Até chegarmos ao Caminito, passamos por mais alguns monumentos “interessantes” sobre a história do país, vimos ao longe uma Igreja Ortodoxa Russa e passamos ao lado do famoso estádio do Boca Juniors, La Bombonera. Não chegamos a entrar no estádio, muito menos no museu existente lá.
Enfim chegamos ao tal do Caminito, região portuária às margens do Rio da Prata. Minha impressão: se o Pelourinho fosse argentino, seria daquele jeito. Na verdade não. Mas em função da quantidade de cores utilizadas nos barracos, eu não estranharia se um argentino chegasse falando mansamente “Que pasa, mi rey...”
A imagem que eu tinha desse local era diferente da que encontrei. Imaginava mais sujo e mal cuidado. Mas foi diferente. Tudo na mais perfeita ordem (ao menos o trajeto originalmente percorrido pelos turistas, pois do ônibus deu pra perceber diversos pontos que fugiam dessa regra). Por ter sido uma parada curta, a imagem que guardamos desse local foi muito positiva. O chato era aturar aquele bando de turista da terceira idade de outras excursões se engraçando para as dançarinas de tango que circulam pelo local. Deprimente.
Saindo do Caminito seguimos em direção ao novíssimo bairro Puerto Madero, ainda na região portuária, mas a diferença entre esse bairro e o Caminito, além do valor estratosférico do metro quadrado (US$3.000,00), é o fato de ser muito mais limpo e chique. O bairro é, de longe, aquilo que se esperava de toda a cidade de Buenos Aires: limpo, bonito e seguro. Pena que essas qualidades não se aplicam à cidade como um todo, exceto pela segurança, uma vez que em raros locais nos sentimos desprotegidos, ainda que o número de moradores de rua seja grande.
Porém, antes de chegarmos a Puerto Madero, passamos por algumas favelas, que em nada devem às favelas brasileiras, exceto o fato de que seus habitantes hablam español. Mas curiosamente essas favelas lá são as “bichas”. Hmmm... Casa Rosada, tango dançado por homens, bichas como favelas. Ta dando pra entender muito bem essa proximidade que o povo gaúcho quer ter com o povo argentino.
Mas voltemos ao passeio.
Depois de Puerto Madero seguimos em direção do shopping Paseo Alcorta, no bairro Palermo, onde finalizamos o city tour e almoçamos. Foi aí onde começamos a jornada de bate-perna por Buenos Aires. Fomos verificar se havia veracidade nos rumores que ouvimos sobre os preços caros dos produtos argentinos. Sim, eram caros. Aliás, na mesma faixa de preço que seus similares brasileiros, mas com um problema: se comprados, teriam que ser trocados antes de voltarmos ao Brasil. Dessa forma, não realizamos compras de itens que poderiam gerar esse problema.
Voltamos ao hotel no final do dia, com o objetivo de manter a agenda, que para a segunda-feira previa passeio mais detalhado em Puerto Madero e jantar no Siga La Vaca e em seguida uma passada no Casino Cirsa.
Sobre o Siga La Vaca só digo uma coisa: evite. Evite porque nós ouvimos duas opiniões divergentes sobre o local, mas uma foi dita por uma pessoa que efetivamente jantou no local e nos sugeriu deixar passar a oportunidade e outra por uma pessoa que não chegou a entrar no restaurante em função da fila que havia para comer lá, ou seja, não experimentou a droga da comida oferecida e ficou mais com a imagem positiva pela situação do que com a imagem realista do restaurante. A carne é sonsa, você deve temperá-la no seu prato e, por mais que o litro de bebida individual e a sobremesa esteja incluso no preço do jantar, prefiro mil vezes o churrasco de final de semana na casa do meu pai do que aquilo que eles chamam de “autentica parrilla argentina”.
Com relação ao cassino, outra decepção. Eu imaginava o ambiente muito mais divertido do que aquilo que presenciamos. O ar dentro do local era algo tão denso que dava pra cortar com faca. Não pela fumaça dos cigarros, mas pela energia negativa que emanava das pessoas. A vantagem é que no cassino você só paga se efetivamente gastar, não há preço de entrada. Chegamos a jogar um pouco, mas nada interessante ou próximo daquilo que esperávamos. Nos restava apenas voltar para o hotel e esperar que a terça-feira fosse mais divertida.
Continua...


