrido pelos turistas, pois do ônibus deu pra perceber diversos pontos que fugiam dessa regra). Por ter sido uma parada curta, a imagem que guardamos desse local foi muito positiva. O chato era aturar aquele bando de turista da terceira idade de outras excursões se engraçando para as dançarinas de tango que circulam pelo local. Deprimente.

Saindo do Caminito seguimos em direção ao novíssimo bairro Puerto Madero, ainda na região portuária, mas a diferença entre esse bairro e o Caminito, além do valor estratosférico do metro quadrado (US$3.000,00), é o fato de ser muito mais limpo e chique. O bairro é, de longe, aquilo que se esperava de toda a cidade de Buenos Aires: limpo, bonito e seguro. Pena que essas qualidades não se aplicam à cidade como um todo, exceto pela segurança, uma vez que em raros locais nos sentimos desprotegidos, ainda que o número de moradores de rua seja grande.

Porém, antes de chegarmos a Puerto Madero, passamos por algumas favelas, que em nada devem às favelas brasileiras, exceto o fato de que seus habitantes hablam español. Mas curiosamente essas favelas lá são as “bichas”. Hmmm... Casa Rosada, tango dançado por homens, bichas como favelas. Ta dando pra entender muito bem essa proximidade que o povo gaúcho quer ter com o povo argentino.

Mas voltemos ao passeio.

Depois de Puerto Madero seguimos em direção do shopping Paseo Alcorta, no bairro Palermo, onde finalizamos o city tour e almoçamos. Foi aí onde começamos a jornada de bate-perna por Buenos Aires. Fomos verificar se havia veracidade nos rumores que ouvimos sobre os preços caros dos produtos argentinos. Sim, eram caros. Aliás, na mesma faixa de preço que seus similares brasileiros, mas com um problema: se comprados, teriam que ser trocados antes de voltarmos ao Brasil. Dessa forma, não realizamos compras de itens que poderiam gerar esse problema.

Voltamos ao hotel no final do dia, com o objetivo de manter a agenda, que para a segunda-feira previa passeio mais detalhado em Puerto Madero e jantar no Siga La Vaca e em seguida uma passada no Casino Cirsa.

Sobre o Siga La Vaca só digo uma coisa: evite. Evite porque nós ouvimos duas opiniões divergentes sobre o local, mas uma foi dita por uma pessoa que efetivamente jantou no local e nos sugeriu deixar passar a oportunidade e outra por uma pessoa que não chegou a entrar no restaurante em função da fila que havia para comer lá, ou seja, não experimentou a droga da comida oferecida e ficou mais com a imagem positiva pela situação do que com a imagem realista do restaurante. A carne é sonsa, você deve temperá-la no seu prato e, por mais que o litro de bebida individual e a sobremesa esteja incluso no preço do jantar, prefiro mil vezes o churrasco de final de semana na casa do meu pai do que aquilo que eles chamam de “autentica parrilla argentina”.

Com relação ao cassino, outra decepção. Eu imaginava o ambiente muito mais divertido do que aquilo que presenciamos. O ar dentro do local era algo tão denso que dava pra cortar com faca. Não pela fumaça dos cigarros, mas pela energia negativa que emanava das pessoas. A vantagem é que no cassino você só paga se efetivamente gastar, não há preço de entrada. Chegamos a jogar um pouco, mas nada interessante ou próximo daquilo que esperávamos. Nos restava apenas voltar para o hotel e esperar que a terça-feira fosse mais divertida.

Continua...

domingo, 14 de setembro de 2008

Buenos Aires - Parte 1

Recém casado e recém chegado de lua-de-mel, pessoal! Posso dizer que agora o negócio aqui volta ao normal e a primeira coisa que gostaria de fazer é um relato turístico. Vejam abaixo qual foi minha impressão sobre Buenos Aires (em partes).

A Re havia pesquisado algumas informações úteis para que a viagem corresse a contento e uma das coisas que foram frisadas nas comunidades do Orkut relativas a Buenos Aires era a necessidade de fazer proteção das bagagens antes do embarque, pois diversos foram os relatos de malas cujo conteúdo fora subtraído. Não sei dizer se isso acontece nos aeroportos daqui ou nos de lá. De qualquer forma essa precaução foi tomada.

Pousamos no Aeroporto Internacional de Ezeiza por volta das 15:30 do dia 7 de setembro. Fila da imigração, carimbos nos passaporte, troca de dólares por pesos no Banco de La Nación (conforme recomendado) e o primeiro imprevisto. A agência de turismo que era responsável pela nossa viagem retirou, por motivos que não descobrimos, nossos nomes da reserva no hotel onde ficaríamos. Felizmente resolveram o problema rapidamente e nos alocaram no Hotel Principado, melhor do que o que estava programado inicialmente. Se bem que a Re não gostou muito do quarto. Pra mim, como aquilo seria apenas pra dormir, estava de bom tamanho. O importante foi que esse hotel estava muito bem localizado e ficava relativamente perto de todos os locais que tínhamos programado conhecer.

Após o check-in e subida ao quarto, fomos ao shopping Buenos Aires Design de decoração (escolha da Re) e fizemos as primeiras compras. Nesse mesmo Shopping fica o Hard Rock Café Buenos Aires, mas nem um moletonzinho básico deu vontade de levar, pois os preços estavam extorsivos. Do shopping saímos em direção ao bar Locos por el Fútbol. Comida deliciosa, experimentei uma Quilmes (muito boa, por sinal) e retorno ao hotel. Para primeiro dia, as expectativas estavam a contento, exceto pelos preços de algumas coisas, que eu imaginava ser menor. A cotação aproximada do real em relação ao peso era de aproximadamente R$ 1,00 para AR$ 1,70. Ou AR$ 1,00 = R$ 0,57. Algo por aí...

Segunda-feira estava programado um tour pela cidade. Foi o único passeio que fizemos com guia turístico e valeu para balizar se a programação criada aqui em Curitiba poderia ser seguida ou se precisava ser revista. O passeio começou pelo centro novo de Buenos Aires, área de prédios novos, sede de companhias multinacionais e algo muito sem graça, pois isso se vê em qualquer lugar do mundo, em qualquer grande cidade.

Seguimos então para a sede do poder argentino: a Casa Rosada. Antes de chegarmos à Plaza de Mayo, passamos por diversas outras, incluindo uma que relembra aos argentinos a surra que eles levaram em 1982, quando resolveram cutucar a Inglaterra com vara curta por causa daquelas ilhas onde só moram pingüins... O bacana é que foi aí que meu preconceito para com os portenhos começou a diminuir, pois a guia não passou a imagem que muitos temos dos argentinos: a de um povo babaca, que se acha pra cacete. Na verdade não vi nenhum argentino com pose de pavão, pra ser bem sincero.

A Plaza de Mayo, por motivos de controle de manifestações (que ultimamente são quase diárias em Buenos Aires), tinha cercas de metal com quase dois metros de altura. Felizmente não cruzamos com as mães da praça de maio, pois as tias só aparecem nas quintas.

Tiramos as obrigatórias fotos em frente à Casa Rosada (que na verdade não é tão rosada assim) e fomos conhecer a primeira igreja da cidade, La Catedral Metropolitana, local que em nada lembra a idade que tem, pois sua arquitetura externa não se parece com uma catedral. Nessa igreja ficam os restos mortais de Don José de San Matin, libertador da Argentina (ou seja, o D. Pedro I deles).

Continua...

domingo, 24 de agosto de 2008

Sem assunto

E sem paciência pra buscar novidades ou temas para comentar. Dentro de duas semanas serei um homem casado e a correria em função disso está muito grande. Depois da lua-de-mel ainda teremos outras coisas a resolver e só em outubro as coisas devem voltar ao normal. Até lá os posts serão em doses homeopáticas (isso quando houver dose homeopática).

Até lá, deixo vocês, meus 3 leitores fiéis, com o pessoal da lista ao lado, que provavelmente tem coisas interessantes enquanto estou de molho.

domingo, 3 de agosto de 2008

Cinco Filmes

Alguns meses atrás The Batman me colocou num fria: escolher 5 filmes que são bons (ainda que apenas na minha opinião), mas que não caíram nas graças do público ou da crítica. Como eu sou um cinéfilo meio com o pé atrás, dificilmente me meto a assistir um filme que não tenha sido recomendado por algum crítico (de preferência um que não se julgue o deus do cinema encarnado) ou por algum amigo que tenha gostos similares aos meus.

Eis minha lista:


Quando assisti a esse filme pela primeira vez, o fiz por pura falta do que fazer. Não peguei o VHS (ainda era início da década de 90) acreditando que seria divertido entrar no mundo maluco das histórias do Barão, mas me tornei um fã tanto da estética como da história em si. Vale também pela presença da iniciante Uma Thurman, deslumbrante com sua beleza. Outra curiosidade: o diretor do filme, Terry Gilliam, está no momento em pós-produção do último filme realizado por Heath Ledger, The Imaginarium of Doctor Parnassus.


Esse aqui é mais conhecido pela trilha sonora do que pelo filme em si. Demorei um tempão até assistir ao filme (a primeira vez foi em 1998), quando zapeava pela TV a cabo e me deparei com essa pérola no TNT. Admito que a primeira vez que assisti achei o filme um porre, mas fui até o fim por teimosia. Mês passado resolvi alugar o filme, a fim de assistí-lo desde o início. Aí posso dizer que as coisas mudaram de figura. Curti o visual, os efeitos especiais artesanais (ainda mais para um filme pós Guerra nas Estrelas) e, claro, a trilha sonora. Apesar de algumas passagens cujo teor sexual seja gritante, o filme é ingênuo na maior parte do tempo, com um roteiro simples e cheio de furos, mas que não estraga a diversão de quem está apenas querendo desligar o cérebro e curtir um filme pipocão.


Esse filme assisti por indicação de críticos. Um filme de espionagem e intrigas, com mais cérebro do que adrenalina e que, justamente por isso, figura nessa lista. O elenco é de primeira e torna a experiência de assistir a esse filme algo prazeroso. Geoffrey Rush em um de seus melhores papéis. Se Flash Gordon não exige nada em termos de inteligência, O Alfaiate do Panamá põe ordem na casa e serve como um ótimo programa para aqueles dias que você quer algo com conteúdo.


Produção nacional de 1985, muito aclamada mundo afora, mas que em sua terra natal não recebeu o reconhecimento do público. Assisti totalmente sem querer, quando zapeava pela TV e minha noiva pediu para que eu visse se era o filme que ela imaginava ser. Sim, era. Ela já havia assistido e como temos uma certa queda por algumas coisas relativamente trash, deixamos rolar. E não é que o filme é bom? Conta a história de uma mulher de baixa escolaridade, com péssimos hábitos de higiene e que escuta a Rádio Relógio como passatempo preferido, que trabalha como datilógrafa em uma empresa e que sonha com uma vida melhor. O roteiro é mais batido do que roupa na máquina de lavar, mas ainda assim consegue te prender até o fim, pois você vai querer saber como Macabea sai da sua vida sofrida de retirante. O melhor: apesar da história ser tipicamente brasileira, não rola sexo ou nudez desnecessária. Ou seja, uma produção pobre, mas limpinha.


Filme de 1990, com elenco de jovens astros em início de carreira. Normalmente eu gosto de bons filmes de guerra, ainda mais se ambientados na Segunda Grande Guerra, no teatro de operações europeu. Baseado em um evento histórico real, que retrata a 25ª e última missão da tripulação do B-17 do título, o filme é mais emotivo do que documental. Porém isso não tira o prazer de assistí-lo. Não é nenhum Resgate do Soldado Ryan, mas fica difícil não torcer para o pessoal do Memphis sair ileso da última grande missão antes do retorno para casa. O filme garante a diversão para aqueles que gostam de ver os mais belos aviões de todos os tempos singrando os céus em grandes batalhas, afinal aqueles que não têm interesse em aviação esquecem dele com a mesma facilidade com que esquece o que comeu no café da manhã.

Eis a minha lista, cumpri com o solicitado pelo Marlo e posteriormente reforçado pelo Chang, porém não tenho uma lista de cinco blogueiros para colocar na roleta e assim solicitar as suas cinco produções que merecem menção. Dessa forma, jogo a batata para meu padrinho e camarada Sérgio e para minha noiva Re, que precisa tirar o pó de seu blog, que há muito não vê material novo por lá...

sábado, 19 de julho de 2008

Batman - The Dark Knight


Tudo aquilo que você esperava desse filme é verdade. O maior incoveniente é quando ele termina e você percebe que será difícil manter a bola no alto, pois um trabalho hercúleo se fará necessário para escrever um roteiro tão bom e ser mostrado de maneira tão espetacular como Christopher Nolan fez nesse filme.

Não tem resumo da história, não tem spoiler, não tem comentários sobre as atuações ou aspectos técnicos. Você já leu sobre esses pontos em diversos sites. A única coisa que eu faço aqui é endossar o coro dos hipercontentes e dizer que TDK é tudo aquilo que os filmes da Marvel gostariam de ser e tudo aquilo que os demais filmes que a DC vai rodar precisam ser. O patamar que TDK alcançou é elevadíssimo e serve de parâmetro para mostrar que filmes baseados em quadrinhos podem sim ter conteúdo e manter um ritmo alucinante.

Aliás, vou abrir parênteses aqui: Heath Ledger está muito bem como o Coringa, mas Aaron Eckhart está muito melhor como Harvey Dent. Encheram demais a bola do Ledger e esqueceram de enaltecer o quanto Eckhart contribui para o excelente resultado final do filme. Benefícios que uma morte precoce rende (se é que isso pode ser considerado benefício...).

A nota é 9,8 e você vai assistir a esse filme sem sentir o tempo passar. Vale cada centavo gasto para ver e rever quantas vezes quiser. E que venha o terceiro!

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Cataratas do Iguaçu disputam posto de maravilha natural do mundo

da France Presse, em Buenos Aires

As imponentes cataratas do Iguaçu, cartão-postal compartilhado por Brasil e Argentina, estão entre as candidatas a uma das sete novas maravilhas da natureza. Para ganharem o título, precisam de cerca de 20 milhões de votos pela internet (www.votenascataratas.com), na campanha organizada por uma fundação particular.

Os promotores da campanha querem "um novo prêmio que terá grande repercussão entre os visitantes" das cataratas, disse seu ideólogo, o brasileiro Gilmar Antonio Piolla, superintendente de comunicação social da Itaipu Binacional.

As famosas quedas d'água sobre o rio Iguaçu foram declaradas Patrimônio Natural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 1984.

Situadas no meio da selva, com uma flora e fauna exuberantes, as cataratas são uma das maiores atrações turísticas da América do Sul. Segundo dados oficiais, a previsão é que 1,1 milhão de pessoas visitem o lugar do lado argentino, em 2008.

As cataratas, que ficam a 24 km do centro da cidade brasileira de Foz do Iguaçu (contando até a entrada do parque) e a 17 km da argentina Puerto Iguazú, são formadas por 275 quedas em forma de ferradura, em um arco de três quilômetros.

As quedas são cercadas por um parque natural de 252 mil hectares, que se estende pelo território de ambos os países. Assim, os turistas podem admirá-las com vista panorâmica do Brasil e se aproximar, até quase tocar a água, da Argentina. Pode-se avançar por uma passarela até muito perto da Garganta do Diabo, a queda mais imponente, de 80 metros de altura.

O espetáculo hipnotiza os visitantes, com a violência da queda d'água que produz uma névoa permanente, com a qual os raios solares compõem arco-íris.

A região foi habitada pelos guaranis, um dos povos originários do Paraguai e do nordeste da Argentina, que foram catequizados no século 17 por missões jesuítas.

As quedas caem sobre o rio Iguaçu, que em guarani significa 'águas grandes'. Suas águas nascem no sul do Brasil e desembocam no argentino rio Paraná.

-x-x-x-x-

Eu já votei nas Cataratas e em mais 3 outros locais brasileiros que merecem figurar entre as 7 Maravilhas Naturais do Mundo. Se você não teve a mesma oportunidade que eu, que estive pelo menos 4 vezes em Foz do Iguaçu, assista a um belíssimo vídeo nas Cataratas, que colocam as famosas Niagara Falls no chinelo.


quarta-feira, 2 de julho de 2008

Contagem regressiva

Prezados

Estou aguardando ansiosamente (como muitos de vocês) pela chegada do dia 18. Vou correr para comprar os ingressos da pré-estréia, para poder comentar sem vícios de outros blogs e veículos especializados, como fiz com o bom e velho Indy.

A vantagem, dessa vez, é a certeza de um filme muito próximo da perfeição.

Até lá, aproveitem para descer a lenha ou apoiar as opiniões desse humilde escritor. Os posts anteriores estão aguardando sua participação.

Por fim: "you can run, but you can not hide".

segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tropa de Elite Reloaded

Não se trata de notícias sobre uma eventual continuação do melhor filme nacional dos últimos anos. Na verdade o que me levou a falar sobre Tropa de Elite novamente foi o fato de ter recebido de uma colega um texto escrito na época que o filme ainda estava na boca do povo.

O importante nesse texto foi o fato de que existem outras faces do crime organizado que podem ser exploradas em mais filmes, contribuindo para o aumento da discussão que levará esse país a um patamar mais aceitável de qualidade de vida. E digo em mais filmes porque a pirataria sofrida por Tropa comprovou que o povão acaba correndo atrás daquilo que lhe proporciona entretenimento.

É bem verdade que a linguagem para atingir a cabeça dos “descamisados” é bem diferente daquela que os intelectuais preferem. Mas quem leu meu último post sabe o que penso sobre botar cultura na mesa do povão.

Como não estou escrevendo para pessoas que mal terminaram o ensino básico, vamos ao que interessa. Inicialmente vou descer a lenha de leve no contexto do material que recebi. Basta dizer que é fruto de pessoas que se preocupam em demasia em defender os pobres. Preocupar-se com os pobres é algo nobre e necessário, mas fazer isso de maneira menos apaixonada e menos embasada em teorias que já se mostram ineficientes pode aumentar a quantidade de pessoas que apóiam sua visão de mundo. Ou alguém em sã consciência ainda acredita que o Comunismo é a chave para os males do Capitalismo? Ao menos o Capitalismo ultimamente anda tirando muita gente da miséria, ao passo que o Comunismo continua impondo à população ainda sob esse regime uma vida cheia de privações.

Ideologias à parte, o texto do sr. Vito Giannotti, com citações de uma entrevista concedida por Adriano Oliveira ao jornal O Globo em outubro do ano passado, traz uma lista de pessoas cujo péssimo caráter serviria para escrever roteiros e mais roteiros de filmes sobre essa chaga brasileira chamada Segurança Pública. A violência nos grandes centros (e que está cada vez mais próxima das pequenas cidades do interior) é algo que beneficia os verdadeiros e poderosos traficantes, segundo os senhores supracitados, os quais estão entre juízes que vendem sentenças, advogados entrelaçados intimamente com atividades criminosas, sobretudo ao tráfico de drogas; empresários especializados em lavagem de dinheiro, políticos e funcionários públicos das mais diversas instituições e escalões, desde um simples investigador da Polícia Civil ao mais alto delegado da Polícia Federal. Quero enfatizar que os responsáveis por essa teoria são os senhores Vito Giannotti e Adriano Oliveira, que em sua defesa apaixonada do favelado, do pobre, dos marginalizados, voltam suas armas para pessoas que estão em diversos postos importantes do sistema sócio-econômico-jurídico-político nacional.

Fica difícil afirmar que eles têm um fundo de razão. Os "Lalaus" e "Garotinhos" da vida estão aí para reforçar esse ponto de vista. Mas daí a querer crucificar os policiais que cumprem seu dever doa a quem doer é querer que as coisas se ajeitem sem esforço. Não é necessário que pessoas ditas de bem, que eventualmente moram em favelas, sofram os abusos por parte de quem deveria lembrar qual é seu lema e dever: “Servir e Proteger”. Mas criticar apenas por criticar não resolve nenhum problema. Apenas aumenta a animosidade entre os pólos dessa disputa. Além de criticar, esses intelectualóides de esquerda deveriam propor sugestões para que os cidadãos trabalhadores, que moram em lugares onde o crime se prolifera, possam melhorar suas condições de vida. Mas como é mais fácil ficar apontando o rabo dos outros, essas pessoas preferem ficar no conforto de suas vidinhas ao invés de efetivamente trabalhar para o bem-estar geral.

Caso você tenha chegado até aqui e queira tirar suas próprias conclusões sobre o material que recebi dessa colega, seguem os mesmos abaixo. E eu agradeceria muito se houvesse uma opinião de sua parte nas espinafradas.

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Pesquisador da UFPE lança livro "Tráfico de drogas e crime organizado – peças e mecanismos": a melhor base científica para discutir Tropa de Elite

[Por Vito Giannotti] O Globo,de 28/10 nos traz uma rara e grata surpresa. Traz uma entrevista com Adriano Oliveira que é um maná para quem quer entender a desgraça político-ideológica que representa o filme Tropa de Elite.

Em síntese mostra que o problema não começa e nem acaba nas favelas das nossas cidades. Ele desvenda, como resultado de suas pesquisas, sintetizadas em sua tese, o que todos estão cansados de saber, mas que não foi mostrado e nem insinuado naquele filme.

No artigo que escrevi para o Brasil de Fato (www.brasildefato.org.br), do dia 24 de outubro, falava exatamente das mesmas coisas das quais fala Adriano. Ele fala dos grandes traficantes, dos verdadeiros chefões interessados em que o tráfico não acabe e, conseqüentemente, a droga não seja descriminalizada: juízes que vendem sentenças, advogados totalmente entrelaçados com esta atividade criminosa, empresários especializados em lavagem de dinheiro e funcionários estatais de vários escalões e todo tipo de policias, da civil, passando pela militar até chegar à federal. Enquanto isso, o Tropa de Elite ensina a cantar o hino do extermínio dos que moram em favelas: "Homens de preto quando entram na favela – é pra deixar corpo no chão". Leiam em O Globo, de 28/10, na página 15/País, a entrevista de Adriano Oliveira.

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Cinema
Para o filme Tropa de Elite, “favelado bom é favelado morto”

[Por Vito Giannotti]

“Homens de preto, qual é sua missão? É entrar na favela e deixar corpo no chão”. Começo este artigo copiando a abertura de outros dois artigos dos que mais gostei no mar de análises sobre o filme Tropa de Elite. Claudia Santiago e Ivan Pinheiro iniciam seus textos reproduzindo o refrão cantado pelo Bope nos seus treinamentos. É nele, exatamente, que está a linha geral do filme que, independentemente das intenções do produtor e dos atores, é um hino ao Bope (Batalhão de Operações Especiais que atua nas favelas do Rio). Neste refrão, está a mensagem central do filme.

Discute-se muito se o filme é de direita, se é fascista ou nazista. Para mim, ele contribui para consolidar, entre a população, a idéia de legitimidade das ações policiais que exterminam pobres e moradores de favelas no Rio de Janeiro. E faz isto no momento em que militantes de direitos humanos travam, na cidade, uma luta para pôr fim a esta violência. Fruto desta batalha, inclusive, foi criada, a Rede Nacional de Jornalistas Populares que, em seu lançamento, contou com a presença da mãe de uma das vítimas da violência policial.

Ou seja, independentemente da vontade de seus executores, o filme serve muito bem às idéias que a direita semeou: todo pobre é perigoso, é ladrão, é bandido. Todos. Basta ser pobre, de preferência negro, para ser, no mínimo, suspeito.

Se a missão do Bope é “entrar na favela e deixar corpo no chão”, a mensagem que o filme passa é que na favela só tem criminoso, assassino, traficante a ser deixado no chão. Esta é a primeira, a segunda, a terceira, a quarta idéia do filme. É a idéia mais nociva.

Ivan Pinheiro, ao final do seu artigo propõe uma interpretação, com a qual estou de acordo, sobre o resultado ideológico–político do filme: “Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.”

Um festival de idéias de direita

Há um hábito, no Brasil, de quase ninguém se assumir como de direita. Hoje, este costume se reforça com a balela de que direita e esquerda não existem mais. Acabou tudo. O filme nos mostra que, ao contrário, a diferença entre direita e esquerda está mais viva do que nunca.

Tropa de Elite não só apresenta, através da narrativa da filosofia do Bope, um grande quadro de idéias de direita, como as mostra de maneira simpática, dinâmica e as justifica. O público, obviamente, se comove com o policial com síndrome de pânico, embora este seja torturador de homens, crianças e mulheres e assassino. E se encanta com aquele que reconhece a miopia do menino. Se é tão bom, é possível compreendê-lo quando se transforma devido a perda do amigo, que queria ajudá-lo, em assassino e torturador. Então justifica a barbaridade dos homens de preto que têm como missão “entrar na favela e deixar corpo no chão”.

Ou seja, não interessa se de propósito ou não, o filme faz campanha e reforça, no coração e na mente de milhões, idéias contra as quais a esquerda de bateu há séculos.

No artigo de Claudia Santiago há um roteiro de algumas das idéias altamente nocivas do filme. Ela afirma: “Os membros do Bope são mostrados como heróis incorruptíveis, dispostos a combater o crime a qualquer custo, mesmo que este custo seja `esculachar moradores`, condenar sem julgamento, torturar crianças e companheiras de traficantes e matar”. Para ela, a prática da tortura, da pena de morte aplicada de maneira informal, a ridicularização da luta pelos direitos humanos são algumas das várias lições de direita que este filme dá aos espectadores. A culpa do tráfico jogada em jovens estudantes “maconheiros”, sem procurar os grandes responsáveis pelo tráfico que não querem que ele acabe é outro ponto forte do filme.

Um ponto de vista que defende o extermínio dos moradores de favelas

O filme faz sucesso por dois motivos:

. Trata do tema que mais preocupa a sociedade brasileira: a violência e a segurança.

. Retrata e reproduz as idéias dominantes da sociedade sobre a favela, os pobres, os negros, ideologia espalhada pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação de direita nacional: Folha de S. Paulo, O Estadão, O Globo e Veja.

A capa desta revista, no seu número 2030, de 17/10, não deixa dúvidas sobre o caráter do filme. A manchete é “Pegou geral”. Em seguida, Veja nos esclarece com a seguinte legenda: “O filme Tropa de Elite é o maior sucesso de nossa história porque trata bandido como bandido e mostra usuário de droga como sócio dos traficantes”.

Esta mensagem, que tanto agrada à revista, não é novidade. Não foi o José Padilha quem as inventou. Sempre se falou que “Bandido bom é bandido morto”. Sempre, entre a classe dominante, desde o tempo da Casa Grande e da Senzala, existiu o pavor-pânico das “classes perigosas”, isto é, dos pobres. Sempre se confundiu pobre com criminoso. São idéias que têm origem na tradição secular de uma sociedade escravocrata dividida entre a Casa Grande e a Senzala. O que o filme faz é simplesmente reforçar toda esta ideologia.

Há várias falas e imagens, ao longo do filme que consagram a idéia de que a favela é lugar de bandido: “O farda preta entra na favela para matar”, se ouve lá pelas tantas. Sim, matar. Matar a quem? Lógico, aqueles bandidos favelados.

O filme esconde a raiz da guerra do tráfico

Desde as primeiras cenas aparece a tal “guerra”. Guerra de quem contra quem? A quem interessa esta guerra? Por que não se acaba com esta guerra? A única solução que o filme aponta é o extermínio. De quem? Dos generais desta guerra? Não. Não há chefões, não há gente interessada em não acabar com esta guerra. Ela existe e ponto final.

Quem disse que esta guerra precisa existir? Não há outras hipóteses? Não há a possibilidade das “drogas serem vendidas em drogarias”? Não há a possibilidade, através da liberação, de acabar com o tráfico e com esta guerra? Há muita gente que acha que assim diminuiria o uso de drogas.

Já se tentou imaginar uma sociedade sem tráfico... sem corrupção policial, sem armas contrabandeadas, sem propinas para advogados e juizes? E, sem tráfico de drogas, como ficaria a lavagem de dinheiro praticada por muitas empresas? Outra pergunta: O tráfico é coordenado por quem? Será que os chefes do exército do tráfico são aqueles garotos de olhos esbugalhados que ficam lá no alto dos morros dando tiros sem saber em quem e pra quê?

O filme não fala nada sobre esta parte da realidade. Então, não venham me dizer que o filme refletiu a realidade. Não. Refletiu a parte da realidade que queria ver. A outra foi deixada no escuro e não vai ser vista por quem o assistir.

A imagem que fica é a do morador de favela, traficante. Este tem que morrer, porque, os heróis que o filme apresenta para nossa sociedade idolatrar, os Bope, vestidos de preto, continuam cantando que sua “missão é entrar na favela e deixar corpo no chão.” Corpo de pobre, evidentemente. Não daqueles que vivem da guerra dos meninos do tráfico contra os homens de preto, que rende bilhões de dólares anuais para os verdadeiros chefões do tráfico.

domingo, 1 de junho de 2008

Entre o comer e o alimentar-se

Estamos comendo muito, mas nos alimentando mal. E isso não apenas quando falamos da comida propriamente dita. Na cultura os ciclos entre o bom e o mau alimento se tornam cada vez mais díspares.

Atualmente você poderia citar, no cenário nacional, quantas pessoas produzem cultura e o fazem de maneira original? Sobraram dedos e faltaram nomes para citar, certo?

Quem sabe isso seja reflexo da nossa compulsão pelo rápido, fast-food, atualizações diárias, enfim, estamos com muita pressa em consumir e pouca paciência para saborear o produto do consumo. A cada dia somos apresentados a um novo salvador do rock, a um novo escritor inovador, a uma nova vida cheia de expectativas que nunca se concretizarão e isso justamente porque estamos preocupados e ter tudo e ter muito sem saber exatamente o que queremos.

De que adianta ter um sebo em casa se os livros foram lidos apenas para que se diga “eu leio muito”? Se o conteúdo do material não foi absorvido, qual a razão para se orgulhar do sebo caseiro? O brasileiro lê muito pouco, mas ler apenas para sentir-se acima da média é burrice.

A televisão, por outro lado, vem sofrendo com a necessidade de sempre colocar algo novo e inédito no ar. Não é à toa que o YouTube é um sucesso. Sempre tem alguém com alguma idéia, de jerico ou genial, que está por lá. Ótimo, a democratização da cultura é algo que pode ser fantástico.

A internet acelerou ainda mais o mundo nos últimos anos e isso está sendo mal aproveitado pela atual geração. A inclusão digital serve apenas para que os governantes digam que cada vez mais pessoas têm acesso à internet.

Grande coisa! Se essas pessoas não tiverem discernimento e capacidade crítica para entender o que de bom existe numa conexão com o mundo a serventia de tudo isso é nula. Antes de colocar um computador na frente de uma criança, ela precisa saber ler e interpretar aquilo que lê. Antes de dar acesso ilimitado a um mundo totalmente absorvente como a internet consegue ser, deveria ser dada ao povão a capacidade de entender aonde ele pode chegar com essa ferramenta.

É muito mais fácil criticar uma pseudo-elitização da cultura do que efetivamente pensar em meios de popularizar a BOA cultura, aquela que não expõe crianças de maneira antecipada à sexualidade, aos horrores da violência, ao consumismo desenfreado.

É justamente a banalização da cultura que nos coloca à mercê de aberrações como a necessidade da discussão de uma lei que proíbe a propaganda de bebidas alcoólicas na TV. O bom senso já deveria capitanear a cabeça das agências de publicidade a ponto delas perceberem que, ao colocar uma modelo fabulosa de biquíni com uma garrafa de cerveja na mão em propagandas de TV, se está incentivando a barbárie do excesso do consumo da bebida alcoólica.

Os números do último feriadão estão aí para confirmar: brasileiro não sabe beber com responsabilidade. A lei que efetivamente vai diminuir, ao menos é isso que se espera, as causas de acidentes nas estradas chegou agora, na semana que passou. Quantas vidas precisaram ser ceifadas até que se percebesse o elo entre a irresponsabilidade na ingestão de álcool e as mortes nas estradas?

Como se vê, de nada adianta o Brasil ter atingido o grau de investimento se o seu povo ainda acha que “feio é roubar e não poder carregar”. Enquanto existirem pessoas que se dizem partidárias do povo e que crêem que um Bolsa-Família é a resposta para os problemas dos mais pobres, vamos continuar assistindo ao empobrecimento da cultura e da civilização ao som do MC Créu e seus genéricos.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal


Dezenove anos. Tempo demais para o que foi apresentado. Fiz questão de me manter longe de comentários mais reveladores e corri para assistir ao filme na sua pré-estréia para ter minha opinião sem interferências. Não entendi, após o final da sessão, a razão para tanta frescura na escolha do roteiro se o que foi filmado não pareceu agradar aos fãs mais velhos de Indiana Jones. Ouvi muita gente fazendo coro com relação ao que pensei sobre tudo o que passou na telona.

O filme se preocupa muito mais em conquistar a platéia mais nova, a segunda geração videogame (segunda porque a primeira é formada por aqueles que curtiam Atari). Em poucas cenas o filme efetivamente remete aos bons momentos dos três primeiros da série. É sabido que Indiana Jones estreou nos cinemas, em 1982, apoiado por muitas situações caricatas e exageradas, mas nesse último filme as coisas fogem do controle.

Eu, como fã de carteirinha, com direito a ter um chapéu original Indiana Jones e o box com a trilogia, saí do cinema extremamente decepcionado. Confesso que o fato de o tempo ter exigido a mudança dos inimigos, dos nazistas para os comunistas, já era algo que me chateava, mas mudanças às vezes são para melhor, oras. E não teria cabimento ver Harrison Ford, na idade em que se encontra, lutando contra nazistas como se A Última Cruzada tivesse sido lançado há poucos anos.

Pois bem, se quiser continuar, que seja por sua conta e risco. Daqui pra frente tá cheio de spoilers.

A invasão da base americana pelos russos ficou excelente. As citações aos Caçadores da Arca Perdida, logo no início do filme, davam um gostinho de nostalgia e transmitiam a sensação de que um novo e melhor episódio da série estava por vir. Engano. A história pouco tem a ver com a mitologia construída nos três primeiros filmes.

Após a seqüência inicial no depósito da área 51, ficamos sabendo como Henry Jones Jr. atuou pelo seu país durante a Segunda Guerra. Pausa para situar o filme durante o macartismo, onde qualquer um poderia ser apontado como “vermelho”, passando a ser perseguido pelo governo, sem mencionar que o menor envolvimento com comunas era motivo para ter o FBI na sua cola. E o fato do Dr. Jones ter escapado de espiões russos que invadiram uma base americana é mais do que motivo para ser investigado pelo Bureau.

Em função dessa investigação e das pressões sobre o reitor da universidade onde leciona, Henry Jones Jr. resolve que a Europa seria um bom local para deixar a poeira baixar, nesse momento ficamos sabendo que seu pai e Marcus Brodi faleceram. Porém, na hora de dar início à viagem, surge Mutt, um jovem que precisa da ajuda de Indiana para resgatar sua mãe, que caiu nas mãos dos comunistas. Quando o guri está explicando a situação para nosso herói, surge a primeira seqüência de perseguição. Nessa hora você pensa: agora sim! Vamos ter um legítimo filme de Indiana Jones!

A perseguição é muito boa e o climão de cinema pipoca parece que vai engatar. Surge uma boa razão para que Indiana saia ao resgate da mãe de Mutt e se meta em enrascadas. Entra a clássica seqüência do vôo sobre um mapa e, em seguida, ratifica-se a primeira impressão de que a química entre Harrison Ford e Shia LaBeauf funciona perfeitamente. Não se pode negar, o guri é bom, muito bom. O elenco de forma geral é até melhor do que nos filmes anteriores, não existe ninguém destoando, todos estão à vontade em seus papéis e percebe-se que estar ali é muito divertido para o elenco. Ainda assim, isso não salva o roteiro.

Lá pelas tantas a história descamba para uma perseguição frenética na selva amazônica, com cenas difíceis de engolir, até mesmo para um filme de Indiana Jones. Aliás, em muitas cenas tive a impressão de que George Lucas e Steven Spielberg perderam a mão. Minha noiva sintetizou muito bem as falhas em determinados pontos como desnecessárias, onde você perde o clima de magia e pára para pensar, algo que num filme desses não deve acontecer. Você entra na história e aceita que muitas coisas, mesmo sendo exageradas, formam um contexto. Quando esse exagero supera aquilo que é cabível, quebra-se a magia. Isso acontece em pelo menos três pontos do filme: na maneira como Indiana sobrevive a uma explosão atômica, no uso de cipós por Mutt para conseguir se reunir aos veículos da perseguição na selva amazônica e nas três quedas de cachoeiras até a chegada ao Reino da Caveira de Cristal. E se você foi um tanto quanto perceptivo quando viu o pôster do filme ou leu em algum lugar na internet, a tal Caveira de Cristal pertence a um ser extraterrestre, o que poderia ter gerado uma história muito mais empolgante.

Pois bem, ao descobrir que realmente houve uma raça alienígena que povoou a América antes da chegada dos conquistadores, o filme se fecha de maneira rápida, ainda que consistente com a proposta da história. Nesse ponto, se você esperava o mesmo que eu, já estará triste e desanimado.

Porém a cena final consegue piorar ainda mais a sensação de desgosto. Um casamento para fechar o filme é muito pra minha cabeça. Mas isso não é o mais absurdo. Absurdo é saber que Spielberg e Lucas, bem como Harrison Ford, pretendem realizar um quinto filme de Indiana Jones. Antes tivessem parado no terceiro. Pelo menos The Dark Knight vem aí e nesse eu boto muita fé.

Nota 5,0.

domingo, 18 de maio de 2008

Teoria da Conspiração

Começou a guerra. Agora ela está aberta, clara, visível. Os gringos definiram que a Amazônia não é brasileira. Questão de tempo até que os ânimos se exaltem sobre a importância da floresta para o planeta. Mesmo que seja nacionalismo irracional, não sou um dos que preferem abrir mão de tudo que a Floresta Amazônica oferece sem a devida contraparte do resto do mundo. E digo isso sem o medo de ser tachado de mercenário ambiental. Desenvolvimento sustentável é algo que, por tudo que estudei, não existe. Quem fica em cima dessa tecla tem interesses que não necessariamente trarão essa utopia.

Se hoje a Amazônia é considerada patrimônio da humanidade, só o é porque muitas outras florestas hoje são apenas lembranças de um tempo em que o homem se achava senhor absoluto do planeta, quando nações colonizadoras exploravam continentes sem se preocupar com as conseqüências disso, afinal naqueles tempos não havia conhecimento suficiente para prever o cenário que hoje precisa ser remediado. Ainda que somente na Amazônia se encontre a riqueza e biodiversidade que os fatores geográficos proporcionaram, não pode ser esquecido o fato de que todo ecossistema tem sua importância.

Como fazer para que a questão de patrimônio da humanidade não vá contra os interesses nacionais é o grande ponto a ser discutido. Se os gringos querem tomar aquilo que de fato é de todos, que isso não seja feito de acordo com os interesses de poucos e em desacordo com o povo que contém o patrimônio em suas fronteiras.

Reconheço que a maneira como o atual governo se posiciona em relação à questão abre precedentes perigosos, precedentes esses que provocam em nações poderosas discussões sobre o direito à soberania brasileira e de outros países sul-americanos sobre o território amazônico. A queda de Marina Silva, da maneira como ocorreu, acendeu a luz vermelha para os defensores do meio ambiente. E tem gente mais interessada na desestabilização da discussão do que na busca efetiva de soluções. Apontar quem são os vilões ocultos é um jogo arriscado. Cada um tem sua teoria e o povo brasileiro já ouviu muitas histórias conspiratórias sobre as maneiras como a Amazônia será tomada de nós.

Leia esse artigo, bote sua teoria na roda e aposte em quem você acha que vai ganhar essa queda de braço. Particularmente só vejo um perdedor: a própria Floresta Amazônica.

domingo, 11 de maio de 2008

Fui enganado, quero meu tempo de volta!

Você, nos dias de sua infância, foi iludido, enganado. Tudo fazia crer que quando você chegasse à vida adulta muito daquilo que via passando no mundo seria feito de maneira prática e rápida quando crescesse. Você teria menos trabalho e mais tempo para o lazer.

Pois é, hoje você está formado, com um emprego que te suga mais do que te devolve e seu tempo livre está sendo menos proveitoso do que você gostaria. O advento do PC e a evolução da internet diminuiu muito o tamanho do mundo, a ponto de todas as suas tarefas necessitarem planejamento prévio, de médio a longo prazo. Ou pior: tudo que te pedem para ser feito é para ontem.

O ano 2000 chegou e com ele não veio o mundo dos Jetsons. Que droga... Os carros não voam, os robôs não fazem todas as atividades domésticas, a poluição e os trabalhos extenuantes não foram riscados do mapa e adicione à lista aquilo que você queria que o século XXI tivesse trazido, mas não o fez.

Menor ficou o tempo para si próprio. Agora só se deve pensar em terminar a faculdade (na qual você adentrou quando tinha seus 17 anos), engatar um MBA, fazer cursos e mais cursos de aperfeiçoamento profissional, realizar trabalhos voluntários e, ainda por cima, ser bom namorado (marido, esposa, companheiro(a) etc.), ser um bom pai/mãe, ser um vizinho simpático e querido no condomínio e por aí vai.

Tá complicado mesmo saber qual é nosso papel nesse mundo cada vez mais veloz, mas não dá tempo pra ficar choramingando. A avalanche de pessoas que não se importam com tudo isso que expus aí em cima te atropela sem compaixão. O negócio é ter, ter, ter. Consuma tudo que a mídia televisiva, impressa e que está no banner desse site te oferece. Esqueça os valores fundamentais, que realmente te fazem feliz. Seja, enfim, a única coisa que você não sonhava para o seu futuro quando era uma criança: uma máquina.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Curtas, longas e devaneios

Vacas frias

Não vejo a hora de saber o teor do depoimento da Sra. Dilma Roussef sobre o dossiê relativo aos gastos presidencias do governo passado. Será que ela vai seguir seu mestre e alegar não saber de nada e que tudo não passou de obra de aloprados sob seu comando? O que os governistas tanto temem ao blindar a ministra e evitar sempre que possível sua convocação na CPI dos cartões corporativos?

Esse é o PT, aquele partido que um dia se disse ético.

Tá complicado

A cada dia fica mais fácil entender como diretores-abutres mantêm seus empregos nas emissoras de TV. Sugar cada gota de sangue do noticiário sobre o Caso Isabella gera uma caça às bruxas, personificadas no pai e madrasta da criança assassinada. Nem mesmo Ana Maria Braga deixou de opinar sobre o caso em seu programa (?) matinal.

Pergunto: Quem disse que a Imprensa é quem deve julgar criminosos, baseada nas informações coletadas nem sempre por fontes fidedignas? Quem julga criminosos não é a Justiça, após receber informações levantadas pela Polícia? À Imprensa não cabe somente o papel de informar?

Pergunto parte II: Até quando artistas vão continuar falando o que pensam a respeito desse tipo de caso, onde qualquer declaração mal interpretada pode gerar problemas sérios, convidados por programas populares? Artista pode ter opinião, com certeza. Mas deve pesar muito bem as palavras ao expressá-la. Nesse quesito uma artista global, que agora me falha a memória em nomeá-la, tempos atrás disse que artista não deve sair por aí falando sobre tudo. Ponto para ela, que assim que for lembrada, terá seu nome colocado aqui.

Pequim 2008

E viva o dinheiro! Garanto que se os direitos humanos estivessem sendo desrespeitados em um país-sede dos Jogos Olímpicos com menor potencial econômico, boicote seria a regra. Mas como a China pode muito, todo mundo deixa pra lá o fato de o regime totalitário daquele país estar massacrando a liberdade do povo chinês, destruindo o Tibet e fazendo pouco ou quase nada com relação aos problemas ambientais catastróficos que a economia chinesa produz dia após dia. Eu sou a favor do boicote!

Saindo do rumo

Não costumo comentar por aqui sobre os livros que ando lendo, mas esse merece menção: O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell. É o primeiro volume de uma trilogia baseada na história (não na lenda) do mítico Artur, aquele que descobertas arqueológicas recentes demonstraram nunca ter sido rei, mas cuja personalidade forjou uma das lendas mais nobres sobre monarcas antigos. O escritor escreve sobre o que gosta e, ao fazer isso, torna sua narrativa atraente ao extremo. É um calhamaço de 544 páginas que você lê com prazer, ainda que as primeiras páginas sejam arrastadas. Depois de 80 a 100 páginas a história engata um rumo interessantíssimo e, a cada nova revelação sobre os tempos de Artur, maior fica a curiosidade em saber como tudo se resolve.

Bom gosto

Ultimamente esse espaço onde coloco pra fora um pouco da minhas idéias tem sido visitado em massa por pessoas procurando imagens de Regiane Alves. Não por acaso ela está no topo de minha lista de desejos oníricos. Se com sua imagem recatada que utilizei no post das Top 5 a movimentação está assim, imagino só o que aconteceria se lá eu colocasse as fotos de sua Playboy... É uma pena que visitas em blog não rendam dinheiro.

domingo, 13 de abril de 2008

Campanhas que gostaríamos de ver por aí

Mulheres embasbacadas com o aumento da homossexualidade masculina resolvem usar armamento pesado. Apesar de apoiar a campanha, não posso deixar passar batido a falta de acento no "também" que acabou indo parar no cu. Mas isso é mero detalhe. Apóie você também essa campanha!

domingo, 6 de abril de 2008

Radio Ga Ga

Volta e meia, quando o Marlo escreve posts musicais no Catapop! sinto uma pontinha de inveja pelo fato dele ainda ter paciência em garimpar bandas e cantores interessantes no emaranhado musical que nos cerca.

De certa forma agora retomei sem querer essa capacidade. Há alguns meses, 2 ou 3 – não sei ao certo – fui tomado de surpresa pela mudança radical que aconteceu com algumas rádios aqui de Curitiba. A maior delas foi a saída da Globo FM, que ficou no ar pouco menos de um ano, e sua substituição pela Mundo Livre FM.

A Globo FM, para aqueles que não a conheciam (ou conhecem, pois ainda é possível sintonizá-la em algumas cidades brasileiras) é uma rádio voltada para o pop mais conhecido, principalmente músicas dos anos 80 e 90, com fartas doses de artistas que marcaram e marcam presença nas trilhas sonoras de novelas globais.

A surpresa pela saída da Globo e entrada da Mundo Livre começa pela programação musical. A Mundo Livre raramente toca algo comercial, sempre tem coisa diferente rolando, ainda que não seja algo novo. E o melhor: não se fixa em tocar músicas em português e inglês. Volta e meia você pega algo em francês, árabe e espanhol, para ficar em alguns exemplos. E o que chama atenção: a Mundo Livre FM pertence à Rede RPC, afiliada do Sistema Globo de rádio e TV. Isso representa algo inusitado, pois teoricamente o lucro viria mais rápido se a rádio mantivesse seu foco no puro pop.

Porém a Mundo Livre não é pioneira no sentido de colocar sonoridades diferentes no ar. A Lúmen FM vem a alguns anos promovendo uma farra musical para aqueles que têm sede de novidades ou sons fora do sistemão pop. Comecei a escutar essa rádio com maior freqüência no trabalho, quando a necessidade cada vez maior de poupar meus ouvidos contra as músicas das rádios comerciais cresceu. Não dava mais para aturar as músicas padronizadas que tocam nas Transaméricas e Jovens Pan da vida. Principalmente quando essas rádios insistem em enfiar orelha adentro a mesma música 4 ou 5 vezes no mesmo dia, 7 dias por semana.

Um belo dia, tomado por uma irritação visível, mudei o dial e coloquei na Lúmen pois já havia ouvido a mesma algumas vezes, mas nunca com assiduidade. Por sorte a maioria do pessoal no escritório gostou da mudança e mantemos o rádio sintonizado nessa emissora durante a maior parte do dia.

Percebendo que estava perdendo terreno, a única rádio preocupada em tocar rock em Curitiba (não por acaso chamada 91Rock) saiu do marasmo em que se encontrava. Parou de tocar porcarias emo e afins para voltar a surpreender com programas mais interessantes, voltados não apenas a uma tribo musical. Com essa mudança, claro que os ouvintes saíram ganhando. E dessa forma sempre surge algo que te faz pensar em anotar o nome de uma ou outra banda para quem sabe conhecer melhor seu trabalho.

Agora a inveja que eu tinha do Marlo diminuiu um bocado. Mas a preguiça de anotar os nomes das bandas e intérpretes que chamam atenção é o novo obstáculo a ser superado.

Porém isso não quer dizer que abandonei completamente as rádios comerciais. Como às vezes algumas músicas dessas rádios que citei são meio enjoadas de ouvir, mando ver nas tradicionais rádios que tocam velharias. Aquelas que nossos pais ouviam quando éramos pequenos e achávamos rádio de gente velha. Percebe-se que se está ficando velho quando as músicas da sua adolescência tocam nessas rádios, mas isso é assunto para outra conversa...

domingo, 30 de março de 2008

Pancadaria no trânsito

Essa semana o que mais me chamou a atenção nos noticiários foram as infelizes declarações daquele sapo barbudo que ocupa a cadeira de Presidente da República, novamente se comparando a Jesus Cristo e achando ruim a oposição fazer seu papel. Pois bem, foda-se o Lula e aqueles que enchem a bola desse calhorda. Se possível fosse, meu último desejo em vida seria encher a cara desse infeliz de bordoada, pois o egocentrismo desse cara, que "aconselhou" o Bush a cuidar da crise dos EUA para não interferir no crescimento do Brasil, chegou ao limite do racional. Ele não ouviria nem a própria mãe pedindo para que ele voltasse a ser (ou parecer) minimamente ético. Pro inferno com esse pulha!

Saindo da política e entrando na área mais "dia-a-dia" vamos passar ao trânsito, esse Satã Goss que tem o poder de enfurecer os seres e torná-los monstros incontroláveis. Todo mundo já deve ter passado por alguma situação ruim no trânsito a ponto de ser tirado do sério. Se não passou, um dia passará. É algo que está no seu destino.

Pois bem, essa semana que passou teve um registro fotográfico de uma briga no trânsito. Com certeza devem acontecer várias similares todos os dias nos grandes centros urbanos, onde o stress e a irritação provocados pela rotina mostram como é fácil deixar de ser civilizado.

Eu mesmo, por duas vezes, passei dos limites do razoável quando sofri com a irresponsabilidade e imprudência de outros motoristas. Mas sair correndo depois que o bicho pega, como o mané das fotos citadas, é coisa de frangote. Se não agüenta, não se mete, rapaz. Se se meter, apanha que nem homem, pô! Agora taí, virado em fonte de chacota nacional porque não foi macho o suficiente pra defender os xingamentos e impropérios que desferiu contra o outro motorista. Esse aí nunca mais se mete a fodão no trânsito. Frozô!

domingo, 23 de março de 2008

Entre a fé e a religião

Páscoa deveria ser um período de reflexão, como toda data religiosa cristã que temos o costume de celebrar. Digo cristã porque a maioria dos brasileiros é fiel aos Evangelhos e segue a Bíblia como livro sagrado. O problema, como em toda data religiosa, é que o povo passa apenas aqueles dias sendo bonzinho e nos demais dias do ano a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo voltam a imperar.

Desde que comecei a me dedicar ao estudo de questões relativas ao Cristianismo, meu ceticismo com relação a tudo que nos é contado na Bíblia aumentou, exceto minha fé em Deus, que continua no mesmo caminho há alguns anos.

O grande trunfo da Bíblia, segundo tudo que se percebe nela, é realmente a bússola moral que ela representa. Realmente teríamos problemas menores se aqueles que nela vêem um exemplo a ser seguido efetivamente colocassem em prática boa parte do que está inscrito nos livros que a compõem.

É pedir demais, afinal esse mundo a cada dia surge um novo charlatão que usa as palavras tidas como sagradas para alcançar benefício próprio. Mas o que acontece em todo período de festas religiosas é um saco, pois todo o blábláblá que envolve essas datas, ano vem ano vai, não muda nunca.

A população está cada vez mais perdida e minha fé no ser humano não tem previsão de ser restaurada. Exemplos de pessoas que são falsas existem aos borbotões. Sei de um cara que casou na igreja (não católica), seguindo os rituais que sua religião prega, mas tem no pensamento a idéia de que é “melhor faltar caráter que faltar mulher”. Qual a razão, além do casamento pra inglês ver, de seguir uma religião se os preceitos morais que ela prega são relegados por esse “omem” (assim mesmo, sem H) a planos abaixo da luxúria, cobiça e inveja?

Dessa forma, prefiro não seguir religião alguma, mas procurar sempre que possível seguir os conselhos que a Bíblia e os ensinamentos que ela passa. Buscar Deus não em presentes ou ovos de chocolate, em juras a sacerdotes nas cerimônias celebradas, mas nas ações benéficas que pautam meu dia-a-dia. Estou no mesmo barco que os praticantes religiosos de ocasião, pois a crítica que fiz nesse post me enquadra entre pecadores, pois soberba e orgulho não devem ser alardeados como qualidade. Se não há diferença entre a minha maneira de agir e a daqueles que seguem uma religião, me pergunto qual será o critério definitivo para julgar os bons e os maus quando a hora chegar. Opinião pessoal? Acredito definitivamente que nossas ações deverão justificar a ida para o Inferno, Paraíso ou qualquer que seja o lugar onde nossas almas encontram destino após a morte. Questão de fé, não de religião.

domingo, 16 de março de 2008

Boa noite e boa sorte

Eis um filme que só não foi mais apreciado porque não sou norte-americano. Há algum tempo eu ansiava por assisti-lo, mas nunca surgia a oportunidade. Não é nenhuma superprodução, não existem reviravoltas mirabolantes no roteiro, mas atuações são sinceras, consistentes e o filme efetivamente só diz alguma coisa àqueles que percebem na história as alfinetadas que George Clooney dá na administração George Bush e na imprensa norte-americana.

Comercialmente não foi um sucesso, afinal o público atual dos cinemas normalmente procura filmes mais visuais do que com conteúdo e dificilmente Boa Noite e Boa Sorte seria digerido pelas platéias comuns. É um filme cujo maior trunfo está nos diálogos, mas a direção de Clooney se mostra acertada nas escolhas realizadas, tanto técnicas quanto artísticas.

Trazendo o filme para os acontecimentos atuais, é bem verdade que os tempos são distintos. Aquilo que o senador McCarthy fazia na década de 50 é muito diferente do que os membros do governo Bush fizeram no auge da caça aos terroristas, mas as conseqüências geradas são basicamente as mesmas. A discussão do papel da imprensa faz com que o filme também mostre como estamos mal atualmente, com linhas editoriais obscuras, nem sempre buscando informar. O cerceamento de liberdades, ponto chave no filme, sempre é algo que provoca reações daqueles que efetivamente conseguem visualizar o cenário por completo, notando que nem sempre os fins justificam os meios. E ainda que o “preço da liberdade seja a eterna vigilância”, há de se entender o contexto de liberdade e vigilância. Vigiar aqueles que são considerados subversivos apenas por serem contrários às suas opiniões torna o vigilante uma ameaça ainda maior.

Nesses momentos os veículos de comunicação devem buscar desempenhar seu papel, oferecendo a seus consumidores um ponto de vista que lhes permita escolher uma posição. Mas com a visível regressão cultural que a maioria dos povos está demonstrando, fica realmente difícil colocar as opções na mesa de maneira limpa. Ao menos é assim que eu percebo os noticiários atuais, as publicações semanais e os jornais diários. Filtrar aquilo que interessa no extenso mar de informações que hoje nos é oferecido é tarefa complicada. E sempre tenho a sensação de que querem me vender algo que não deveriam.

domingo, 9 de março de 2008

Motoboys: uma maldição

Não é novidade pra ninguém que o momento econômico que o mundo vive atualmente é algo fantástico. Muitas das economias que há dez anos pegavam pneumonia a cada espirro nas finanças norte-americanas estão hoje vacinadas e bem nutridas a ponto de conseguir sobreviver muito bem durante crises.

No Brasil isso só foi possível graças aos ajustes que foram feitos de maneira lenta e gradativa. Quem acompanhou e ainda lembra alguma coisa de 1998 para cá, sabe que esses ajustes foram feitos mais nas coxas do que de maneira planejada. Ainda assim, demos sorte e o vôo econômico iniciado na era Itamar, quando do lançamento do Plano Real, está em velocidade de cruzeiro e o horizonte apresenta-se estável, com pancadas e turbulências passageiras. Ao menos é o que parece.

Um dos reflexos positivos atuais é o quanto o país cresceu no ano passado e o aumento dos níveis de emprego, principalmente aqueles que exigem baixa escolaridade. Isso levou uma fatia maior de brasileiros às compras, aproveitando a bonança e o crédito facilitado. E viva o carnê das Casas Bahia!

Porém, apesar dos benefícios, existe um lado negativo, que pode ser sentido principalmente por aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Esse aumento do consumo por parte de uma fatia menos esclarecida e educada da população representa um problema sério, tanto para o meio ambiente quanto para a segurança e saúde da população em geral.

Um exemplo disso está na facilidade em adquirir hoje uma moto. Qualquer Zé Ninguém consegue hoje juntar meia dúzia de Reais, parcelar uma CG-125 e se tornar motoboy. Basta percorrer alguns trechos de asfalto que logo você percebe uma horda de motoqueiros avançando pelos corredores da via. Não é justo colocar todos os motoqueiros no mesmo balaio e rotular como idiotas, mas a grande maioria é.

E parece que eles têm um figurino típico. Primeiro: compram aqueles capacetes com adesivos tribais e, sob esse capacete, usam um boné virado ao contrário. Segundo: colocam um guidão um terço menor que o original para não esbarrarem nos espelhos retrovisores. A indumentária geral é uma calça jeans de quinta categoria e tênis XXL. Mas “mano” impossível.

Como esses imbecis sabem que conseguem se esquivar no meio dos carros, não se incomodam em sair como doidos pelo corredor. E ai daquele motorista que resolver encrencar: é pé no retrovisor e foda-se.

Em resumo: além de tornar o trânsito em vias públicas um caos maior do que o já existente, os motoboys sabem que dificilmente serão punidos por suas manobras ousadas ou pelos conflitos que eles resolvem unilateralmente ao detonar seu retrovisor.

Solução simplória para o caso? Claro que eu tenho! Aumentar os impostos para as motos (medida no início do ano que causou fúria nos motoboys mais conhecidos do Brasil, em São Paulo) e dificultar ao máximo o exame para carteira de motorista – tanto de moto quanto de carro. Sim, pois a compra de carros hoje está relativamente fácil. Taí a indústria automotiva rindo à toa que não me deixa mentir.

Solução civilizada para o caso? Oras, fazer a legislação ser cumprida. Nosso código de trânsito não é tão ruim, o problema é a certeza da impunidade, que diminui no cidadão a vontade de cumprir o que se pede no papel.

Em tempo: não escrevi o texto acima baseado apenas em ódio gratuito aos ignorantes do trânsito, mas isso não quer dizer que andei perdendo retrovisor por culpa de um motoboy. Mas sinto que isso, a cada dia que passa, é questão de tempo.

domingo, 2 de março de 2008

Normalizando aos poucos

No post passado eu fiz um mea culpa bem safado, só pra não ficar sem publicar nada por muito tempo. A explicação para isso é o fato de que estamos (eu e minha noiva) montando nosso apartamento, o que tira muito do meu tempo livre. Essa é a razão pela qual eu não esculachei o filme Eu Sou a Lenda, que começa bem mas termina sem pé nem cabeça; não fiz nenhum comentário nem coloquei ótimos vídeos relacionados à farra do cartão corporativo que estão circulando pela internet; deixei de comentar muita coisa sobre quadrinhos; não critiquei os imbecis politicamente corretos que estão deturpando letras de antigas canções de roda; estou deixando passar muita coisa que acontece no meu dia-a-dia e não consegui escrever sobre a minha maior paixão (depois da Renata, claro): pôquer. Percebi que nunca, desde que comecei a blogar, escrevi sobre isso.

Porém, como estamos em fase final de acabamento do apê, logo a normalização do Buraco será total e teremos muita coisa pra comentar. Posso garantir uma coisa: se o lar de um homem é o seu castelo, o nosso está ficando digno de verdadeiros reis. Se vocês forem bonzinhos, quem sabe eu não coloque uma ou duas fotos do nosso lar, doce lar.