segunda-feira, 9 de junho de 2008

Tropa de Elite Reloaded

Não se trata de notícias sobre uma eventual continuação do melhor filme nacional dos últimos anos. Na verdade o que me levou a falar sobre Tropa de Elite novamente foi o fato de ter recebido de uma colega um texto escrito na época que o filme ainda estava na boca do povo.

O importante nesse texto foi o fato de que existem outras faces do crime organizado que podem ser exploradas em mais filmes, contribuindo para o aumento da discussão que levará esse país a um patamar mais aceitável de qualidade de vida. E digo em mais filmes porque a pirataria sofrida por Tropa comprovou que o povão acaba correndo atrás daquilo que lhe proporciona entretenimento.

É bem verdade que a linguagem para atingir a cabeça dos “descamisados” é bem diferente daquela que os intelectuais preferem. Mas quem leu meu último post sabe o que penso sobre botar cultura na mesa do povão.

Como não estou escrevendo para pessoas que mal terminaram o ensino básico, vamos ao que interessa. Inicialmente vou descer a lenha de leve no contexto do material que recebi. Basta dizer que é fruto de pessoas que se preocupam em demasia em defender os pobres. Preocupar-se com os pobres é algo nobre e necessário, mas fazer isso de maneira menos apaixonada e menos embasada em teorias que já se mostram ineficientes pode aumentar a quantidade de pessoas que apóiam sua visão de mundo. Ou alguém em sã consciência ainda acredita que o Comunismo é a chave para os males do Capitalismo? Ao menos o Capitalismo ultimamente anda tirando muita gente da miséria, ao passo que o Comunismo continua impondo à população ainda sob esse regime uma vida cheia de privações.

Ideologias à parte, o texto do sr. Vito Giannotti, com citações de uma entrevista concedida por Adriano Oliveira ao jornal O Globo em outubro do ano passado, traz uma lista de pessoas cujo péssimo caráter serviria para escrever roteiros e mais roteiros de filmes sobre essa chaga brasileira chamada Segurança Pública. A violência nos grandes centros (e que está cada vez mais próxima das pequenas cidades do interior) é algo que beneficia os verdadeiros e poderosos traficantes, segundo os senhores supracitados, os quais estão entre juízes que vendem sentenças, advogados entrelaçados intimamente com atividades criminosas, sobretudo ao tráfico de drogas; empresários especializados em lavagem de dinheiro, políticos e funcionários públicos das mais diversas instituições e escalões, desde um simples investigador da Polícia Civil ao mais alto delegado da Polícia Federal. Quero enfatizar que os responsáveis por essa teoria são os senhores Vito Giannotti e Adriano Oliveira, que em sua defesa apaixonada do favelado, do pobre, dos marginalizados, voltam suas armas para pessoas que estão em diversos postos importantes do sistema sócio-econômico-jurídico-político nacional.

Fica difícil afirmar que eles têm um fundo de razão. Os "Lalaus" e "Garotinhos" da vida estão aí para reforçar esse ponto de vista. Mas daí a querer crucificar os policiais que cumprem seu dever doa a quem doer é querer que as coisas se ajeitem sem esforço. Não é necessário que pessoas ditas de bem, que eventualmente moram em favelas, sofram os abusos por parte de quem deveria lembrar qual é seu lema e dever: “Servir e Proteger”. Mas criticar apenas por criticar não resolve nenhum problema. Apenas aumenta a animosidade entre os pólos dessa disputa. Além de criticar, esses intelectualóides de esquerda deveriam propor sugestões para que os cidadãos trabalhadores, que moram em lugares onde o crime se prolifera, possam melhorar suas condições de vida. Mas como é mais fácil ficar apontando o rabo dos outros, essas pessoas preferem ficar no conforto de suas vidinhas ao invés de efetivamente trabalhar para o bem-estar geral.

Caso você tenha chegado até aqui e queira tirar suas próprias conclusões sobre o material que recebi dessa colega, seguem os mesmos abaixo. E eu agradeceria muito se houvesse uma opinião de sua parte nas espinafradas.

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Pesquisador da UFPE lança livro "Tráfico de drogas e crime organizado – peças e mecanismos": a melhor base científica para discutir Tropa de Elite

[Por Vito Giannotti] O Globo,de 28/10 nos traz uma rara e grata surpresa. Traz uma entrevista com Adriano Oliveira que é um maná para quem quer entender a desgraça político-ideológica que representa o filme Tropa de Elite.

Em síntese mostra que o problema não começa e nem acaba nas favelas das nossas cidades. Ele desvenda, como resultado de suas pesquisas, sintetizadas em sua tese, o que todos estão cansados de saber, mas que não foi mostrado e nem insinuado naquele filme.

No artigo que escrevi para o Brasil de Fato (www.brasildefato.org.br), do dia 24 de outubro, falava exatamente das mesmas coisas das quais fala Adriano. Ele fala dos grandes traficantes, dos verdadeiros chefões interessados em que o tráfico não acabe e, conseqüentemente, a droga não seja descriminalizada: juízes que vendem sentenças, advogados totalmente entrelaçados com esta atividade criminosa, empresários especializados em lavagem de dinheiro e funcionários estatais de vários escalões e todo tipo de policias, da civil, passando pela militar até chegar à federal. Enquanto isso, o Tropa de Elite ensina a cantar o hino do extermínio dos que moram em favelas: "Homens de preto quando entram na favela – é pra deixar corpo no chão". Leiam em O Globo, de 28/10, na página 15/País, a entrevista de Adriano Oliveira.

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Cinema
Para o filme Tropa de Elite, “favelado bom é favelado morto”

[Por Vito Giannotti]

“Homens de preto, qual é sua missão? É entrar na favela e deixar corpo no chão”. Começo este artigo copiando a abertura de outros dois artigos dos que mais gostei no mar de análises sobre o filme Tropa de Elite. Claudia Santiago e Ivan Pinheiro iniciam seus textos reproduzindo o refrão cantado pelo Bope nos seus treinamentos. É nele, exatamente, que está a linha geral do filme que, independentemente das intenções do produtor e dos atores, é um hino ao Bope (Batalhão de Operações Especiais que atua nas favelas do Rio). Neste refrão, está a mensagem central do filme.

Discute-se muito se o filme é de direita, se é fascista ou nazista. Para mim, ele contribui para consolidar, entre a população, a idéia de legitimidade das ações policiais que exterminam pobres e moradores de favelas no Rio de Janeiro. E faz isto no momento em que militantes de direitos humanos travam, na cidade, uma luta para pôr fim a esta violência. Fruto desta batalha, inclusive, foi criada, a Rede Nacional de Jornalistas Populares que, em seu lançamento, contou com a presença da mãe de uma das vítimas da violência policial.

Ou seja, independentemente da vontade de seus executores, o filme serve muito bem às idéias que a direita semeou: todo pobre é perigoso, é ladrão, é bandido. Todos. Basta ser pobre, de preferência negro, para ser, no mínimo, suspeito.

Se a missão do Bope é “entrar na favela e deixar corpo no chão”, a mensagem que o filme passa é que na favela só tem criminoso, assassino, traficante a ser deixado no chão. Esta é a primeira, a segunda, a terceira, a quarta idéia do filme. É a idéia mais nociva.

Ivan Pinheiro, ao final do seu artigo propõe uma interpretação, com a qual estou de acordo, sobre o resultado ideológico–político do filme: “Em qualquer país em que "Tropa de Elite" passar, principalmente nos Estados Unidos e na Europa, o filme estará contribuindo para que a sociedade se torne mais fascista e mais intolerante com os negros, os imigrantes de países periféricos e delinqüentes de baixa renda.”

Um festival de idéias de direita

Há um hábito, no Brasil, de quase ninguém se assumir como de direita. Hoje, este costume se reforça com a balela de que direita e esquerda não existem mais. Acabou tudo. O filme nos mostra que, ao contrário, a diferença entre direita e esquerda está mais viva do que nunca.

Tropa de Elite não só apresenta, através da narrativa da filosofia do Bope, um grande quadro de idéias de direita, como as mostra de maneira simpática, dinâmica e as justifica. O público, obviamente, se comove com o policial com síndrome de pânico, embora este seja torturador de homens, crianças e mulheres e assassino. E se encanta com aquele que reconhece a miopia do menino. Se é tão bom, é possível compreendê-lo quando se transforma devido a perda do amigo, que queria ajudá-lo, em assassino e torturador. Então justifica a barbaridade dos homens de preto que têm como missão “entrar na favela e deixar corpo no chão”.

Ou seja, não interessa se de propósito ou não, o filme faz campanha e reforça, no coração e na mente de milhões, idéias contra as quais a esquerda de bateu há séculos.

No artigo de Claudia Santiago há um roteiro de algumas das idéias altamente nocivas do filme. Ela afirma: “Os membros do Bope são mostrados como heróis incorruptíveis, dispostos a combater o crime a qualquer custo, mesmo que este custo seja `esculachar moradores`, condenar sem julgamento, torturar crianças e companheiras de traficantes e matar”. Para ela, a prática da tortura, da pena de morte aplicada de maneira informal, a ridicularização da luta pelos direitos humanos são algumas das várias lições de direita que este filme dá aos espectadores. A culpa do tráfico jogada em jovens estudantes “maconheiros”, sem procurar os grandes responsáveis pelo tráfico que não querem que ele acabe é outro ponto forte do filme.

Um ponto de vista que defende o extermínio dos moradores de favelas

O filme faz sucesso por dois motivos:

. Trata do tema que mais preocupa a sociedade brasileira: a violência e a segurança.

. Retrata e reproduz as idéias dominantes da sociedade sobre a favela, os pobres, os negros, ideologia espalhada pelos quatro Cavaleiros do Apocalipse da comunicação de direita nacional: Folha de S. Paulo, O Estadão, O Globo e Veja.

A capa desta revista, no seu número 2030, de 17/10, não deixa dúvidas sobre o caráter do filme. A manchete é “Pegou geral”. Em seguida, Veja nos esclarece com a seguinte legenda: “O filme Tropa de Elite é o maior sucesso de nossa história porque trata bandido como bandido e mostra usuário de droga como sócio dos traficantes”.

Esta mensagem, que tanto agrada à revista, não é novidade. Não foi o José Padilha quem as inventou. Sempre se falou que “Bandido bom é bandido morto”. Sempre, entre a classe dominante, desde o tempo da Casa Grande e da Senzala, existiu o pavor-pânico das “classes perigosas”, isto é, dos pobres. Sempre se confundiu pobre com criminoso. São idéias que têm origem na tradição secular de uma sociedade escravocrata dividida entre a Casa Grande e a Senzala. O que o filme faz é simplesmente reforçar toda esta ideologia.

Há várias falas e imagens, ao longo do filme que consagram a idéia de que a favela é lugar de bandido: “O farda preta entra na favela para matar”, se ouve lá pelas tantas. Sim, matar. Matar a quem? Lógico, aqueles bandidos favelados.

O filme esconde a raiz da guerra do tráfico

Desde as primeiras cenas aparece a tal “guerra”. Guerra de quem contra quem? A quem interessa esta guerra? Por que não se acaba com esta guerra? A única solução que o filme aponta é o extermínio. De quem? Dos generais desta guerra? Não. Não há chefões, não há gente interessada em não acabar com esta guerra. Ela existe e ponto final.

Quem disse que esta guerra precisa existir? Não há outras hipóteses? Não há a possibilidade das “drogas serem vendidas em drogarias”? Não há a possibilidade, através da liberação, de acabar com o tráfico e com esta guerra? Há muita gente que acha que assim diminuiria o uso de drogas.

Já se tentou imaginar uma sociedade sem tráfico... sem corrupção policial, sem armas contrabandeadas, sem propinas para advogados e juizes? E, sem tráfico de drogas, como ficaria a lavagem de dinheiro praticada por muitas empresas? Outra pergunta: O tráfico é coordenado por quem? Será que os chefes do exército do tráfico são aqueles garotos de olhos esbugalhados que ficam lá no alto dos morros dando tiros sem saber em quem e pra quê?

O filme não fala nada sobre esta parte da realidade. Então, não venham me dizer que o filme refletiu a realidade. Não. Refletiu a parte da realidade que queria ver. A outra foi deixada no escuro e não vai ser vista por quem o assistir.

A imagem que fica é a do morador de favela, traficante. Este tem que morrer, porque, os heróis que o filme apresenta para nossa sociedade idolatrar, os Bope, vestidos de preto, continuam cantando que sua “missão é entrar na favela e deixar corpo no chão.” Corpo de pobre, evidentemente. Não daqueles que vivem da guerra dos meninos do tráfico contra os homens de preto, que rende bilhões de dólares anuais para os verdadeiros chefões do tráfico.

domingo, 1 de junho de 2008

Entre o comer e o alimentar-se

Estamos comendo muito, mas nos alimentando mal. E isso não apenas quando falamos da comida propriamente dita. Na cultura os ciclos entre o bom e o mau alimento se tornam cada vez mais díspares.

Atualmente você poderia citar, no cenário nacional, quantas pessoas produzem cultura e o fazem de maneira original? Sobraram dedos e faltaram nomes para citar, certo?

Quem sabe isso seja reflexo da nossa compulsão pelo rápido, fast-food, atualizações diárias, enfim, estamos com muita pressa em consumir e pouca paciência para saborear o produto do consumo. A cada dia somos apresentados a um novo salvador do rock, a um novo escritor inovador, a uma nova vida cheia de expectativas que nunca se concretizarão e isso justamente porque estamos preocupados e ter tudo e ter muito sem saber exatamente o que queremos.

De que adianta ter um sebo em casa se os livros foram lidos apenas para que se diga “eu leio muito”? Se o conteúdo do material não foi absorvido, qual a razão para se orgulhar do sebo caseiro? O brasileiro lê muito pouco, mas ler apenas para sentir-se acima da média é burrice.

A televisão, por outro lado, vem sofrendo com a necessidade de sempre colocar algo novo e inédito no ar. Não é à toa que o YouTube é um sucesso. Sempre tem alguém com alguma idéia, de jerico ou genial, que está por lá. Ótimo, a democratização da cultura é algo que pode ser fantástico.

A internet acelerou ainda mais o mundo nos últimos anos e isso está sendo mal aproveitado pela atual geração. A inclusão digital serve apenas para que os governantes digam que cada vez mais pessoas têm acesso à internet.

Grande coisa! Se essas pessoas não tiverem discernimento e capacidade crítica para entender o que de bom existe numa conexão com o mundo a serventia de tudo isso é nula. Antes de colocar um computador na frente de uma criança, ela precisa saber ler e interpretar aquilo que lê. Antes de dar acesso ilimitado a um mundo totalmente absorvente como a internet consegue ser, deveria ser dada ao povão a capacidade de entender aonde ele pode chegar com essa ferramenta.

É muito mais fácil criticar uma pseudo-elitização da cultura do que efetivamente pensar em meios de popularizar a BOA cultura, aquela que não expõe crianças de maneira antecipada à sexualidade, aos horrores da violência, ao consumismo desenfreado.

É justamente a banalização da cultura que nos coloca à mercê de aberrações como a necessidade da discussão de uma lei que proíbe a propaganda de bebidas alcoólicas na TV. O bom senso já deveria capitanear a cabeça das agências de publicidade a ponto delas perceberem que, ao colocar uma modelo fabulosa de biquíni com uma garrafa de cerveja na mão em propagandas de TV, se está incentivando a barbárie do excesso do consumo da bebida alcoólica.

Os números do último feriadão estão aí para confirmar: brasileiro não sabe beber com responsabilidade. A lei que efetivamente vai diminuir, ao menos é isso que se espera, as causas de acidentes nas estradas chegou agora, na semana que passou. Quantas vidas precisaram ser ceifadas até que se percebesse o elo entre a irresponsabilidade na ingestão de álcool e as mortes nas estradas?

Como se vê, de nada adianta o Brasil ter atingido o grau de investimento se o seu povo ainda acha que “feio é roubar e não poder carregar”. Enquanto existirem pessoas que se dizem partidárias do povo e que crêem que um Bolsa-Família é a resposta para os problemas dos mais pobres, vamos continuar assistindo ao empobrecimento da cultura e da civilização ao som do MC Créu e seus genéricos.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Indiana Jones e O Reino da Caveira de Cristal


Dezenove anos. Tempo demais para o que foi apresentado. Fiz questão de me manter longe de comentários mais reveladores e corri para assistir ao filme na sua pré-estréia para ter minha opinião sem interferências. Não entendi, após o final da sessão, a razão para tanta frescura na escolha do roteiro se o que foi filmado não pareceu agradar aos fãs mais velhos de Indiana Jones. Ouvi muita gente fazendo coro com relação ao que pensei sobre tudo o que passou na telona.

O filme se preocupa muito mais em conquistar a platéia mais nova, a segunda geração videogame (segunda porque a primeira é formada por aqueles que curtiam Atari). Em poucas cenas o filme efetivamente remete aos bons momentos dos três primeiros da série. É sabido que Indiana Jones estreou nos cinemas, em 1982, apoiado por muitas situações caricatas e exageradas, mas nesse último filme as coisas fogem do controle.

Eu, como fã de carteirinha, com direito a ter um chapéu original Indiana Jones e o box com a trilogia, saí do cinema extremamente decepcionado. Confesso que o fato de o tempo ter exigido a mudança dos inimigos, dos nazistas para os comunistas, já era algo que me chateava, mas mudanças às vezes são para melhor, oras. E não teria cabimento ver Harrison Ford, na idade em que se encontra, lutando contra nazistas como se A Última Cruzada tivesse sido lançado há poucos anos.

Pois bem, se quiser continuar, que seja por sua conta e risco. Daqui pra frente tá cheio de spoilers.

A invasão da base americana pelos russos ficou excelente. As citações aos Caçadores da Arca Perdida, logo no início do filme, davam um gostinho de nostalgia e transmitiam a sensação de que um novo e melhor episódio da série estava por vir. Engano. A história pouco tem a ver com a mitologia construída nos três primeiros filmes.

Após a seqüência inicial no depósito da área 51, ficamos sabendo como Henry Jones Jr. atuou pelo seu país durante a Segunda Guerra. Pausa para situar o filme durante o macartismo, onde qualquer um poderia ser apontado como “vermelho”, passando a ser perseguido pelo governo, sem mencionar que o menor envolvimento com comunas era motivo para ter o FBI na sua cola. E o fato do Dr. Jones ter escapado de espiões russos que invadiram uma base americana é mais do que motivo para ser investigado pelo Bureau.

Em função dessa investigação e das pressões sobre o reitor da universidade onde leciona, Henry Jones Jr. resolve que a Europa seria um bom local para deixar a poeira baixar, nesse momento ficamos sabendo que seu pai e Marcus Brodi faleceram. Porém, na hora de dar início à viagem, surge Mutt, um jovem que precisa da ajuda de Indiana para resgatar sua mãe, que caiu nas mãos dos comunistas. Quando o guri está explicando a situação para nosso herói, surge a primeira seqüência de perseguição. Nessa hora você pensa: agora sim! Vamos ter um legítimo filme de Indiana Jones!

A perseguição é muito boa e o climão de cinema pipoca parece que vai engatar. Surge uma boa razão para que Indiana saia ao resgate da mãe de Mutt e se meta em enrascadas. Entra a clássica seqüência do vôo sobre um mapa e, em seguida, ratifica-se a primeira impressão de que a química entre Harrison Ford e Shia LaBeauf funciona perfeitamente. Não se pode negar, o guri é bom, muito bom. O elenco de forma geral é até melhor do que nos filmes anteriores, não existe ninguém destoando, todos estão à vontade em seus papéis e percebe-se que estar ali é muito divertido para o elenco. Ainda assim, isso não salva o roteiro.

Lá pelas tantas a história descamba para uma perseguição frenética na selva amazônica, com cenas difíceis de engolir, até mesmo para um filme de Indiana Jones. Aliás, em muitas cenas tive a impressão de que George Lucas e Steven Spielberg perderam a mão. Minha noiva sintetizou muito bem as falhas em determinados pontos como desnecessárias, onde você perde o clima de magia e pára para pensar, algo que num filme desses não deve acontecer. Você entra na história e aceita que muitas coisas, mesmo sendo exageradas, formam um contexto. Quando esse exagero supera aquilo que é cabível, quebra-se a magia. Isso acontece em pelo menos três pontos do filme: na maneira como Indiana sobrevive a uma explosão atômica, no uso de cipós por Mutt para conseguir se reunir aos veículos da perseguição na selva amazônica e nas três quedas de cachoeiras até a chegada ao Reino da Caveira de Cristal. E se você foi um tanto quanto perceptivo quando viu o pôster do filme ou leu em algum lugar na internet, a tal Caveira de Cristal pertence a um ser extraterrestre, o que poderia ter gerado uma história muito mais empolgante.

Pois bem, ao descobrir que realmente houve uma raça alienígena que povoou a América antes da chegada dos conquistadores, o filme se fecha de maneira rápida, ainda que consistente com a proposta da história. Nesse ponto, se você esperava o mesmo que eu, já estará triste e desanimado.

Porém a cena final consegue piorar ainda mais a sensação de desgosto. Um casamento para fechar o filme é muito pra minha cabeça. Mas isso não é o mais absurdo. Absurdo é saber que Spielberg e Lucas, bem como Harrison Ford, pretendem realizar um quinto filme de Indiana Jones. Antes tivessem parado no terceiro. Pelo menos The Dark Knight vem aí e nesse eu boto muita fé.

Nota 5,0.

domingo, 18 de maio de 2008

Teoria da Conspiração

Começou a guerra. Agora ela está aberta, clara, visível. Os gringos definiram que a Amazônia não é brasileira. Questão de tempo até que os ânimos se exaltem sobre a importância da floresta para o planeta. Mesmo que seja nacionalismo irracional, não sou um dos que preferem abrir mão de tudo que a Floresta Amazônica oferece sem a devida contraparte do resto do mundo. E digo isso sem o medo de ser tachado de mercenário ambiental. Desenvolvimento sustentável é algo que, por tudo que estudei, não existe. Quem fica em cima dessa tecla tem interesses que não necessariamente trarão essa utopia.

Se hoje a Amazônia é considerada patrimônio da humanidade, só o é porque muitas outras florestas hoje são apenas lembranças de um tempo em que o homem se achava senhor absoluto do planeta, quando nações colonizadoras exploravam continentes sem se preocupar com as conseqüências disso, afinal naqueles tempos não havia conhecimento suficiente para prever o cenário que hoje precisa ser remediado. Ainda que somente na Amazônia se encontre a riqueza e biodiversidade que os fatores geográficos proporcionaram, não pode ser esquecido o fato de que todo ecossistema tem sua importância.

Como fazer para que a questão de patrimônio da humanidade não vá contra os interesses nacionais é o grande ponto a ser discutido. Se os gringos querem tomar aquilo que de fato é de todos, que isso não seja feito de acordo com os interesses de poucos e em desacordo com o povo que contém o patrimônio em suas fronteiras.

Reconheço que a maneira como o atual governo se posiciona em relação à questão abre precedentes perigosos, precedentes esses que provocam em nações poderosas discussões sobre o direito à soberania brasileira e de outros países sul-americanos sobre o território amazônico. A queda de Marina Silva, da maneira como ocorreu, acendeu a luz vermelha para os defensores do meio ambiente. E tem gente mais interessada na desestabilização da discussão do que na busca efetiva de soluções. Apontar quem são os vilões ocultos é um jogo arriscado. Cada um tem sua teoria e o povo brasileiro já ouviu muitas histórias conspiratórias sobre as maneiras como a Amazônia será tomada de nós.

Leia esse artigo, bote sua teoria na roda e aposte em quem você acha que vai ganhar essa queda de braço. Particularmente só vejo um perdedor: a própria Floresta Amazônica.

domingo, 11 de maio de 2008

Fui enganado, quero meu tempo de volta!

Você, nos dias de sua infância, foi iludido, enganado. Tudo fazia crer que quando você chegasse à vida adulta muito daquilo que via passando no mundo seria feito de maneira prática e rápida quando crescesse. Você teria menos trabalho e mais tempo para o lazer.

Pois é, hoje você está formado, com um emprego que te suga mais do que te devolve e seu tempo livre está sendo menos proveitoso do que você gostaria. O advento do PC e a evolução da internet diminuiu muito o tamanho do mundo, a ponto de todas as suas tarefas necessitarem planejamento prévio, de médio a longo prazo. Ou pior: tudo que te pedem para ser feito é para ontem.

O ano 2000 chegou e com ele não veio o mundo dos Jetsons. Que droga... Os carros não voam, os robôs não fazem todas as atividades domésticas, a poluição e os trabalhos extenuantes não foram riscados do mapa e adicione à lista aquilo que você queria que o século XXI tivesse trazido, mas não o fez.

Menor ficou o tempo para si próprio. Agora só se deve pensar em terminar a faculdade (na qual você adentrou quando tinha seus 17 anos), engatar um MBA, fazer cursos e mais cursos de aperfeiçoamento profissional, realizar trabalhos voluntários e, ainda por cima, ser bom namorado (marido, esposa, companheiro(a) etc.), ser um bom pai/mãe, ser um vizinho simpático e querido no condomínio e por aí vai.

Tá complicado mesmo saber qual é nosso papel nesse mundo cada vez mais veloz, mas não dá tempo pra ficar choramingando. A avalanche de pessoas que não se importam com tudo isso que expus aí em cima te atropela sem compaixão. O negócio é ter, ter, ter. Consuma tudo que a mídia televisiva, impressa e que está no banner desse site te oferece. Esqueça os valores fundamentais, que realmente te fazem feliz. Seja, enfim, a única coisa que você não sonhava para o seu futuro quando era uma criança: uma máquina.

terça-feira, 22 de abril de 2008

Curtas, longas e devaneios

Vacas frias

Não vejo a hora de saber o teor do depoimento da Sra. Dilma Roussef sobre o dossiê relativo aos gastos presidencias do governo passado. Será que ela vai seguir seu mestre e alegar não saber de nada e que tudo não passou de obra de aloprados sob seu comando? O que os governistas tanto temem ao blindar a ministra e evitar sempre que possível sua convocação na CPI dos cartões corporativos?

Esse é o PT, aquele partido que um dia se disse ético.

Tá complicado

A cada dia fica mais fácil entender como diretores-abutres mantêm seus empregos nas emissoras de TV. Sugar cada gota de sangue do noticiário sobre o Caso Isabella gera uma caça às bruxas, personificadas no pai e madrasta da criança assassinada. Nem mesmo Ana Maria Braga deixou de opinar sobre o caso em seu programa (?) matinal.

Pergunto: Quem disse que a Imprensa é quem deve julgar criminosos, baseada nas informações coletadas nem sempre por fontes fidedignas? Quem julga criminosos não é a Justiça, após receber informações levantadas pela Polícia? À Imprensa não cabe somente o papel de informar?

Pergunto parte II: Até quando artistas vão continuar falando o que pensam a respeito desse tipo de caso, onde qualquer declaração mal interpretada pode gerar problemas sérios, convidados por programas populares? Artista pode ter opinião, com certeza. Mas deve pesar muito bem as palavras ao expressá-la. Nesse quesito uma artista global, que agora me falha a memória em nomeá-la, tempos atrás disse que artista não deve sair por aí falando sobre tudo. Ponto para ela, que assim que for lembrada, terá seu nome colocado aqui.

Pequim 2008

E viva o dinheiro! Garanto que se os direitos humanos estivessem sendo desrespeitados em um país-sede dos Jogos Olímpicos com menor potencial econômico, boicote seria a regra. Mas como a China pode muito, todo mundo deixa pra lá o fato de o regime totalitário daquele país estar massacrando a liberdade do povo chinês, destruindo o Tibet e fazendo pouco ou quase nada com relação aos problemas ambientais catastróficos que a economia chinesa produz dia após dia. Eu sou a favor do boicote!

Saindo do rumo

Não costumo comentar por aqui sobre os livros que ando lendo, mas esse merece menção: O Rei do Inverno, de Bernard Cornwell. É o primeiro volume de uma trilogia baseada na história (não na lenda) do mítico Artur, aquele que descobertas arqueológicas recentes demonstraram nunca ter sido rei, mas cuja personalidade forjou uma das lendas mais nobres sobre monarcas antigos. O escritor escreve sobre o que gosta e, ao fazer isso, torna sua narrativa atraente ao extremo. É um calhamaço de 544 páginas que você lê com prazer, ainda que as primeiras páginas sejam arrastadas. Depois de 80 a 100 páginas a história engata um rumo interessantíssimo e, a cada nova revelação sobre os tempos de Artur, maior fica a curiosidade em saber como tudo se resolve.

Bom gosto

Ultimamente esse espaço onde coloco pra fora um pouco da minhas idéias tem sido visitado em massa por pessoas procurando imagens de Regiane Alves. Não por acaso ela está no topo de minha lista de desejos oníricos. Se com sua imagem recatada que utilizei no post das Top 5 a movimentação está assim, imagino só o que aconteceria se lá eu colocasse as fotos de sua Playboy... É uma pena que visitas em blog não rendam dinheiro.

domingo, 13 de abril de 2008

Campanhas que gostaríamos de ver por aí

Mulheres embasbacadas com o aumento da homossexualidade masculina resolvem usar armamento pesado. Apesar de apoiar a campanha, não posso deixar passar batido a falta de acento no "também" que acabou indo parar no cu. Mas isso é mero detalhe. Apóie você também essa campanha!

domingo, 6 de abril de 2008

Radio Ga Ga

Volta e meia, quando o Marlo escreve posts musicais no Catapop! sinto uma pontinha de inveja pelo fato dele ainda ter paciência em garimpar bandas e cantores interessantes no emaranhado musical que nos cerca.

De certa forma agora retomei sem querer essa capacidade. Há alguns meses, 2 ou 3 – não sei ao certo – fui tomado de surpresa pela mudança radical que aconteceu com algumas rádios aqui de Curitiba. A maior delas foi a saída da Globo FM, que ficou no ar pouco menos de um ano, e sua substituição pela Mundo Livre FM.

A Globo FM, para aqueles que não a conheciam (ou conhecem, pois ainda é possível sintonizá-la em algumas cidades brasileiras) é uma rádio voltada para o pop mais conhecido, principalmente músicas dos anos 80 e 90, com fartas doses de artistas que marcaram e marcam presença nas trilhas sonoras de novelas globais.

A surpresa pela saída da Globo e entrada da Mundo Livre começa pela programação musical. A Mundo Livre raramente toca algo comercial, sempre tem coisa diferente rolando, ainda que não seja algo novo. E o melhor: não se fixa em tocar músicas em português e inglês. Volta e meia você pega algo em francês, árabe e espanhol, para ficar em alguns exemplos. E o que chama atenção: a Mundo Livre FM pertence à Rede RPC, afiliada do Sistema Globo de rádio e TV. Isso representa algo inusitado, pois teoricamente o lucro viria mais rápido se a rádio mantivesse seu foco no puro pop.

Porém a Mundo Livre não é pioneira no sentido de colocar sonoridades diferentes no ar. A Lúmen FM vem a alguns anos promovendo uma farra musical para aqueles que têm sede de novidades ou sons fora do sistemão pop. Comecei a escutar essa rádio com maior freqüência no trabalho, quando a necessidade cada vez maior de poupar meus ouvidos contra as músicas das rádios comerciais cresceu. Não dava mais para aturar as músicas padronizadas que tocam nas Transaméricas e Jovens Pan da vida. Principalmente quando essas rádios insistem em enfiar orelha adentro a mesma música 4 ou 5 vezes no mesmo dia, 7 dias por semana.

Um belo dia, tomado por uma irritação visível, mudei o dial e coloquei na Lúmen pois já havia ouvido a mesma algumas vezes, mas nunca com assiduidade. Por sorte a maioria do pessoal no escritório gostou da mudança e mantemos o rádio sintonizado nessa emissora durante a maior parte do dia.

Percebendo que estava perdendo terreno, a única rádio preocupada em tocar rock em Curitiba (não por acaso chamada 91Rock) saiu do marasmo em que se encontrava. Parou de tocar porcarias emo e afins para voltar a surpreender com programas mais interessantes, voltados não apenas a uma tribo musical. Com essa mudança, claro que os ouvintes saíram ganhando. E dessa forma sempre surge algo que te faz pensar em anotar o nome de uma ou outra banda para quem sabe conhecer melhor seu trabalho.

Agora a inveja que eu tinha do Marlo diminuiu um bocado. Mas a preguiça de anotar os nomes das bandas e intérpretes que chamam atenção é o novo obstáculo a ser superado.

Porém isso não quer dizer que abandonei completamente as rádios comerciais. Como às vezes algumas músicas dessas rádios que citei são meio enjoadas de ouvir, mando ver nas tradicionais rádios que tocam velharias. Aquelas que nossos pais ouviam quando éramos pequenos e achávamos rádio de gente velha. Percebe-se que se está ficando velho quando as músicas da sua adolescência tocam nessas rádios, mas isso é assunto para outra conversa...

domingo, 30 de março de 2008

Pancadaria no trânsito

Essa semana o que mais me chamou a atenção nos noticiários foram as infelizes declarações daquele sapo barbudo que ocupa a cadeira de Presidente da República, novamente se comparando a Jesus Cristo e achando ruim a oposição fazer seu papel. Pois bem, foda-se o Lula e aqueles que enchem a bola desse calhorda. Se possível fosse, meu último desejo em vida seria encher a cara desse infeliz de bordoada, pois o egocentrismo desse cara, que "aconselhou" o Bush a cuidar da crise dos EUA para não interferir no crescimento do Brasil, chegou ao limite do racional. Ele não ouviria nem a própria mãe pedindo para que ele voltasse a ser (ou parecer) minimamente ético. Pro inferno com esse pulha!

Saindo da política e entrando na área mais "dia-a-dia" vamos passar ao trânsito, esse Satã Goss que tem o poder de enfurecer os seres e torná-los monstros incontroláveis. Todo mundo já deve ter passado por alguma situação ruim no trânsito a ponto de ser tirado do sério. Se não passou, um dia passará. É algo que está no seu destino.

Pois bem, essa semana que passou teve um registro fotográfico de uma briga no trânsito. Com certeza devem acontecer várias similares todos os dias nos grandes centros urbanos, onde o stress e a irritação provocados pela rotina mostram como é fácil deixar de ser civilizado.

Eu mesmo, por duas vezes, passei dos limites do razoável quando sofri com a irresponsabilidade e imprudência de outros motoristas. Mas sair correndo depois que o bicho pega, como o mané das fotos citadas, é coisa de frangote. Se não agüenta, não se mete, rapaz. Se se meter, apanha que nem homem, pô! Agora taí, virado em fonte de chacota nacional porque não foi macho o suficiente pra defender os xingamentos e impropérios que desferiu contra o outro motorista. Esse aí nunca mais se mete a fodão no trânsito. Frozô!

domingo, 23 de março de 2008

Entre a fé e a religião

Páscoa deveria ser um período de reflexão, como toda data religiosa cristã que temos o costume de celebrar. Digo cristã porque a maioria dos brasileiros é fiel aos Evangelhos e segue a Bíblia como livro sagrado. O problema, como em toda data religiosa, é que o povo passa apenas aqueles dias sendo bonzinho e nos demais dias do ano a hipocrisia, o orgulho e o egoísmo voltam a imperar.

Desde que comecei a me dedicar ao estudo de questões relativas ao Cristianismo, meu ceticismo com relação a tudo que nos é contado na Bíblia aumentou, exceto minha fé em Deus, que continua no mesmo caminho há alguns anos.

O grande trunfo da Bíblia, segundo tudo que se percebe nela, é realmente a bússola moral que ela representa. Realmente teríamos problemas menores se aqueles que nela vêem um exemplo a ser seguido efetivamente colocassem em prática boa parte do que está inscrito nos livros que a compõem.

É pedir demais, afinal esse mundo a cada dia surge um novo charlatão que usa as palavras tidas como sagradas para alcançar benefício próprio. Mas o que acontece em todo período de festas religiosas é um saco, pois todo o blábláblá que envolve essas datas, ano vem ano vai, não muda nunca.

A população está cada vez mais perdida e minha fé no ser humano não tem previsão de ser restaurada. Exemplos de pessoas que são falsas existem aos borbotões. Sei de um cara que casou na igreja (não católica), seguindo os rituais que sua religião prega, mas tem no pensamento a idéia de que é “melhor faltar caráter que faltar mulher”. Qual a razão, além do casamento pra inglês ver, de seguir uma religião se os preceitos morais que ela prega são relegados por esse “omem” (assim mesmo, sem H) a planos abaixo da luxúria, cobiça e inveja?

Dessa forma, prefiro não seguir religião alguma, mas procurar sempre que possível seguir os conselhos que a Bíblia e os ensinamentos que ela passa. Buscar Deus não em presentes ou ovos de chocolate, em juras a sacerdotes nas cerimônias celebradas, mas nas ações benéficas que pautam meu dia-a-dia. Estou no mesmo barco que os praticantes religiosos de ocasião, pois a crítica que fiz nesse post me enquadra entre pecadores, pois soberba e orgulho não devem ser alardeados como qualidade. Se não há diferença entre a minha maneira de agir e a daqueles que seguem uma religião, me pergunto qual será o critério definitivo para julgar os bons e os maus quando a hora chegar. Opinião pessoal? Acredito definitivamente que nossas ações deverão justificar a ida para o Inferno, Paraíso ou qualquer que seja o lugar onde nossas almas encontram destino após a morte. Questão de fé, não de religião.

domingo, 16 de março de 2008

Boa noite e boa sorte

Eis um filme que só não foi mais apreciado porque não sou norte-americano. Há algum tempo eu ansiava por assisti-lo, mas nunca surgia a oportunidade. Não é nenhuma superprodução, não existem reviravoltas mirabolantes no roteiro, mas atuações são sinceras, consistentes e o filme efetivamente só diz alguma coisa àqueles que percebem na história as alfinetadas que George Clooney dá na administração George Bush e na imprensa norte-americana.

Comercialmente não foi um sucesso, afinal o público atual dos cinemas normalmente procura filmes mais visuais do que com conteúdo e dificilmente Boa Noite e Boa Sorte seria digerido pelas platéias comuns. É um filme cujo maior trunfo está nos diálogos, mas a direção de Clooney se mostra acertada nas escolhas realizadas, tanto técnicas quanto artísticas.

Trazendo o filme para os acontecimentos atuais, é bem verdade que os tempos são distintos. Aquilo que o senador McCarthy fazia na década de 50 é muito diferente do que os membros do governo Bush fizeram no auge da caça aos terroristas, mas as conseqüências geradas são basicamente as mesmas. A discussão do papel da imprensa faz com que o filme também mostre como estamos mal atualmente, com linhas editoriais obscuras, nem sempre buscando informar. O cerceamento de liberdades, ponto chave no filme, sempre é algo que provoca reações daqueles que efetivamente conseguem visualizar o cenário por completo, notando que nem sempre os fins justificam os meios. E ainda que o “preço da liberdade seja a eterna vigilância”, há de se entender o contexto de liberdade e vigilância. Vigiar aqueles que são considerados subversivos apenas por serem contrários às suas opiniões torna o vigilante uma ameaça ainda maior.

Nesses momentos os veículos de comunicação devem buscar desempenhar seu papel, oferecendo a seus consumidores um ponto de vista que lhes permita escolher uma posição. Mas com a visível regressão cultural que a maioria dos povos está demonstrando, fica realmente difícil colocar as opções na mesa de maneira limpa. Ao menos é assim que eu percebo os noticiários atuais, as publicações semanais e os jornais diários. Filtrar aquilo que interessa no extenso mar de informações que hoje nos é oferecido é tarefa complicada. E sempre tenho a sensação de que querem me vender algo que não deveriam.

domingo, 9 de março de 2008

Motoboys: uma maldição

Não é novidade pra ninguém que o momento econômico que o mundo vive atualmente é algo fantástico. Muitas das economias que há dez anos pegavam pneumonia a cada espirro nas finanças norte-americanas estão hoje vacinadas e bem nutridas a ponto de conseguir sobreviver muito bem durante crises.

No Brasil isso só foi possível graças aos ajustes que foram feitos de maneira lenta e gradativa. Quem acompanhou e ainda lembra alguma coisa de 1998 para cá, sabe que esses ajustes foram feitos mais nas coxas do que de maneira planejada. Ainda assim, demos sorte e o vôo econômico iniciado na era Itamar, quando do lançamento do Plano Real, está em velocidade de cruzeiro e o horizonte apresenta-se estável, com pancadas e turbulências passageiras. Ao menos é o que parece.

Um dos reflexos positivos atuais é o quanto o país cresceu no ano passado e o aumento dos níveis de emprego, principalmente aqueles que exigem baixa escolaridade. Isso levou uma fatia maior de brasileiros às compras, aproveitando a bonança e o crédito facilitado. E viva o carnê das Casas Bahia!

Porém, apesar dos benefícios, existe um lado negativo, que pode ser sentido principalmente por aqueles que vivem em grandes centros urbanos. Esse aumento do consumo por parte de uma fatia menos esclarecida e educada da população representa um problema sério, tanto para o meio ambiente quanto para a segurança e saúde da população em geral.

Um exemplo disso está na facilidade em adquirir hoje uma moto. Qualquer Zé Ninguém consegue hoje juntar meia dúzia de Reais, parcelar uma CG-125 e se tornar motoboy. Basta percorrer alguns trechos de asfalto que logo você percebe uma horda de motoqueiros avançando pelos corredores da via. Não é justo colocar todos os motoqueiros no mesmo balaio e rotular como idiotas, mas a grande maioria é.

E parece que eles têm um figurino típico. Primeiro: compram aqueles capacetes com adesivos tribais e, sob esse capacete, usam um boné virado ao contrário. Segundo: colocam um guidão um terço menor que o original para não esbarrarem nos espelhos retrovisores. A indumentária geral é uma calça jeans de quinta categoria e tênis XXL. Mas “mano” impossível.

Como esses imbecis sabem que conseguem se esquivar no meio dos carros, não se incomodam em sair como doidos pelo corredor. E ai daquele motorista que resolver encrencar: é pé no retrovisor e foda-se.

Em resumo: além de tornar o trânsito em vias públicas um caos maior do que o já existente, os motoboys sabem que dificilmente serão punidos por suas manobras ousadas ou pelos conflitos que eles resolvem unilateralmente ao detonar seu retrovisor.

Solução simplória para o caso? Claro que eu tenho! Aumentar os impostos para as motos (medida no início do ano que causou fúria nos motoboys mais conhecidos do Brasil, em São Paulo) e dificultar ao máximo o exame para carteira de motorista – tanto de moto quanto de carro. Sim, pois a compra de carros hoje está relativamente fácil. Taí a indústria automotiva rindo à toa que não me deixa mentir.

Solução civilizada para o caso? Oras, fazer a legislação ser cumprida. Nosso código de trânsito não é tão ruim, o problema é a certeza da impunidade, que diminui no cidadão a vontade de cumprir o que se pede no papel.

Em tempo: não escrevi o texto acima baseado apenas em ódio gratuito aos ignorantes do trânsito, mas isso não quer dizer que andei perdendo retrovisor por culpa de um motoboy. Mas sinto que isso, a cada dia que passa, é questão de tempo.

domingo, 2 de março de 2008

Normalizando aos poucos

No post passado eu fiz um mea culpa bem safado, só pra não ficar sem publicar nada por muito tempo. A explicação para isso é o fato de que estamos (eu e minha noiva) montando nosso apartamento, o que tira muito do meu tempo livre. Essa é a razão pela qual eu não esculachei o filme Eu Sou a Lenda, que começa bem mas termina sem pé nem cabeça; não fiz nenhum comentário nem coloquei ótimos vídeos relacionados à farra do cartão corporativo que estão circulando pela internet; deixei de comentar muita coisa sobre quadrinhos; não critiquei os imbecis politicamente corretos que estão deturpando letras de antigas canções de roda; estou deixando passar muita coisa que acontece no meu dia-a-dia e não consegui escrever sobre a minha maior paixão (depois da Renata, claro): pôquer. Percebi que nunca, desde que comecei a blogar, escrevi sobre isso.

Porém, como estamos em fase final de acabamento do apê, logo a normalização do Buraco será total e teremos muita coisa pra comentar. Posso garantir uma coisa: se o lar de um homem é o seu castelo, o nosso está ficando digno de verdadeiros reis. Se vocês forem bonzinhos, quem sabe eu não coloque uma ou duas fotos do nosso lar, doce lar.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Sim, eu sei

Sei que estou ausente, que vocês aparecem aqui e não há novidades. Muito pelo contrário, pequenos infantes! As novidades estão acontecendo aos borbotões e em breve estarei voltando para esta casa com novos colaboradores. Não que isso venha a ser uma onda de postagens diárias, mas posso garantir que as possibilidades de posts mais interessantes serão maiores.
Aguardem e confiem!

segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

É, nem sei

O mundo continua dando altas voltas enquanto eu e minha noiva estamos correndo atrás de muitas coisas. Assunto pra comentar aqui tem de monte, mas falta o tal do tempo disponível. E quando o dito aparece, mal tenho como concatenar as idéias e colocá-las aqui de forma decente.

Mas o que preciso deixar registrado essa semana foi a grata surpresa ao folhear a revista da Liga e reencontrar o prazer de ler quadrinhos, que andava muito em baixa, principalmente por causa da decepção com o título que, desde sempre, me fazia passar na banca pra comprar HQs: Batman. A falta de uma direção coerente pra vida do personagem está tornando a leitura de suas histórias algo irritante. Ok, ok, pra mim, pelo menos.

Felizmente tenho a Liga do Meltzer pra tapar o buraco, com honra e dignidade.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Morrison, vá pra Lapa!

Como se não bastasse a infame inserção (forçadíssima, na minha opinião, como todos que passam por aqui sabem) de um filho na vida do Morcegão, agora um dos piores rumores da fase Morrison: a volta do Batmirin.




O pessoal que ainda não percebeu a "Frank Millerização" do escocês que me perdoe, mas vai ser foda de ler isso. Morrison, vá pra Lapa!

Lapaputaqueopariu!!!


Fonte: Os Melhores do Mundo, via UDColine

sexta-feira, 4 de janeiro de 2008

É por isso que criminoso se dá bem nessa terra

É impressionante a capacidade do povão brasileiro em ser medíocre. Não bastasse passar por maus bocados que o dia-a-dia impõe, acreditando sempre que tudo é Deus quem decide, tem gente que procura chifre em cabeça de cavalo.

A empregada doméstica que foi covardemente agredida por marginais da classe média carioca em JUNHO do ano passado serve para ilustrar esse exemplo. Com a justiça ao seu lado e tendo alcançado a graça de ver atrás das grades os pusilânimes que a atacaram, ela resolveu sentir remorso por tudo que aconteceu. Frise-se que a agressão foi em JUNHO, o que dificulta minha compreensão para ela ainda se preocupar com o que acontece com seus agressores.

Leia aqui e entenda o que se segue

Vou começar espinafrando os pobres de maneira geral. Esses têm uma coisa a mais que as demais classes: têm mais que se ferrar, ao melhor estilo Justo Veríssimo. Ou melhor, nesse caso, quero que pobre se exploda. Isso porque não aprendem a ir contra aquilo que realmente os oprime, que não os deixa melhorar de vida. Sendo uma das causas disso a impunidade reinante nesse país. Se a lei valesse para todos, não teríamos mensaleiros, sanguessugas e Renan Calheiros à solta. Acorda população pobre brasileira!!!

No caso específico da doméstica Sirlei Dias, se os indivíduos que a atacaram não tivessem sido presos, todos iriam reclamar da justiça e não é difícil de imaginar a cena da vítima da agressão chorando pela injustiça que cometeram com ela. Mas, pelo contrário, ela se sente mal por estar na hora errada, no lugar errado. Quem certamente se sente assim, e com toda a razão, é a mãe do menino João Hélio Fernandes.

Ah, tenha santa paciência. Estivesse ela exercendo a função pela qual foi agredida, a de prostituta, como imaginaram os agressores, ainda assim teria todo o direito de ver aqueles que a agrediram atrás das grades. Não cabe a ela sentir-se mal pelo que as famílias desestruturadas desses indivíduos estão passando. A culpa é dos pais desses marginais. E que tanto os pais quanto os filhos paguem, cada um de sua maneira, pelo crime que foi cometido.

Ô maniazinha de pobre, de sentir-se culpado até pelo que não tem culpa...

E o que falar sobre o oportunismo do senador Crivella? Querer usar politicamente a doméstica, que pela atitude de "remorso" demonstra bem o tipo de figura que seria na esfera pública, é demonstração daquilo que comentei sobre os políticos fluminenses: demagogos e populistas. Não que isso seja exclusividade do Rio de Janeiro, mas lá parece que esse tipinho de gente despenca junto com os temporais de verão.

2008 começou bem: governo aumentando a carga de impostos porque prometeu que não aumentaria a mesma em 2007 (brilhante, Ministro Mantega, brilhante) e agora essa da vítima de um crime covarde estar arrependida por algo que não é culpa dela. E olha que ainda estamos na primeira semana do ano.

2008 promete!

Réveillon em Grande Estilo

20 anos separam o meu primeiro Réveillon no Rio de Janeiro do último. Não sei com precisão se a virada de 87 para 88 foi com termômetros tão quentes quanto a de 2007 para 2008. Mas posso afirmar que, apesar dos pesares, o Rio de Janeiro ainda é uma das cidades mais belas que conheço. Vale a pena para passear, não para morar. Ao menos enquanto a população da cidade e do estado continuarem elegendo energúmenos populistas, que enfiam sabe-se lá onde toda a riqueza gerada e disponível nos cofres públicos.

Foram 4 dias na antiga capital do Brasil, ao lado de uma família que faz com que eu me sinta parte dela, período durante o qual conheci a capela onde será celebrado meu vindouro casamento e o salão de festas onde festejarei ao lado de pessoas queridas o momento mais feliz desse ano e, porque não, da minha vida.

A vista ao redor de ambos os lugares é divina. É surpreendente que o custo de lugares tão belos esteja muito abaixo do que eu imaginei. Isso é demonstração de que procurando com cuidado é possível encontrar lugares soberbos, com preços que cabem muito bem no orçamento. Mérito de minha noiva e de minha futura sogra.

Resta então que eu faça a minha parte e encontre um lugar para morar compatível com o que minha futura esposa merece. E ela merece nada menos que o máximo.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2007

Fim de ano!



2007 está acabando e me parece que demorou mais pra passar do que seus antecessores. Como acontece com todo ano que se finda, ficam coisas boas e ruins. Fatos positivos marcantes e decepcionantes acontecimentos que esperamos nunca mais ver novamente.

O primeiro ponto é positivo, ainda que tardio. Em 2007 houve um aumento da consciência ambiental, mais pessoas estão preocupadas com os meios de melhorar o mundo em que vivemos. Talvez ainda haja esperança para o Planeta. O lado negativo nesse quesito foi o fato de alguns cientistas céticos jogar areia na onda ambientalista, dizendo que é alarmismo essa história de aquecimento global. O mundo não precisa desse desserviço, pois mesmo que seja algo momentâneo e fora do alcance da mão humana a sua causa, nada impede que façamos o possível para diminuir o problema.

Meu ponto de vista: ainda que a raça humana seja ignorante, apesar de toda sua inteligência, não é hora de jogar a toalha.

No âmbito político, tivemos um ano a ser lamentado. As más escolhas dos eleitores ficaram mais uma vez demonstradas pelos escândalos ocorridos. Malditos sejam Renan Calheiros e que tais. Imagine se essa onda positiva de crescimento econômico que estamos atravessando acontecesse num país com políticos menos corruptos (porque incorruptíveis é lenda), com burocracia na medida certa e impostos justos. Aquela história de que o brasileiro é um povo rico é verdade. Só falta parar de colocar egoístas para governar. Quantos milhões de pessoas estariam com a vida melhor se o sistema funcionasse um pouquinho melhor?

Meu ponto de vista: nesse país as coisas só vão se tornar sérias quando o povo se incomodar verdadeiramente por estar sendo feito de palhaço. Eu faço parte de uma “elite” que incomoda o governo quando se manifesta, porque tenho opinião própria e não me furto ao dever cívico de vigiar quem está no poder. Perguntar não ofende: em quem você votou nas últimas eleições, mesmo?

Ainda relativo à Brasília, temos que lamentar a incompetência da diretoria da ANAC, que pode não ter sido a única culpada pelo maior acidente aéreo brasileiro, mas contribuiu muito para que a tragédia acontecesse. Por uma triste coincidência, na data do acidente meus pais estavam voltando de Brasília. Minha tia, que mora lá, ficou extremamente chocada e queria que eles protelassem o embarque para Curitiba. Medo, apreensão, revolta, tristeza. Sentimentos que tomaram conta da maioria dos brasileiros, ao menos da parcela que pode se dar ao desfrute de utilizar o transporte aéreo como meio de se locomover nesse país. A morte de 199 pessoas numa tragédia aérea é triste, mas ainda assim milhares de outros brasileiros continuam morrendo dia após dia em acidentes rodoviários, em hospitais públicos decadentes, nas mãos de delinqüentes e bandidos que fazem pouco caso da lei. E para o Governo Federal tudo que importa são os números positivos da economia. Mas como aproveitar esses números em benefício do povo é a questão que não tem resposta.

Meu ponto de vista: o caos aéreo é reflexo de um modelo de gestão que precisa ser revisto e modificado com urgência. Enquanto os controladores de vôo continuarem debaixo das asas da Aeronáutica, voar no Brasil ainda será algo perigoso. E a infra-estrutura geral do país cada vez afunila mais o gargalo para o crescimento sustentável. E isso não é culpa exclusiva do Lula. A falta de investimento nessa área vem de longe.

Mudando de assunto, antes que eu me revolte e o texto vire panfletagem anti-PT, vamos avaliar fatos amenos, de menor relevância. O lançamento do Renault Logan, por exemplo. As primeiras fotos que a imprensa especializada jogou no ar mostravam um carro interessante. Ledo engano. Após conferir o carro de perto, tive a sensação de que os anos 70 estavam de volta. Naqueles tempos de crise do petróleo e ressaca hippie, os carros perderam todo o glamour que haviam conquistado. Os modelos privilegiavam motores ao invés do conjunto, deixando o design e o conforto em segundo plano. O Logan não chega a deixar o conforto em segundo plano. Longe disso, afinal o maior atrativo do carro é justamente esse e o design anos 80 não compromete totalmente o veículo, que digam as suas vendas, as maiores da Renault no Brasil. Mas espero que esse passo atrás em termos de design não contamine as outras montadoras. A princípio essa hipótese é improvável, mas na briga dentro da categoria onde o Logan se enquadra, vale tudo.

Outro destaque automotivo desse ano foi o lançamento do Punto, um belo carro, visual retrô sem soar ultrapassado, com um grande mercado pela frente e que marcou a estréia do novo logotipo da FIAT. Outro que rouba a atenção por onde passa é o Vectra GT, muito mais interessante que o Punto, mas alocado em outra faixa de mercado. Preço da versão mais barata, em Curitiba: R$ 59.990,00.

De modo geral a indústria automotiva se lembrará de 2007 como um ano de ouro. As vendas foram às alturas, superando todas as expectativas e 2008 pode seguir o mesmo rumo.

Meu ponto de vista: se por um lado o aumento do consumo de veículos gera mais empregos, por outro complica ainda mais o tráfego nas grandes cidades, contribuindo para a piora da qualidade de vida nos principais centros do país. Haja álcool pra abastecer essa frota.

Por falar em álcool, aqui temos a vedete do agronegócio em 2007. Eu, como engenheiro agrônomo, sei que existem outras plantas com potencial para gerar biocombustíveis, mas a cana-de-açúcar é a mais interessante para as condições brasileiras. Álcool de milho é caro, biocombustível a partir da mamona também, soja compensa mais como alimento que como combustível. Dá-lhe plantar cana, então... Mas essa é uma cultura de alto potencial poluidor, em função dos tratos culturais que exige. Porém o aumento do consumo previsto torna o plantio de cana algo muito atraente em diversas regiões. Isso é preocupante, pois pode gerar problemas de abastecimento de outros gêneros, uma vez que a área plantade de milho, soja, feijão e outras culturas que competem com a cana em regiões favoráveis tende a diminuir. Isso porque agricultor é um bicho que não entende economia de escala, geralmente é ganacioso e burro, pois se importa em plantar apenas aquilo que dá dinheiro. Ok, ninguém corre atrás de coisas que dão prejuízo, mas se você e mais todo mundo plantar uma única coisa, a oferta sobe e o preço cai. Não é difícil de entender. Agora, se você planta de tudo um pouco, verificando as possibilidades de sua propriedade, em uma cultura você lucra, em outra você empata o investimento e, dificilmente, terá grandes prejuízos. A agricultura do Brasil é uma das mais fortes e competitivas do mundo, mas ainda tem potencial para muito mais. Antes de eu sair da faculdade, em 2003, já se falava em profissionalizar o produtor rural. Infelizmente esse processo é lento e levará gerações, mas quando estiver consolidado, o agronegócio deverá fazer ainda mais pelo desenvolvimento nacional.

Entrando agora em algo mais divertido, os assuntos culturais! 2007 não começou bem para os fãs do cinema. Exceto por 300, que segurou a onda muito bem, nada em cartaz no início do ano foi surpreendente ou divertido, na minha opinião, até o segundo semestre. Porcarias como Motoqueiro Fantasma, Homem Aranha 3 (a maior decepção do ano, com certeza) e Quarteto Fantástico 2 mostraram o lado ruim das produções baseadas em quadrinhos. Piratas do Caribe 3 ainda não assisti, então colocar no mesmo nível que os filmes citados é sacanagem. Mas tenho mais certeza do que dúvidas que, apesar de ter ficado aquém dos seus antecessores, Piratas do Caribe 3 deve ser muito mais divertido que os filmes da Marvel. Ainda esse ano tivemos Transformers, que não foi tudo aquilo que poderia ter sido e Os Simpsons – O filme, que foi tudo aquilo que poderia ter sido e mais um pouco. Mas nada tira de Tropa de Elite o prêmio de melhor produção em 2007. Primeiro por falar sobre bandidos como nenhum filme nacional teve coragem, até então. Segundo, por ser um filme nacional com padrão internacional de qualidade, tanto no roteiro quanto nas atuações. 300 e Tropa de Elite fizeram valer cada centavo dos ingressos e estarão, em versão original, na minha dvdteca.

Outros pontos da indústria ciematográfica que foram positivos: os aperitivos do que virá em 2008. Homem de Ferro, Hulk, Cavaleiro das Trevas lideram as apostas. Correm por fora Speed Racer (que não me cativou, mas pode surpreender), Wolverine (que perdeu ritmo em se tratando de atratividade) e Rambo (com estréia prevista já em janeiro). Sem contar nas surpresas que devem surgir. É aguardar e conferir.

Nos quadrinhos as coisas continuam de vento em popa, com lançamentos para todos os gostos. Como eu não fujo muito do estilo “super-herói”, não sei o que falar sobre mangás e álbuns de arte, mas até onde percebi, 2007 trouxe muita qualidade nas histórias em quadrinhos de maneira geral.

A Panini continua aprendendo com seus erros e melhorando aos poucos suas linhas de revistas e, para nossa sorte, o hiato entre o que acontece nos EUA e aquilo que é publicado por aqui é cada vez menor. Os destaques do ano ficam por conta da linha All Star Superman, que só tem recebido elogios dos fãs, que lamentam pela alteração da equipe criativa. A decepção fica por conta de All Star Batman & Robin. Frank Miller é um cara que se perde muito facilmente hoje em dia. Férias para ele.

No caso da linha mensal, só tenho acompanhado duas publicações: Liga da Justiça e Batman. Após o “furdunço” provocado pela Crise Infinita, a origem da Liga foi bagunçada e, quem é da velha guarda como eu, terá que esquecer a origem da equipe, coisa difícil de aceitar. Outra coisa triste foi o retorno de jason Todd, algo desnecessário. Mas tudo bem, há necessidade de se mudar o Status Quo de tempos em tempos.

O problema começa justamente nessa necessidade. Grant Morrison resolveu trazer o filho de Bruce Wayne com Thália de volta aos holofotes. Particularmente não vejo como isso enriqueceu o bat-universo e seus personagens, mas como o roteirista é Morrison o pessoal tá dando uma colher de chá. Se fosse outro, certamente cairiam de pau em cima.
Outra mudança que estou estranhando muito foi a do Ajax, que hoje passou a ser conhecido como Caçador de Marte. Não estou acompanhando 52, série que deve trazer uma luz sobre as mudanças do marciano. Ano que vem me encarrego de descobrir.

Enfim, deixemos a retrospectiva de lado e ficam com vocês meus desejos de um 2008 repleto de saúde, amor e paz, mantendo Deus na consciência e buscando sempre a iluminação.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

segunda-feira, 17 de dezembro de 2007

PQP! PQP! PQP! PQP!

Já viram o trailer de The Dark Knight? Não?

Não estou com disponibilidade pra colocar um link aqui, mas...

PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP!PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP! PQP!

TDK ai ser o TROPA DE ELITE de 2008!

domingo, 16 de dezembro de 2007

Sacanagem


O cenário atual das HQs, repleto de séries, mini-séries, encadernados de arcos de histórias publicadas em revistas mensais etc., mostra que vale a pena esperar alguns meses para adquirir uma história completa em apenas uma edição. Porém, encadernar todas as Mega Edições do Paul Dini em conjunto com o mala Alex Ross por esse preço é muita sacanagem, principalmente pelo o assalto que é o frete para fora da região sudeste.

sábado, 15 de dezembro de 2007

Chora, Lula! Não foi apenas a segundona pro Curíntia que te entristeceu

Notícia melhor que o final da CPMF só uma punição decente pro Renan Calheiros. Seria pedir demais praquela corja de bandidos em Brasília. O fim do “imposto do cheque” seria uma boa também se a adminstração petista criasse vergonha na cara e cortasse os gastos desnecessários que sangram indevidamente o erário. Mas isso também seria pedir demais para o Presidente Ali Babá e seus 40 Ladrões. Azar dos brasileiros, que em breve terão algum novo imposto, criado para cobrir o rombo que fica, depois dessa derrota para o governo.

De repente a oposição pensou que eliminando a CPMF deixaria o governozinho do PT em maus lençóis, pois sem a verba do imposto não seria possível continuar com os programas assistencialistas e opovão iria se revoltar com o Lulinha e, desse modo, o caminho para o PSDB ou o Democratas assumir o governo no próximo mandato estaria limpo. Até mesmo o jogo de cena dos governadores José Serra e Aécio Neves deixou claro que havia movimentação política visando minar a força do atual governo. Os caras passaram por bonzinhos junto ao governo e ainda fizeram média ao povão. Se é que o povão prestou atenção nisso.

A verdade é que Lula perdeu a oportunidade de realizar a reforma fiscal de maneira séria durante os dois primeiros anos de governo e, dessa forma, se consolidar como dirigente sério e competente. Mas o que esperar de um vadio como o atual presidente? O cara prefere viajar pra todos os cantos do planeta, conhecer vários lugares às custas dos impostos extorsivos que pagamos e fazer pose de homem preocupado com os pobres do que governar efetivamente.

Sim, todos aqueles com um pouco de discernimento sabem que as reformas (política, fiscal, trabalhista) que o Brasil necessita são anti-populares, pois exigem o esforço de toda sociedade, mas elas garantiriam a pavimentação de uma estrada mais segura para a economia brasileira. Eu, na condição de Presidente da República, preferiria encontrar uma maneira de garantir a longo prazo o desenvolvimento do meu país, do que a curto prazo viver nos braços do povo. Mas duvido muito que um dia eu chegue lá. Políticos são, em sua maioria, pessoas que se sujam para alcançar objetivos nem sempre nobres. Olha eu falando o óbvio de novo...

Vamos esperar agora e ver o que o futuro próximo nos reserva, já que Lula e os petistas terão que rebolar muito pra continuar levando a política do “pão e vadiagem” aos brasileiros menos favorecidos, se quiserem continuar com o cartaz em alta.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Mais um desabafo (ainda que inútil)

Não é de hoje que me irrito com a incompetência governamental daquele senhor que ocupa a cadeira da Presidência da República. Desde a malfadada tentativa de greve do Poder Judiciário, nos idos de 2003, sofremos com a falta de pulso desse presidente medíocre, ignóbil, indolente e ignorante.

Não bastasse termos colocado no poder um partido que teatraliza sua preocupação com os destituídos e, agindo assim, aumenta seu paquidérmico aparelhamento estatal, ainda temos que engolir a corrupção de uma corja de bandidos, assassinos e ladrões que usurparam as cadeiras do legislativo. Cada Real desviado dos cofres públicos e destinado para o bolso desses senhores pode e faz falta para completar os orçamentos de órgãos e autarquias que efetivamente deveriam cuidar das necessidades populares.

Há tempos ando quieto em relação aos desmandos desse governo, o qual eu poderia definir com os piores e mais baixos adjetivos que me vêm à mente. Mas continuo de saco tão ou mais cheio do que quando escrevi algo contra Lula e seus asseclas. Ando enojado com a maneira como a política nacional rasteja, em todas as esferas.

Mas o que mais me irrita é a inércia de todos nós. A última grande manifestação cívica, aquela organizada para mostrar que os jovens não eram alienados (os cara-pintadas) só serviu pra muito adolescente matar aula de dar uns malhos. Tanto isso é verdade que essa geração hoje é composta por trintões que não estão fazendo nada pra reclamar. Se fomos capazes de “derrubar” um presidente tido como corrupto, por que não estamos nos rebelando contra toda essa situação atual? Ou melhor, por que os jovens de hoje não pintam as caras e saem às ruas gritando palavras de ordem?

Simples: a UNE (principal organizadora do movimento que culminou com a queda do Collor) é uma das instituições beneficiadas com a chegada do PT ao poder. Hoje a UNE ou qualquer movimento estudantil não precisa fazer oposição, pois aquilo que os estudantes de esquerda queriam aconteceu. O “povo” chegou lá! Lula lá! Agora vamos nos locupletar com todas as vantagens adquiridas com o novo posto político. Vamos invadir universidades com projetos sérios e que estão preocupados com a efetiva melhoria das condições do país. Vamos fazer de conta que todos os benefícios sociais que o PT está disponibilizando são viáveis a longo prazo, que esses mesmos benefícios têm a capacidade de tornar o Brasil um país mais justo.

É de uma simplicidade tão irritante o plano petista que admira a apatia dos neoliberais de oposição ao governo. É irritante ver a corja do PT lambuzar os beiços com o dinheiro arrecadado de maneira legalmente extorsiva, via impostos injustos, e surgirem apenas focos isolados de revolta a cada notícia de corrupção que a imprensa noticia. A preocupação de cada brasileiro hoje com seu próprio sustento a curto prazo é tamanha que não abre espaço para a revolta construtiva, aquela que faz um povo decretar greves justas, passeatas honestas e, com essas atitudes, demonstrar todo seu descontentamento com a situação.

A classe média, principal prejudicada com a má distribuição do bolo, só desperta no Presidente Lula um pinguinho de preocupação, sendo por esse senhor destratada de maneira pejorativa. O que falta ainda para que aconteça uma verdadeira manifestação por essa parcela tão importante da população?

domingo, 11 de novembro de 2007

Tropa de Elite


Quem assistiu não tem dúvidas: Tropa de Elite é uma das melhores produções realizadas no país. As falhas são mínimas e não comprometem em nada o filme. Dentre as poucas existentes, cito o fato do filme se passar em 1997, mas em algumas cenas mostradas estão rodando veículos modelo 2005/06, bem como uma ou outra propaganda da Skol descendo redondo, coisa que em 97 não havia. O que mais irrita, porém, é o fato de Tihuana ser a banda escolhida para a música tema. Não é possível que não exista nenhuma melhorzinha na galeria nacional.

Mas vamos ao que interessa. Todo o auê em cima do filme se justifica, quer seja pela pirataria que “lançou” o filme, quer seja pelos temas abordados. Existem aqueles que defendem a teoria de que as cópias piratas apareceram nas ruas como golpe de marketing e esses são, no mínimo, malucos. Ninguém daria um tiro no pé nessas proporções, ainda mais quando havia tanta grana envolvida no orçamento do filme. Outros, que defendem a pirataria como modo de “popularizar a cultura”, são os mesmos babacas que não vêem o usuário de drogas como culpado direto pela maneira como o crime organizado se desenvolveu. E o usuário de drogas é, sim, criminoso sob meu ponto de vista. A sua descriminalização, conforme a Lei de Tóxicos (11.343/06), é equivocada. Eu vejo as coisas sob o mesmo prisma do Capitão Nascimento: usuário e traficante são duas faces da mesma moeda. O tratamento para ambos deve ser igual, pois um não existe sem o outro, a exemplo do que acontece no esquema ladrão-receptador.

As cenas de tortura por parte dos policiais do BOPE mostram que mesmo uma polícia bem treinada também comete excessos. Mesmo levando em conta que o combate à criminalidade deve ser encarado como uma guerra, a tortura é uma mancha que os policiais “especiais” deveriam abominar tanto quanto a corrupção. Existem maneiras de lutar uma guerra sem o uso desse expediente. Estatísticas demonstram que uma polícia que se mostra mais próxima à população e menos violenta traz mais benefícios e é mais respeitada do que uma truculenta e temida. Respeito não se impõe, se conquista. E não tem como negar: Wagner Moura consegue transmitir toda a dualidade do Capitão Nascimento de maneira soberba em suas cenas.

O que mais admira, no mundo real, é saber o valor do soldo de um policial militar no Rio de Janeiro, que é de R$ 900,00 aproximadamente e o dos membros do BOPE é de R$1.400,00. Em uma cidade cujo custo de vida não permite viver bem com menos de R$5.000,00 mensais, quem sobrevive com essa merreca e arrisca o pescoço pra manter a segurança da população é herói e deveria ser muito respeitado. Penso que médicos, professores e policiais deveriam ser os mais bem pagos na folha do funcionalismo público. Com baixos salários, policiais vivem em áreas ocupadas por bandidos e, nessa situação, é como o filme fala: ou se omite, ou se corrompe.

O tom utilizado em entrevistas e eventos sobre o filme pelo diretor José Padilha, amenizando as críticas aos usuários e defendendo a legalização do comércio de drogas soa como hipocrisia ou pressão de algum poderoso que não gostou da forma como os usuários foram retratados, afinal só quem tem grana pode se dar ao luxo de sair por aí se entupindo de cocaína. Ora, Padilha... Sabemos que existem drogas legais e socialmente aceitas, mas a legalização do consumo de maconha, cocaía e demais entorpecentes em nada vai diminuir a violência nesse país. Se a população não sabe fazer uso das drogas legais, especialmente o álcool, o que dizer sobre outras, mais pesadas? Além do mais, não há estrutura para coibir eventuais excessos, conforme já se observa em festas e no trânsito.

Deixando a parte polêmica de lado é fácil afirmar que Tropa de Elite em nada deve às produções americanas, até porque tem capital gringo na produção. O ritmo é bem conduzido, as situações não são mastigadinhas ao ponto da audiência se sentir estúpida e o filme não cansa. Dá pra ver e rever algumas vezes, porque as interpretações estão afiadas, o roteiro é interessante e a cada vez que se revê o filme, só aumentou a repulsa aos métodos utilizados pelos policiais na obtenção de informações (ao menos no meu caso, que já vi o filme 3 vezes). Não é à toa que a imprensa escrita aproveitou o bonde do filme e colocou nas bancas material abordando temas ligados ao filme, pois isso vende que é uma beleza. Porém, de todos os textos que li relativos ao filme, o melhor foi na Rolling Stone, que conseguiu manter um pouco da parcialidade necessária na abordagem dos temas espinhosos, diferente da linha editorial da Veja, por exemplo. Lamento não ter lido nada a respeito na Carta Capital, que é a linha de frente na defesa de gente que nem sempre prima pela ética e pelo respeito às leis e instituições democráticas, pois nela volta e meia se lê defesa de gente que deve muito e paga pouco pelos crimes cometidos. O embate idealista entre Veja e Carta Capital é algo divertido de se ver, pois uma é a antítese da outra, com raras cabeças moderadas a escrever em suas colunas. Mas isso já é outra história.

Pra terminar, aproveitei a dica do b0by e fui ver quem eu seria no filme.



Nota 8,5

domingo, 4 de novembro de 2007

Quando faltam palavras...


Final de semana perfeito, fechado com chave de ouro e ao lado da mulher (muito) amada, curtindo o Rio de Janeiro, com direito a pedido de casamento e alianças, conforme manda o figurino. Foi curto, intenso e marcante, deixando gostinho de quero mais. O que é melhor: logo, logo vai ser assim todo dia.

quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Agora não falta mais nada

Isso aqui mostra como a concorrência no mercado "informal" está acirrada.

Só não vale gritar "Pega ladrão".

domingo, 28 de outubro de 2007

From China, with love



Em setembro passado meu irmão foi para a China, participar de um seminário, realizar cursos e fazer um pouco de turismo (afinal não é todo dia que se vai pra China) em mais ou menos 20 dias. Inicialmente ele penou com o fuso horário, coisa que em uns dois dias resolveu-se. O problema maior foi com a peculiar culinária local, pois aqui em casa o máximo de comida chinesa que a gente encara é um frango-xadrez ou um yakisoba, e olha lá.

Passada a adaptação com a comida, o negócio era aproveitar o curso e o seminário. O guri investiu na carreira de fisioterapeuta-acupunturista e essa viagem enriqueceu sua capacidade profissional, ampliando seus já abrangentes conhecimentos. Sem falar que o estímulo em melhorar a arte, conhecendo a terra natal da mesma, só tende a gerar bons frutos.

Porém não ficarei rasgando seda pra ele aqui. A intenção com o post é apenas encher lingüiça até semana que vem, quando finalmente vou assistir Tropa de Elite e poder escrever tudo que tenho vontade sobre o filme e a temática que o envolve.

Voltando então à encheção de lingüiça, meu irmão contou que a China tem muita mulher feia, muita porcaria (no sentido próprio da palavra) eletrônica e, como não era diferente de se esperar, muitas peculiaridades em relação ao nosso universo ocidental. Mas pelo que percebi pelo material que ele trouxe como bugiganga de lá, os hábitos regionais estão bastante ocidentalizados. No clip das artistas chinesas contido no mp4, por exemplo, nota-se que o pop chinês é semelhante ao fabricado por estas bandas, com beldades curvilíneas cantando refrões grudentos (ainda que em mandarim).

Porém, ele não soube aproveitar as compras. Por falta de um espírito mais consumista, ele deixou de aproveitar o fato de estar na fonte da muamba que brasileiro compra no Paraguai e não fez a festa. Ainda assim, fez boas compras.

Na ânsia de encontrar material interessante, acabou comprando a edição de outubro da FHM chinesa. Tudo bem que não dá pra entender lhufas do que está escrito lá, mas um artigo em especial chamou minha atenção.


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O Brasil não é famoso apenas pelo trio Carnaval-futebol-mulher gostosa. Agora também estamos entre aqueles cujos assaltos a banco estão entre os maiores do mundo. Mais um motivo de orgulho, torcida brasileira!

domingo, 21 de outubro de 2007

EU JÁ SABIA!!! (ou não)

Não foi como eu gostaria, mas seria pedir demais que os bons tempos voltassem em apenas uma temporada. Ao menos a decisão do título foi surpreendente, pois só um doido apostaria na vitória de Kimi Räikkönen, que esteve ameaçada até a última volta, caso Nico Rosberg e Robert Kubica se envolvessem em um acidente e saíssem da prova. Pra tornar tudo mais emocionante só faltou chover.

Para o próximo ano, a coisa deve ser ainda melhor: a Ferrari mantém a mesma equipe, o que teoricamente dá um ligeira vantagem sobre as rivais; Nelsinho Piquet entrará em uma grande equipe segundo boatos e Hamilton terá motivos de sobra pra mostrar que os resultados desse ano não foram em função de uma eventual puxação de brasa pro seu lado, por parte da equipe ou apenas pura sorte de principiante. Alonso deverá estar mordido por justamente ter sido preterido pela McLaren e não acredito que ele continue na equipe, preferindo uma que o trate como estrela. Por maior que seja o talento, sua vaidade é muito maior do que a habilidade demonstrada nas pistas. A impressão que esse espanhol passa é de ser uma pessoa de difícil trato.

De qualquer forma, esse foi um dos campeonatos mais equilibrados que pude acompanhar e o fato dos brasileiros não terem se dado melhor foi mais por culpa de suas equipes do que por falhas de pilotagem. Isso vale mais para o Barrichelo do que para Felipe Massa, que poderia ter conseguido melhores resultados nas primeiras provas se não tivesse sido tão afoito.

No caso do eterno perdedor Barrichelo, a equipe foi responsável pela pior temporada do piloto, que finalmente pode colocar a culpa pelas péssimas apresentações no carro, depois de vários anos correndo em escuderias competitivas e sempre começando o ano dizendo que “agora será possível brigar pelo título”. É uma pena saber que ele deixará a Fórmula 1 sem nunca ter levado um título de campeão mundial, pois o que ele transmite é ser incapaz de forçar a equipe a colocar o melhor carro em suas mão, afinal bom piloto ele é. Só que nunca deu sorte...

No mais, é esperar a próxima temporada e torcer pra que as emoções desse ano venham dobradas.

domingo, 14 de outubro de 2007

Será que sou só eu?

Se vivêssemos em uma cultura similar à islâmica em termos de defesa dos cânones quadrinhísticos ou nérdicos, eu seria condenado à morte pelo que vou escrever a seguir.

Não é de hoje que esse senhor é enaltecido por ser uma das maiores figuras da ilustração nos quadrinhos dos últimos tempos e por seu estilo inconfundível. Sua acensão nos quadrinhos aconteceu depois do lançamento de Marvels, há mais de 10 anos, e se consolidou com Reino do Amanhã.

Realmente as histórias que Alex Ross ilustra beiram a perfeição e sua obsessão por detalhes nas pinturas é algo que agrega muito às histórias que ele desenha. Porém, segundo os experts, ele é uma mala sem alça e que, devido à veneração que os fãs têm por seu trabalho, acredita piamente poder se dar ao luxo de esnobar esses mesmos fãs nas convenções de quadrinhos América do Norte afora.

Foi quando soube desse traço negativo da personalidade do sr. Ross que comecei a ser mais crítico com suas obras. Basicamente existem duas características artísticas dele que me incomodam: a saturação das cores de suas pinturas, sempre com cara de envelhecidas, com baixo contraste; e a mania besta de fazer as máscaras do Batman e do Flash completamente erradas.

Em relação às cores, ele poderia deixar efetivamente mais realistas como fazia no inícoi da carreira. Geralmente os artistas evoluem suas capacidades, mas eu não vejo isso nos materiais recentes do sr. Ross.

Quanto às máscaras do Batman e do Flash, basta levar em consideração que a arte de Alex Ross é elogiada pelo foto-realismo empregado. Muito bem, se fosse assim, as máscaras de ambos remeteriam àquelas utilizadas nos filmes (caso do Batman) e no seriado (caso do Flash).

A máscara do Batman, por exemplo, parece ser confecionada com a mesma borracha utilizada em luvas cirúrgicas de látex, o que explicaria o cenho franzido tão perfeitamente desenhado debaixo de uma máscara que deveria, além de esconder a identidade civil do herói, ser uma proteção contra ataques.

Já a máscara do Flash parece ter sido feita por uma criança e nem de longe seu uniforme lembra um dos melhores já construídos para uma adaptação live-action, ficando superior até ao uniforme do Homem-Aranha, em minha humilde opinião. Quem assistiu ao seriado dos anos 90 sabe que é verdade.

Outra coisa que incomoda, mas nem tanto, é a preferência desse desenhista pela fase pré-Crise, quando ilustra personagens da DC. Eu era muito pequeno e não acompanhava quadrinhos de super-heróis até 1990/91, por isso não tenho condições de afirmar se aquilo que existia antes do trabalho primoroso de Marv Wolfman e George Pérez era tão bom quanto o sr. Ross defende. Ainda assim, quando ele resolve incorporar elementos pré-Crise em suas ilustrações, o faz de maneira não-ofensiva e, justamente por isso, passa desapercebido na maioria das vezes.

Assim, peço aos defensores e fãs ferrenhos do sr. Ross que me poupem de um apedrejamento sumário e arbitrário, defendendo seu ídolo de maneira coerente e com bons argumentos. Para ajudar na minha defesa, coloco abaixo algumas ilustrações que corroboram com minha opinião.








As imagens acima ilustram apenas a questão da máscara do Batman, mas pegue suas edições de Marvels, Reino do Amanhã e outras publicações ilustradas pelo sr. Ross e compare as diferenças. Note que a máscara do Robin vermelho é muito parecida com a máscara utilizada no filme Batman, de Tim Burton. Repare também nas rugas da testa do Batman desenhado para a capa da Wizard. Na minha opinião Alex Ross já foi muito melhor...

domingo, 7 de outubro de 2007

A música Eduardo e Monica, da Legião Urbana, esconderia uma implicância com o sexo masculino?

Há tempos atrás, antes até de resolver criar um blog, recebi um e-mail cujo texto era deveras divertido, mas que ficou esquecido nas empoeiradas prateleiras eletrônicas de um cd-rom qualquer. Vasculhando arquivos antigos, reencontrei o texto e, como o material é interessante, mesmo para aqueles que já o tenham lido, resolvi colocar o mesmo aqui. Infelizmente não sei quem foi o autor da pérola, mas o cara é melhor que muito crítico musical (olha eu atacando os caras de novo) por aí.

O falecido Renato Russo era, sem dúvida, um ótimo músico e um excelente letrista. Escreveu verdadeiras obras de arte cheias de originalidade e sentimento. Como artista engajado que era, defendia veementemente seus pontos de vista nas letras que criava. E por isso mesmo, talvez algumas delas excedam a lógica e o bom senso, como no caso da música Eduardo e Monica, do álbum "Dois" da Legião Urbana, de 1986, onde a figura masculina (Eduardo) é tratada sempre como alienada e inconsciente; enquanto a feminina (Monica) é a portadora de uma sabedoria e um estilo de vida evoluidíssimos. Analisemos o que diz a letra.

Logo na segunda estrofe o autor insinua que Eduardo seja preguiçoso e indolente: "Eduardo abriu os olhos mas não quis se levantar; Ficou deitado e viu que horas eram" ao mesmo tempo que tentar dar uma imagem forte e charmosa à Monica: "enquanto Monica tomava um conhaque noutro canto da cidade, como eles disseram". Ora, se esta cena tiver se passado de manhã, como é provável, Eduardo só estaria fazendo sua obrigação: acordar. Já Monica revela-se uma cachaceira profissional, pois virar um conhaque antes do almoço é só para quem conhece muito bem o ofício.

Mais à frente, vemos Russo desenhar injustamente a personalidade de Eduardo de maneira frágil e imatura: "Festa estranha, com gente esquisita...". Bom, "festa estranha" significa uma reunião de porra-loucas atrás de qualquer bagulho para poderem fugir da realidade, com a desculpa esfarrapada de que são contra o sistema. "Gente esquisita" é, basicamente, um bando de sujeitos que têm o hábito gozado de dar a bunda após cinco minutos de conversa e as garotas mais horrorosas da Via-Láctea. Enfim, esta era a tal "festa legal" em que Eduardo estava. O que mais ele podia fazer? Teve que encher a cara pra agüentar aquele pesadelo, como vemos a seguir. Assim temos: “Eu não estou legal. Não agüento mais birita”. Percebe-se que o jovem Eduardo não está familiarizado com a rotina traiçoeira do álcool. É um garoto puro e inocente, com a mente e o corpo sadios; bem ao contrário de Monica, uma notória bêbada sem-vergonha do underground.

Adiante, ficamos conhecendo o momento em que os dois protagonistas se encontraram: "E a Monica riu e quis saber um pouco mais sobre o boyzinho que tentava impressionar". Vamos por partes: em "E a Monica riu" nota-se uma atitude de pseudo-superioridade desumana de Monica para com Eduardo. Ela ri de um bêbado inexperiente. Mais à frente é bom esclarecer o que o autor preferiu maquiar. Onde lê-se "quis saber um pouco mais", leia-se "quis dar para". É muita hipocrisia tentar passar uma imagem sofisticada da tal Monica. A verdade é que ela se sentiu bastante atraída pelo "boyzinho que tentava impressionar". É o máximo do preconceito leviano se referir ao singelo Eduardo como "boyzinho". Caso fosse realmente um playboy, ele não teria ido se encontrar com Monica de bicicleta, como consta na quarta estrofe: "Se encontraram então no parque da cidade A Monica de moto e o Eduardo de camelo". Se alguém aí agiu como boy, esta foi Monica, que vai ao encontro pilotando uma ameaçadora motocicleta. Como é sabido, aos 16 (Ela era de Leão e ele tinha dezesseis) todo boyzinho já costuma roubar o carro do pai, principalmente para impressionar uma maria-gasolina como Monica. E tem mais: se Eduardo fosse mesmo um playboy, teria penetrado com sua galera na tal festa, quebraria tudo e ia encher de porrada o esquisitão mais fraquinho de todos, na frente de todo mundo, ok?

Na ocasião do seu primeiro encontro, vemos Monica impor suas preferências, uma constante durante toda a letra, em oposição a uma humilde proposta do afável Eduardo: "O Eduardo sugeriu uma lanchonete. Mas a Monica queria ver o filme do Godard". Atitude esta nada democrática para quem se julga uma liberal. Na verdade, Monica é o que se convencionou chamar de P.I.M.B.A (Pseudo Intelectual Metido à Besta e Associados, ou seja, intelectuerdas, alternativos, cabeças e viadinhos vestidos de preto em geral), que acham que todo filme americano é ruim e que bom mesmo é filme europeu, de preferência francês, preto e branco, arrastado para caralho e com bastante cenas de baitolagem.

Em seguida Russo utiliza o eufemismo "menina" para se referir suavemente à Monica: "O Eduardo achou estranho e melhor não comentar Mas a menina tinha tinta no cabelo". Menina? Pudim de cachaça seria mais adequado. À pouco vimos Monica virar um Dreher na goela logo no café da manhã e ele ainda a chama de menina? Além disso, se Monica pinta o cabelo ou é porque é uma balzaca querendo fisgar um garotão viril ou porque é uma baranga escrota mesmo. O autor insiste em retratar Monica como uma gênia sem par: "Ela fazia Medicina e falava alemão" e Eduardo como um idiota retardado (E ele ainda nas aulinhas de inglês). Note a comparação de intelecto entre o casal: ela domina o idioma germânico, sabidamente de difícil aprendizado, já tendo superado o vestibular altamente concorrido para medicina. Ele, miseravelmente, tem que tomar aulas para poder balbuciar "iéis", "nou" e "mai neime is Eduardo". Incomoda como são usadas as palavras "ainda" e "aulinhas", para refletir idéias de atraso intelectual e coisa sem valor respectivamente. Coitado do Eduardo, é um jumento mesmo...

Na seqüência, ficamos a par das opções culturais dos dois: "Ela gostava do Bandeira e do Bauhaus, De Van Gogh e dos Mutantes, De Caetano e de Rimbaud". Temos nesta lista um desfile de ícones dos P.I.M.B.As, muito usados por quem acha que pertence a uma falsa elite cultural. O sujeito mais normal dessa moçada aí, cortou a orelha por causa de uma sirigaita qualquer. Já viu o nível, né? Só porra-louca de primeira. Tem um outro peroba ali que tem coragem de rimar "Êta" com "Tiêta" e neguinho ainda diz que ele é gênio. Mais uma vez insinua-se que Eduardo seja um imbecil acéfalo e crianção: "E o Eduardo gostava de novela E jogava futebol de botão com seu avô". A bem da verdade Eduardo é um exemplo. Que adolescente de hoje costuma dar atenção a um idoso? Ele poderia estar jogando videogame com garotos de sua idade ou tentando espiar a empregada tomar banho pelo buraco da fechadura, mas não!, preferia a companhia do avô em um prosaico jogo de botões. É de tocar o coração. E como esse gesto magnânimo foi usado na letra? Foi só para passar a imagem de Eduardo como um paspalho energúmeno. É óbvio, para o autor, que homem não sabe de nada. Mulher sim, é maturidade pura.

Continuando, temos: "Ela falava coisas sobre o Planalto Central, Também magia e meditação". Falava merda, isso sim. Nesses assuntos esotéricos é onde se escondem os maiores picaretas do mundo. Qualquer chimpanzé lobotomizado pode grunhir qualquer absurdo que ninguém vai contestar. Por quê? Porque não se pode provar absolutamente nada. Vale tudo. É o samba do crioulo doido. E quem foi cair nessa conversa mole jogada por Monica? Eduardo é claro, o bem intencionado de plantão. E ainda temos mais um achincalhe ao garoto: "E o Eduardo ainda estava no esquema escola - cinema - clube - televisão". O que o Sr. Russo queria? Que o esquema fosse bar da esquina - terreiro de macumba – sauna gay – delegacia? E qual é o problema de se ir a escola?

Em seguida, já se nota que Eduardo está dominado pela cultura imposta por Monica: "Eduardo e Monica fizeram natação, fotografia, teatro, artesanato e foram viajar". Por ordem:

1) Teatro e artesanato não costumam pagar muito imposto;
2) Teatro e artesanato não são lá as coisas mais úteis do mundo.
3) Quer saber? Teatro e artesanato são coisas de viado.

Agora temos os versos mais cretinos de toda a letra: "A Monica explicava pro Eduardo Coisas sobre o céu, a terra, a água e o ar". Mais uma vez, aquela lenga-lenga esotérica que não leva a lugar algum. Vejamos: Monica trabalha na previsão do tempo? Não. Monica é geóloga? Não. Monica é professora de química? Não. Monica é alguma aviadora? Também não. Então que diabos uma motoqueira transviada, alcoólatra e vadia pode ensinar sobre céu, terra, água e ar, que uma muriçoca não saiba? Novamente, Eduardo é retratado como um debilóide pueril, capaz de comprar alegremente a Torre Eiffel após ser convencido deste grande negócio pelo camelô mais safado do mundo. Santa inocência...

Ainda em "Ele aprendeu a beber" não precisa ser muito esperto pra sacar com quem... É claro, com Monica, a campeã do alambique. Eduardo poderia ter aprendido coisas mais úteis como o código Morse ou as capitais da Europa, mas não. Acharam melhor ensinar para o rapaz como encher a cara de pinga. Muito bem, Monica. Grande contribuição!

Depois, temos "deixou o cabelo crescer". Pobre Eduardo. Àquela altura, estava crente que deixar crescer o cabelo o diferenciaria dos outros na sociedade. Isso sim é que é ativismo pessoal. Já dá pra ver aí o estrago causado por Monica na cabeça do iludido Eduardo. Sempre à frente em tudo, Monica se forma quando Eduardo, o eterno micróbio, consegue entrar na universidade: "E ela se formou no mesmo mês que ele passou no vestibular". Por esse ritmo, quando Eduardo conseguir o diploma, Monica deverá estar ganhando o seu oitavo prêmio Nobel.

Outra prova da parcialidade do autor está em "porque o filhinho do Eduardo tá de recuperação”. É interessante notar que é o filho do Eduardo, e não de Monica, que ficou de segunda época. Em suma, puxou ao pai e é burro que nem uma porta. O que realmente impressiona nesta letra é a presença constante de um sexismo estereotipado. O homem é retratado como sendo um simplório alienado que só é salvo de uma vida medíocre e previsível graças a uma mulher naturalmente evoluída e oriunda de uma cultura alternativa redentora. Nesta visão está incutida a idéia absurda que o feminino é superior e o masculino, inferior. Bem típico de algum recalque homossexual do autor, talvez magoado com a natureza masculina. A verdade é que uma vadia pé-de-cana, maria-gasolina e porra-louca levou para o mau caminho um rapaz que tinha grandes possibilidade de andar pelas veredas do bem.

Como disse Lulu Santos: "Cada um tem um jeito de contar a mesma história".